Giuliano Metelski


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Este é o quinto ano que escrevo aqui. Embora não tenha uma grande memória não me dei ao trabalho de ir conferir o passado. Não faria qualquer diferença. O equívoco é algo que sempre procurei relevar, raramente escrevo em primeira pessoa. Neste ano procurei trabalhar um conceito, o de sublimação, por uma perspectiva que poderia ser nova, me parecia. Considerei que a escrita é uma condição para isso, e procurei demonstrá-la por duas vias: a da fonética, que implica na deriva do sentido, que suspende um equívoco tão somente pela escrita, no caso em que a fonética não o [...]
Há escritas não fonéticas, o chinês e os hieróglifos são exemplos disso. Freud também postulou um tipo de escrita que antecede a fala, uma vez que ela seria uma escrita da pulsão no aparelho psíquico, e que marcaria, portanto, em relação às diferenças de resistência, as possibilidades da memória escrever-se a partir do traço. Nós reencontraremos este tipo de escrita na linguística de Saussure, por exemplo, quando ele dota o signo de três dimensões: significante, significado, e barra. Esta barra, portanto, é da ordem dessa escrita. Lacan ao longo de seu percurso também se [...]
É preciso ser direto. A pobreza não é natural. Ela é o produto da política. Nos últimos dois anos constatamos que a racionalidade pretensa do homem é ditada por efeito de fatores psicológicos, se preferirem dos afetos (se preferirem ainda, da economia). Comprovamos que a realidade não é algo separável do enlace do imaginário com o simbólico, tampouco da representação que o discurso faz dela, posto que a cria, “não há fatos, mas a interpretação deles”. Vimos que a identificação a um suposto líder, na verdade a um simples traço dele, é capaz de fazer convergir a [...]

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