Giuliano Metelski


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A noção de sublimação, tal como a concebo, ultrapassa a de metáfora, e abre um caminho para além do gozo fálico, porquanto este é determinado pela ordem da significação, da metáfora paterna. Uma metáfora, qual seja, responde a uma troca no campo discursivo de um elemento no lugar de outro. Ora, no Édipo, lido por Lacan, a metáfora paterna é uma operação que estabelece, frente ao enigma do desejo do Outro (mãe), uma significação fálica: primeiro a criança é o falo faltante da mãe, depois ela (a criança) poderá ter o falo. Nesta operação o quarto termo, pai, entra em [...]
A sublimação recebe definições imprecisas. Ela não pode ser uma dessexualização da pulsão, tampouco do objeto. Uma pulsão não pode ser dessexualizada. Um objeto, contudo, pode, mas nesse caso, o termo mais adequado é idealização. Um objeto pode ser revestido via uma identificação com um traço particular do ideal do eu, e portanto, assumir seu lugar. Isto se amplia nos esquemas freudianos até os sentimentos de medo da perda do amor do objeto amado, bem como a obediência cega, o próprio luto, os estados depressivos da paixão. Dessexualizar o objeto não quer dizer, isso é [...]
O filme A Chegada explora a invasão extraterrestre na paranoia norteamericana de sempre. Só que nele, a linguagem passa ao primeiro plano, e ficamos o tempo todo com aquela sensação de verossimilhança em suspenso, muito embora o muro da linguagem comece a se inscrever numa superfície (mesmo na ficção ela é necessária), e as metáforas e analogias procurem, isso é muito curioso, alfabetizar os ets, não podemos deixar de notar que o procedimento se assemelha um pouco ao adotado de fato, na placa enviada ao espaço em 1974, cujas figuras masculina e feminina eram acompanhadas por [...]

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