Sublimação e metáfora

Sublimação e metáfora

11 de agosto de 2017 // 0 Comments

A noção de sublimação, tal como a concebo, ultrapassa a de metáfora, e abre um caminho para além do gozo fálico, porquanto este é determinado pela ordem da significação, da metáfora paterna. Uma metáfora, qual seja, responde a uma troca no campo discursivo de um elemento no lugar de outro. Ora, no Édipo, lido por Lacan, a metáfora paterna é uma operação que estabelece, frente ao enigma do desejo do Outro (mãe), uma significação fálica: primeiro a criança é o falo faltante [...]

Sublimação e idealização

29 de julho de 2017 // 0 Comments

A sublimação recebe definições imprecisas. Ela não pode ser uma dessexualização da pulsão, tampouco do objeto. Uma pulsão não pode ser dessexualizada. Um objeto, contudo, pode, mas nesse caso, o termo mais adequado é idealização. Um objeto pode ser revestido via uma identificação com um traço particular do ideal do eu, e portanto, assumir seu lugar. Isto se amplia nos esquemas freudianos até os sentimentos de medo da perda do amor do objeto amado, bem como a obediência cega, o [...]

O filme A Chegada e o chinês.

14 de julho de 2017 // 0 Comments

O filme A Chegada explora a invasão extraterrestre na paranoia norteamericana de sempre. Só que nele, a linguagem passa ao primeiro plano, e ficamos o tempo todo com aquela sensação de verossimilhança em suspenso, muito embora o muro da linguagem comece a se inscrever numa superfície (mesmo na ficção ela é necessária), e as metáforas e analogias procurem, isso é muito curioso, alfabetizar os ets, não podemos deixar de notar que o procedimento se assemelha um pouco ao adotado de [...]

Porque Psicanálise

30 de junho de 2017 // 0 Comments

O fato é que aqueles olhares de gozação aos cochichos à orelha evidentemente o tinham como alvo, de que riam aquelas pessoas? Era impossível não correr ao espelho para tentar notar algo de ridículo na cara, ou então seria no modo como se veste, como anda? Teria dito algo em alguma ocasião que se espalhou por aí? Não que me lembre. Feito? Quem sabe. Era uma terra estrangeira. Você podia compreender muito bem o que eles faziam dia a dia, se reuniam, se divertiam, te cumprimentavam, [...]

A clínica do clichê

23 de junho de 2017 // 0 Comments

A clínica deve manter a necessária distância do clichê. Ouvíamos que isto marca uma diferença do senso comum, lá atrás, de nossos professores, e depois, quando os testemunhos tornaram-se públicos, publicados, das pessoas que submeteram-se, por assim dizer, a um tratamento psicológico. O clichê, as frases prontas, o estereótipo, o cachimbo, o olhar compenetrado, todos os elementos que o psicólogo em formação imagina serem atributos, infelizmente, são vestidos posteriormente, e [...]

Um erro epistemológico da psicologia científica

16 de junho de 2017 // 0 Comments

A suposição de duas realidades distintas é bastante cara. A psicologia resolveu-se como ciência quando articulou esse tal mundo interno, mesmo Freud acabou por reforçar esta tese. Nós estaríamos, então, situados entre duas realidades: uma externa, o mundo, e outra interna, nosso campo inobservável ao outro. A primeira consequência disso é que ao outro é negado, ou atribuído elementos pertencentes ao sujeito. Assim, por exemplo, a teoria sexual infantil que diz ao menino que todos [...]

Estabilidade

16 de junho de 2017 // 0 Comments

Em um futuro não muito distante, o Reino da Banânia será citado como “O lugar em que tudo era feito pela estabilidade”. Aqui funciona assim: Gilmar Mendes julgou pela responsabilidade do judiciário, e não pela gravidade dos fatos. Ele e sua turma ignoraram as provas da ilegalidade da chapa Dilma- Temer pela estabilidade política. A fragilidade dos argumentos foi o contraponto perante provas massacrantes. Foi um julgamento político, mas justificado pela estabilidade do país. Não [...]

Funções contar e nomear

9 de junho de 2017 // 0 Comments

Wallon foi um psicólogo francês que se ocupou do desenvolvimento humano. Lá pelas tantas, em torno do oitavo mês, a criança, ele dizia, reconhece-se no espelho. Este estádio do espelho foi posteriormente apropriado por Lacan para trabalhar a formação do eu, e portanto, responder a uma teoria do narcisismo. Reconhecer-se ao espelho é um indicativo que a ciência utiliza quando pesquisa a consciência em animais: o elefante, os golfinhos, alguns macacos, gozam dessa qualidade. Hegel, [...]

A Um o que é de dois

24 de maio de 2017 // 0 Comments

O simbolismo carrega consigo a história, e não é à toa que o termo inconsciente coletivo, nomeado por Jung, caia tão bem. Há saber nos símbolos, e onde houver seus resquícios, suposto sujeito. A natureza fornece o significante, basta olhar para o céu, cabe ao sujeito interpretá-los. Onde se assenta o litoral do real ao simbólico existe um insabido fundamental, cujo intérprete se interroga, a respeito das origens, dos fins, dele mesmo, enfim; é onde se insere um significante [...]
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