Olá, amigos
Vi ontem um filme que me deixou profundas marcas, quase
cicatrizes: O Escafandro e a Borboleta.
Vê-lo me fez pensar em liberdade , prisão e sonhos. Me
fez , de novo, por os pés na estrada da busca eterna por
significados; me fez ouvir de novo minha sempre
sussurrada pergunta: e o futuro, como será?.
Se a busca de significados pelo homem é antiga , é
também vital. É ela que nos permite afirmar como o
General, personagem do filme A Festa de Babete :”Neste
nosso belo mundo, nada é impossível.”
O futuro não está mais onde nos acostumamos a vê-lo
dentro de uma perspectiva de tempo linear construída nos
moldes do paradigma newtoniano-cartesiano. Ele não está
a nossa frente. Dentro de uma visão quântica, holística,
de tempo circular, criamos o fuutro pelas nossas ações
no presente. E por nossos pensamentos. E por nossa
linguagem. O futuro está dentro de nós, dorme em nosso
seio como preciosas sementes que precisam ser
despertadas, regadas e cuidadas com carinho para que
cresçam vigorosas e fortes.
Não podemos mais ficar passivos, sentados, esperando que
a revolução da consciência passe à nossa porta, elevando
alto as suas bandeiras e ruflando os seus tambores. Essa
revolução já começou, já está em curso, e é uma
revolução silenciosa. O ruflo dos tambores são as
batidas dos nossos corações e o seu estandarte
tremulante é o vento que sopra nos nossos cabelos, nos
trazendo a resposta que, como dizia o poeta Bob Dylan,
“... is blowing in the wind”. É preciso apenas ter
ouvidos para escutar e mãos para construir.
É preciso deixar que flua úmida e quente a seiva da
paixão, que lategem e pulsem as veias rubras da emoção.
É preciso lembrar que os sistemas que negam a paixão e a
emoção, descaracterizando-as por não serem científicas,
rapidamente criarão esquemas policiais para reprimí-las
e, finalmente, destruí-las. Se permitirmos isso, nos
transformaremos em uma sociedade de autômatos.
Precisamos reinventar o mundo, ou melhor, reinventar
nossa forma de vê-lo, de entendê-lo, de senti-lo. Usar o
cérebro na sua totalidade, o hemisfério esquerdo para
Saber e o hemisfério direito para o Ser, e ambos juntos
para Compreender. É não aceitar mestres nem gurus,
especialmente aqueles que nos mandam olhar para as
estrelas para meter a mão em nosso bolso. É ouvir o
mestre interno que existe em todos nós, que se fará
audível quando nos conectarmos com a nossa dimensão
cósmica. É preciso entender que todos os caminhos são
válidos, quando percorridos com amor.
É preciso entender que a busca da igualdade é uma utopia
negativa porque pressupõe o fim da história e estabelece
limites aos desejos humanos. É preciso perceber que as
pessoas que pensam diferente de nós não são melhores nem
piores do que nós, nem estão certas ou erradas em
relação a nós : pensam diferente de nós, apenas isso. E
é preciso lembrar que quando todos pensam da mesma
maneira, é sinal de que ninguém está pensando muito.
É preciso começar a ser razoável e a desejar a utopia.
Nós somos do tamanho dos nossos sonhos. Quanto mais alto
sonharmos, mais alto chegaremos. E, para nossa alegria,
os governos ainda não conseguiram taxar o sonho.
Aproveitemos.
Como dizia John Lennon, cujo pensamento e exemplo de
vida retratam a tortura e a glória de toda uma geração,
“você até pode dizer que eu sou um sonhador, mas eu não
sou o único”. E, como John, podemos acreditar que o
sonho é possível. Que é possível um mundo sem países.
Sem governantes nem papas, sem céu nem inferno. Um mundo
formado pela associação livre dos homens e mulheres de
boa vontade.
Só sendo homens e mulheres, unidos acima das fronteiras,
poderemos reorganizar o caos e fazer, dele, nascer o
cosmo.
E, por falar em cosmo, deixo-os com a frase da semana.
“Descobrir a gota ocasional de verdade no meio de um
grande oceano de confusão e mistificação requer
vigilância, dedicação e coragem. Mas, se não praticarmos
esses hábitos rigorosos de pensar, não podemos ter a
esperança de solucionar os problemas verdadeiramente
sérios com que nos defrontamos - e nos arriscamos a nos
tornar uma nação de patetas, um mundo de patetas,
prontos para sermos passados para trás pelo primeiro
charlatão que cruzar o nosso caminho”. (Carl Sagan)
Que seus dias sejam frutíferos.
Beijos fraternos, Aninha, fada peregrina