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Previsão do Tempo

Valmir de França

Ciência em Foco

Atualizado em 31/08/2010 

A NAVE ESPACIAL JAPONESA

SE APROXIMA DO PLANETA VÊNUS

Valmir de França*

 

A nave espacial japonês "AKATSUKI" está se aproximando do planeta Vênus em uma missão que, segundo os astrônomos, poderá nos ensinar muito sobre o nosso próprio planeta Terra.

 

Durante os próximos meses, Vênus exibirá um brilho suave no céu escuro do início da noite na direção do Oeste. Sem dúvida, esta é uma atração para quem gosta de olhar para o céu e descobrir outros pontos luminosos que não “piscam” como as estrelas – são os planetas – e logo abaixo do Vênus, em direção à linha do horizonte veremos o planeta Marte, com a sua notável coloração vermelho e bem perto ao horizonte, por volta das 19 horas, um ponto bem amarelado, característica do planeta Saturno.

A comparação entre o brilho firme de um planeta e o cintilar constante de uma estrela poderá ser observada neste céu do anoitecer desviando o olhar em direção ao nordeste e verá uma estrela bem brilhante – é a estrela Arturo, “α” da constelação do Boieiro, no céu setentrional. A designação “α” em uma estrela de uma constelação que significa, aparentemente, a estrela mais brilhante deste conjunto de estrelas.    

Simulação computacional de um planetário, com céu no início da noite, às 19 horas, nas coordenadas geográficas correspondentes da Praça Coronel amazonas em União da Vitória, Estado do Paraná. São visíveis os planetas Vênus, Marte e Saturno. Destaque para a estrela Arturo “α” da Constelação do Boieiro.

 

A superfície venusiana é quente, em torno dos 500 oC, o suficiente para derreter chumbo. Na sua atmosfera, 96% é composta de CO2 (Dióxido de Carbono), é bem densa e está cheia de vapor com ácido sulfúrico e nuvens corrosivas flutuando sobre ele. A superfície é um terreno inóspito, marcado por crateras e caldeiras vulcânicas.

A missão espacial japonesa é denominada Projeto Orbitador Climático Venusiano Climate Orbiter. A nave espacial se aproxima Vênus e entrará em órbita no dia 7 de dezembro de 2010. Os estudos previstos neste planeta vizinho poderão reunir informações que certamente nos ensinará muita coisa sobre o nosso planeta Terra.

Vênus é semelhante ao planeta Terra em muitas coisas: tem aproximadamente a mesma massa; está localizada quase à mesma distância do Sol; e é composto pelos mesmos elementos básicos. E, apesar de que, os dois mundos acabaram sendo muito diferentes, torna-se necessário saber por quê?

Apesar de um pequeno exército de naves espaciais soviéticas e americanas visitaram Vênus desde 1961, ninguém sabe ainda como ele se tornou o "gêmeo malvado" da Terra. Sofreu um caso agudo do aquecimento global descontrolado ou foi um caso contrário? Os cientistas japoneses da missão dizem quando a nave AKATSUKI chegar a Vênus, em dezembro, começará resolver alguns mistérios ocultos sob a espessa atmosfera venusiana.

Ao comparar a meteorologia singular de Vênus com a da Terra aprenderemos mais sobre os princípios universais da meteorologia e isto nos permitirá melhorar os modelos climáticos empregados para as previsões meteorológicas e demais cenários futuros para o nosso planeta.

Uma característica particularmente enigmática é o "super-rotação" de Vênus. Ventos furiosos impulsionam as tormentas e nuvens de ácido sulfúrico da atmosfera em uma violenta tempestade que circula em torno de Vênus à velocidade de 350 quilômetros por hora, 60 vezes mais rápido que a rotação do planeta. É como se a atmosfera estivesse em um movimento perpétuo, como se fosse uma criatura viva, dizem os astrônomos japoneses da missão espacial.

Outros mistérios aguardam solução nesta caldeira turbulenta. Qual é a origem da cobertura de nuvens de ácido sulfúrico aproximadamente 20 quilômetros de espessura que cobrem o planeta? E como é que os relâmpagos venusianos podem atravessar essa complexa mistura?

As nuvens ácidas de Vênus, fotografadas pela nave espacial Venus Express, da ESA (Agencia Espacial Européia).

 

A AKATSUKI, com suas câmeras de alta resolução, girará no plano equatorial do planeta exótico em uma órbita elíptica, pelo menos durante dois anos de monitoramento da atmosfera em altitudes diferentes e utilizando diferentes bandas espectrais (IR, UV e visível). Com esta informação e dados adicionais fornecidos pela antena de rádio da nave espacial, os cientistas construirão um modelo tridimensional da estrutura e da dinâmica da atmosfera venusiana.

A órbita da nave espacial seguirá a circulação das nuvens de Vênus, permitindo desta maneira que os instrumentos monitorem o movimento das nuvens diretamente acima das nuvens durante 20 horas contínuas de cada vez. As imagens serão reunidas para produzir um filme em câmara rápida, muito parecido com aqueles utilizados para a previsão do tempo apresentados na TV.

Concepção artística da nave Akatsuki chegando a Vênus. Crédito da imagem: Akihiro Ikeshita.

 

Os instrumentos também analisarão a superfície do planeta procurando atividades vulcânicas que poderiam estar contribuindo com o teor de enxofre da atmosfera. Se qualquer um dos vulcões de Vênus está emanando lava incandescente, uma das câmeras do sensor infravermelho detectará a emissão térmica.

Portanto, a Câmara de Relâmpagos e Resplendor Aéreo da AKATSUKI (Lightning and Airglow Camera) procurará relâmpagos para responder a uma discussão que tem já algum tempo: Na Terra, a teoria padrão relacionada com os relâmpagos diz que é necessário a presença de partículas de gelo e de água sobre as quais se induzem pequenas cargas positivas ou negativas através de colisões, explicam os cientistas da Missão. Porém, não há partículas de gelo na quente e seca atmosfera de Vênus – então, como são originados os relâmpagos venusianos? Poderia ser que a separação da carga elétrica produza nas nuvens de ácido sulfúrico, ou, existiria alguma classe de partículas sólidas desconhecidas na atmosfera que tenha um papel muito importante neste processo, afirmaram os cientistas da Akatsuki.

Fonte: Noticias Ciencia de La NASA (Agosto de 2010).

Informações sobre o misterioso planeta Vênus poderão ser acessadas no ‘link” abaixo:

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