I – Os algoritmos

I – Os algoritmos

6 de julho de 2018 // 0 Comments

Tendo a linguagem chegado ao ápice da exatidão por meio dos algoritmos não havia mais lugar para o erro. Assim o teatro logrou êxito com o espetáculo do equívoco onde os atores tentavam de todas as formas errar. A primeira estratégia foi marcar a apresentação para sábado e só aparecer domingo. Quem foi enganado não voltaria. Mas havia os insistentes. Logo o público compreendeu que a última hora em que a peça ocorreria seria na anunciada, de modo que era preciso ficar vigilante. [...]

(anti)Antilógica

16 de junho de 2018 // 0 Comments

Tomei de Freud o lucro secundário da doença no ônus obtido pela fé para designar uma operação cujo resultado previsível só pode recair no prejuízo e que ainda assim é praticada, mas repare, não pela via do prazer, pelo contrário, pela categoria do gozo, cuja crença precipita um desejo projetado no outro, que é seu objeto de sadismo. São delírios de massa e são constituídos de paixões intensas. Ainda que sejam apresentados vários elementos contraditórios, a persistência da [...]

A tara da farda

31 de maio de 2018 // 0 Comments

Se é verdade que a demanda revela algo do desejo podemos reconstruir do imaginário popular seu objeto: ele veste farda e espanca alguém. Aqui as pulsões sadomasoquistas abrem duas possibilidades, embora sejam como superfícies topológicas de um lado só. A pulsão sádica pode se satisfazer assistindo a um espancamento, enquanto a masoquista goza sendo o objeto da agressão. Só que na dialética do desejo opera a fantasia, embaralhando as coisas, de modo justamente a não permitir, de [...]

Real____ Linguagem

25 de maio de 2018 // 0 Comments

A linguagem não constitui somente uma ferramenta pela qual construímos operações, capazes de reversão, em alguns casos. Ela estrutura a realidade (não o real) de modo que todas as categorias, do cardinal ao ordinal, da nomeação ao reconhecimento, são perpassadas pela imagem e pela nomeação. Ela oferece à comunicação a comunidade, e encontramos a mais antiga raiz disso na função totêmica cujo símbolo representa a unificação de um grupo. Mas nada é tudo. Há quem defenda que [...]

A merda e o aparelho psíquico

11 de maio de 2018 // 0 Comments

Grandes bosta é uma expressão cotidiana muito utilizada. Útil, diria um amante dela. Perde porém expressividade se mal comparada à eloquente vá cagar no mato, infelizmente em desuso. Onde há merda, há amor. O fato de haver tantos representantes do ofício leva a multidão ao delírio. Merda é vida. Pulsa. É massa de modelar. Discurso material. O desejo de falar merda só é comparável ao de fazer, mais comum nos homens, dizem as mulheres, que não cagam, dizem os homens, quando são [...]

Breve ensaio sobre a função mítica do Estado de Natureza no discurso jurídico

4 de maio de 2018 // 0 Comments

Vamos supor que o Estado de Direito tenha surgido como uma sofisticação humana e que seria em seu princípio uma resposta ao estado natural, onde hipoteticamente reinasse a barbárie, e portanto, a lei do mais forte. Este mito fundaria as razões pelas quais o Estado de Direito se faz necessário à ordem social: o contrato que garante o mínimo de regras capazes de mediar os conflitos, e portanto, buscar igualdade entre os mais fracos e mais fortes, pois nele, todos deveriam submeter-se às [...]

Fuga para a realidade

20 de abril de 2018 // 0 Comments

Há poucos anos eram comuns expressões que indicavam um inchaço do imaginário cuja referência à exposição e à autoimagem eram pontos essenciais naquilo que costumeiramente foram chamadas neuroses narcísicas, e que, consistiam fundamentalmente num gozo autista, apartado da crítica do outro, mesmo visando-o como inimigo, concorrente ou rival. É este tipo de neurose atual que tanto se fez presente na liquidez das relações e num tipo de discurso, entendido como o que faz laço social, [...]

Repetição freudiana em ditos de auditório

6 de abril de 2018 // 0 Comments

O rock foi um signo, uma senha, bastava que se a invocasse e, se não brotasse amizade, no mínimo uma simpatia. Como um totem que representava uma aliança, sentiam-se parte de um mesmo conjunto aqueles que se identificavam a ele. Atualmente é difícil saber o que este signo representaria. Convenhamos que a abertura nunca foi seu forte. Antes a coesão ao pertencimento servia de meio à própria coesão. Contudo, a liberdade sempre foi sua bandeira mais significativa: liberdade ainda que [...]

Antitexto

23 de março de 2018 // 0 Comments

É pelos ouvidos, que são furos, ou não, tanto faz, que ondas, não obstante à óbice, o fato é falado e, nesse caso, som sem limite, no entanto, sem chegar a ponto de partida algum, como queira, sem início e sem fim, sem finalidade ou final, sem significado que o amarre ou rima, sem poesia nem prosa, sem comprovação ou teste, corta enquanto ocorre (a paradoxal capacidade de entendimento é um olho entreaberto de um amante), pouco importa quem do par amante/amado, a vós, avós, a voz [...]

O Excedente

21 de março de 2018 // 0 Comments

O excedente é matemático, não se pode negá-lo. Em Psicanálise chamamos a isso de gozo: justamente este a mais que está além do princípio do prazer, em termos freudianos. O circuito do prazer encontra seu paradoxo e justificação, portanto, nesse campo excedente, só que em prejuízo. O lucro, então, é localizado pelo sujeito no Outro, e isto constitui, em geral, o fundamento da fantasia neurótica: a de que o Outro goza dele, sujeito. A miséria e o sofrimento são assim [...]
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