Admoestação aos psicólogos censores.

Admoestação aos psicólogos censores.

11 de outubro de 2017 // 0 Comments

Não há, na formação do psicólogo, absolutamente nada que o autorize a agir como polícia ou padre. Faço esta afirmação no intuito de zelar pela profissão, na medida em que eu mesmo já ajudei na formação deles. Naturalmente, constato que fracassei em muitos casos. É inadmissível que psicólogos propaguem discursos de ódio, que façam palanque em nome da moral. Ora, na verdade, isto é vedado a eles, no exercício da profissão, conforme o código de ética: “I. O psicólogo [...]

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30 de setembro de 2017 // 0 Comments

Em chinês 1 se escreve assim. Isso não é pouco, tratando-se de escrita, tanto porque, se é uma, alguém a escreveu. Para passar ao um é necessário contá-lo como tal, um 1, o que, obviamente, dá dois, isto é, não se trata somente de traço. Descartes, em seu cogito, escande isso, justamente onde é. Penso logo: sou. Escreve Lacan, alterando a pontuação, ao comentá-lo. Ora, esse, logo sou, é um pensamento. O que aí se inaugura no cogito é justamente o campo da ciência, eludindo o [...]

Nota à cura gay (novamente), e aos psicólogos (novamente).

23 de setembro de 2017 // 0 Comments

Conheci muitos psicólogos, e naturalmente, quando o assunto a ser tratado começa a ser discutido vemos surgir muitas diferenças. Isto é bem vindo, saúdo a discussão de ideias. Um aristotélico, há um que não seja? Não pode, no entanto, sucumbir à contradição, eis um princípio de lógica. O Conselho Regional de Psicologia do Paraná, onde era inscrito, divulgou há poucos dias uma nota de repúdio a uma propaganda da loja marisa, onde julgaram tratar-se de um aviltamento da [...]

O terceiro(a)

15 de setembro de 2017 // 0 Comments

xistem casos mais acentuados de ciúmes, isto é algo comumente aceito. É comum, também, a crença de que ele é mais acentuado nas mulheres. É difícil ter certeza sobre isso, uma vez que em homens, os crimes contra a mulher são mais numerosos, e em geral, violentos. Ora, é preciso que, em ambos os casos, atue no agente uma fantasia que guie seu ato. A suposição de um terceiro(a) na relação, tem desdobramentos diversos. Por exemplo, um terceiro que disputa, na corte, a mulher, pode [...]

A estrutura dos discursos

2 de setembro de 2017 // 0 Comments

Saussure definiu o signo linguístico numa escrita, nela o significado está sobre o significante. Há, entre os dois, uma barra. O linguista equivalia, portanto, o significado ao conceito, a ideia que se tem da coisa, enquanto o significante, ele posicionava no lugar da imagem acústica, que são as impressões sonoras da palavra. A imagem acústica é formada, então, por intermédio dos fonemas, que constituem o significante. Mas há, também, os traços diferenciais, aqueles que demarcam a [...]

Texto sem título

25 de agosto de 2017 // 0 Comments

  Hoje não escreverei minha coluna. Tenho um pronto aqui, que retraduzi semana passada, e portanto, pensei eu, publico ou não? Resolvi, por enquanto, não, se é que por enquanto quer dizer alguma coisa. Às vezes sinto que é preciso se posicionar. Não tenho pretensões com isso. Por isso, não publico. O da semana passada, por exemplo, é um texto em palimpsesto, eu gostei daquilo que não disse. É difícil, hoje, aludir a ele. Quando nós odiamos, damos existência a isso, que [...]

O que o discurso de ódio revela do falante

19 de agosto de 2017 // 0 Comments

Nossa constituição psíquica permite que nos identifiquemos com nosso opressor, isto é praxe, o velho testamento não inventou Estocolmo, tampouco hoje, a exploração desse ideal é novidade, ao contrário, não há absolutamente nada de novo quando a porteira é aberta. Ao invocar os fantasmas, Freud dizia, seria covarde esconder-se. Mas invocá-los para desabrigá-los, com fins exclusivos na máxima ‘dividir para conquistar’ tem consequências mortíferas. Ninguém instala a [...]

Sublimação e metáfora

11 de agosto de 2017 // 0 Comments

A noção de sublimação, tal como a concebo, ultrapassa a de metáfora, e abre um caminho para além do gozo fálico, porquanto este é determinado pela ordem da significação, da metáfora paterna. Uma metáfora, qual seja, responde a uma troca no campo discursivo de um elemento no lugar de outro. Ora, no Édipo, lido por Lacan, a metáfora paterna é uma operação que estabelece, frente ao enigma do desejo do Outro (mãe), uma significação fálica: primeiro a criança é o falo faltante [...]

Sublimação e idealização

29 de julho de 2017 // 0 Comments

A sublimação recebe definições imprecisas. Ela não pode ser uma dessexualização da pulsão, tampouco do objeto. Uma pulsão não pode ser dessexualizada. Um objeto, contudo, pode, mas nesse caso, o termo mais adequado é idealização. Um objeto pode ser revestido via uma identificação com um traço particular do ideal do eu, e portanto, assumir seu lugar. Isto se amplia nos esquemas freudianos até os sentimentos de medo da perda do amor do objeto amado, bem como a obediência cega, o [...]

O filme A Chegada e o chinês.

14 de julho de 2017 // 0 Comments

O filme A Chegada explora a invasão extraterrestre na paranoia norteamericana de sempre. Só que nele, a linguagem passa ao primeiro plano, e ficamos o tempo todo com aquela sensação de verossimilhança em suspenso, muito embora o muro da linguagem comece a se inscrever numa superfície (mesmo na ficção ela é necessária), e as metáforas e analogias procurem, isso é muito curioso, alfabetizar os ets, não podemos deixar de notar que o procedimento se assemelha um pouco ao adotado de [...]
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