Giuliano Metelski


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Tendo a linguagem chegado ao ápice da exatidão por meio dos algoritmos não havia mais lugar para o erro. Assim o teatro logrou êxito com o espetáculo do equívoco onde os atores tentavam de todas as formas errar. A primeira estratégia foi marcar a apresentação para sábado e só aparecer domingo. Quem foi enganado não voltaria. Mas havia os insistentes. Logo o público compreendeu que a última hora em que a peça ocorreria seria na anunciada, de modo que era preciso ficar vigilante. Os boatos começaram a rodar a cidade, o que fez a polícia reprimir qualquer alusão às datas e [...]
Tomei de Freud o lucro secundário da doença no ônus obtido pela fé para designar uma operação cujo resultado previsível só pode recair no prejuízo e que ainda assim é praticada, mas repare, não pela via do prazer, pelo contrário, pela categoria do gozo, cuja crença precipita um desejo projetado no outro, que é seu objeto de sadismo. São delírios de massa e são constituídos de paixões intensas. Ainda que sejam apresentados vários elementos contraditórios, a persistência da crença (não se trata de religião) ou seja, o julgamento de existência, falha e reafirma, apesar [...]
Se é verdade que a demanda revela algo do desejo podemos reconstruir do imaginário popular seu objeto: ele veste farda e espanca alguém. Aqui as pulsões sadomasoquistas abrem duas possibilidades, embora sejam como superfícies topológicas de um lado só. A pulsão sádica pode se satisfazer assistindo a um espancamento, enquanto a masoquista goza sendo o objeto da agressão. Só que na dialética do desejo opera a fantasia, embaralhando as coisas, de modo justamente a não permitir, de imediato, que o sujeito perceba que seu desejo de apanhar se materialize no espancamento do outro, que [...]

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