Lorena Izabel Lima

Lorena Izabel Lima


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Colunas
Houve um tempo em que as pequenas felicidades vinham revestidas de outros sabores, de outros sons e, especialmente, de outras palavras. Ao longe, no tempo e na geografia, o som do dolezeiro (ou picolezeiro, que vem rareando) é como um eco que ressoa nas memórias de infância: no tempo em que se comprava dolé de gelo saborizado e a mãe dava um safanão quando a insistêcia para ela comprar era muito grande. Safanão, sopapo, mas nunca tabefe. Era o tempo em que tomar biotônico era uma maneira pouco confiável (mas saborosa) de ficar ativa, sadia e ladina. Tempo em que minha avó dizia que [...]
Dois mil e dezoito está às portas da despedida e ainda estamos perplexos e ressabiados como quem saiu de um tornado e tateia tonto o espaço. Melhor dizendo, o ciberespaço. Entre gregos e troianos, muita gente se machucou: alguns feridos, desavenças familiares, algumas (ciber)amizades desfeitas, decepções de primeira e segunda categoria. Nesse cenário turbulento de disputas, vimos a palavra elevada à sua máxima potência, servindo ao mesmo tempo de arena e de arma, por mais duvidosa a origem e a qualidade da munição utilizada. Mas isso não deveria ser novidade. Há mais de dois [...]
Das maneiras de mandar cumprimentos a uma pessoa que está distante, sempre achei mais poética e gentil a expressão “mande lembranças”. Embora até mesmo dicionários célebres registrem “cumprimentos” como um dos significados da palavra “lembranças”, parece-me que esse uso está rareando. Já não ouvimos com tanta frequência tal pedido nas despedidas de uma conversa. Que pena. Mandar lembranças é uma expressão plurissignificativa, que evoca muitos sentidos, porque lembranças, vem do verbo lembrar: trazer à memória, recordar, aquilo que comprova a ocorrência de fato [...]

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