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Previsão do Tempo

Ana Lúcia

No Baú da Aninha

Atualizado em 01/04/2010

Olá, amigos
Vi ontem um filme que me deixou profundas marcas, quase cicatrizes: O Escafandro e a Borboleta.
Vê-lo me fez pensar em liberdade , prisão e sonhos. Me fez , de novo, por os pés na estrada da busca eterna por significados; me fez ouvir de novo minha sempre sussurrada pergunta: e o futuro, como será?.
Se a busca de significados pelo homem é antiga , é também vital. É ela que nos permite afirmar como o General, personagem do filme A Festa de Babete :”Neste nosso belo mundo, nada é impossível.”
O futuro não está mais onde nos acostumamos a vê-lo dentro de uma perspectiva de tempo linear construída nos moldes do paradigma newtoniano-cartesiano. Ele não está a nossa frente. Dentro de uma visão quântica, holística, de tempo circular, criamos o fuutro pelas nossas ações no presente. E por nossos pensamentos. E por nossa linguagem. O futuro está dentro de nós, dorme em nosso seio como preciosas sementes que precisam ser despertadas, regadas e cuidadas com carinho para que cresçam vigorosas e fortes.
Não podemos mais ficar passivos, sentados, esperando que a revolução da consciência passe à nossa porta, elevando alto as suas bandeiras e ruflando os seus tambores. Essa revolução já começou, já está em curso, e é uma revolução silenciosa. O ruflo dos tambores são as batidas dos nossos corações e o seu estandarte tremulante é o vento que sopra nos nossos cabelos, nos trazendo a resposta que, como dizia o poeta Bob Dylan, “... is blowing in the wind”. É preciso apenas ter ouvidos para escutar e mãos para construir.
É preciso deixar que flua úmida e quente a seiva da paixão, que lategem e pulsem as veias rubras da emoção. É preciso lembrar que os sistemas que negam a paixão e a emoção, descaracterizando-as por não serem científicas, rapidamente criarão esquemas policiais para reprimí-las e, finalmente, destruí-las. Se permitirmos isso, nos transformaremos em uma sociedade de autômatos.
Precisamos reinventar o mundo, ou melhor, reinventar nossa forma de vê-lo, de entendê-lo, de senti-lo. Usar o cérebro na sua totalidade, o hemisfério esquerdo para Saber e o hemisfério direito para o Ser, e ambos juntos para Compreender. É não aceitar mestres nem gurus, especialmente aqueles que nos mandam olhar para as estrelas para meter a mão em nosso bolso. É ouvir o mestre interno que existe em todos nós, que se fará audível quando nos conectarmos com a nossa dimensão cósmica. É preciso entender que todos os caminhos são válidos, quando percorridos com amor.
É preciso entender que a busca da igualdade é uma utopia negativa porque pressupõe o fim da história e estabelece limites aos desejos humanos. É preciso perceber que as pessoas que pensam diferente de nós não são melhores nem piores do que nós, nem estão certas ou erradas em relação a nós : pensam diferente de nós, apenas isso. E é preciso lembrar que quando todos pensam da mesma maneira, é sinal de que ninguém está pensando muito.
É preciso começar a ser razoável e a desejar a utopia. Nós somos do tamanho dos nossos sonhos. Quanto mais alto sonharmos, mais alto chegaremos. E, para nossa alegria, os governos ainda não conseguiram taxar o sonho. Aproveitemos.
Como dizia John Lennon, cujo pensamento e exemplo de vida retratam a tortura e a glória de toda uma geração, “você até pode dizer que eu sou um sonhador, mas eu não sou o único”. E, como John, podemos acreditar que o sonho é possível. Que é possível um mundo sem países. Sem governantes nem papas, sem céu nem inferno. Um mundo formado pela associação livre dos homens e mulheres de boa vontade.
Só sendo homens e mulheres, unidos acima das fronteiras, poderemos reorganizar o caos e fazer, dele, nascer o cosmo.
E, por falar em cosmo, deixo-os com a frase da semana.
“Descobrir a gota ocasional de verdade no meio de um grande oceano de confusão e mistificação requer vigilância, dedicação e coragem. Mas, se não praticarmos esses hábitos rigorosos de pensar, não podemos ter a esperança de solucionar os problemas verdadeiramente sérios com que nos defrontamos - e nos arriscamos a nos tornar uma nação de patetas, um mundo de patetas, prontos para sermos passados para trás pelo primeiro charlatão que cruzar o nosso caminho”. (Carl Sagan)
Que seus dias sejam frutíferos.
Beijos fraternos, Aninha, fada peregrina

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