A merda e o aparelho psíquico

A merda e o aparelho psíquico

11 de Maio de 2018 // 0 Comments

Grandes bosta é uma expressão cotidiana muito utilizada. Útil, diria um amante dela. Perde porém expressividade se mal comparada à eloquente vá cagar no mato, infelizmente em desuso. Onde há merda, há amor. O fato de haver tantos representantes do ofício leva a multidão ao delírio. Merda é vida. Pulsa. É massa de modelar. Discurso material. O desejo de falar merda só é comparável ao de fazer, mais comum nos homens, dizem as mulheres, que não cagam, dizem os homens, quando são [...]

Breve ensaio sobre a função mítica do Estado de Natureza no discurso jurídico

4 de Maio de 2018 // 0 Comments

Vamos supor que o Estado de Direito tenha surgido como uma sofisticação humana e que seria em seu princípio uma resposta ao estado natural, onde hipoteticamente reinasse a barbárie, e portanto, a lei do mais forte. Este mito fundaria as razões pelas quais o Estado de Direito se faz necessário à ordem social: o contrato que garante o mínimo de regras capazes de mediar os conflitos, e portanto, buscar igualdade entre os mais fracos e mais fortes, pois nele, todos deveriam submeter-se às [...]

Fuga para a realidade

20 de Abril de 2018 // 0 Comments

Há poucos anos eram comuns expressões que indicavam um inchaço do imaginário cuja referência à exposição e à autoimagem eram pontos essenciais naquilo que costumeiramente foram chamadas neuroses narcísicas, e que, consistiam fundamentalmente num gozo autista, apartado da crítica do outro, mesmo visando-o como inimigo, concorrente ou rival. É este tipo de neurose atual que tanto se fez presente na liquidez das relações e num tipo de discurso, entendido como o que faz laço social, [...]

Repetição freudiana em ditos de auditório

6 de Abril de 2018 // 0 Comments

O rock foi um signo, uma senha, bastava que se a invocasse e, se não brotasse amizade, no mínimo uma simpatia. Como um totem que representava uma aliança, sentiam-se parte de um mesmo conjunto aqueles que se identificavam a ele. Atualmente é difícil saber o que este signo representaria. Convenhamos que a abertura nunca foi seu forte. Antes a coesão ao pertencimento servia de meio à própria coesão. Contudo, a liberdade sempre foi sua bandeira mais significativa: liberdade ainda que [...]

Antitexto

23 de Março de 2018 // 0 Comments

É pelos ouvidos, que são furos, ou não, tanto faz, que ondas, não obstante à óbice, o fato é falado e, nesse caso, som sem limite, no entanto, sem chegar a ponto de partida algum, como queira, sem início e sem fim, sem finalidade ou final, sem significado que o amarre ou rima, sem poesia nem prosa, sem comprovação ou teste, corta enquanto ocorre (a paradoxal capacidade de entendimento é um olho entreaberto de um amante), pouco importa quem do par amante/amado, a vós, avós, a voz [...]

O Excedente

21 de Março de 2018 // 0 Comments

O excedente é matemático, não se pode negá-lo. Em Psicanálise chamamos a isso de gozo: justamente este a mais que está além do princípio do prazer, em termos freudianos. O circuito do prazer encontra seu paradoxo e justificação, portanto, nesse campo excedente, só que em prejuízo. O lucro, então, é localizado pelo sujeito no Outro, e isto constitui, em geral, o fundamento da fantasia neurótica: a de que o Outro goza dele, sujeito. A miséria e o sofrimento são assim [...]

Ensaio a uma sociologia brasileira

23 de Fevereiro de 2018 // 0 Comments

Propõe-se uma categoria, o ônus obtido pela fé, conceito de uma operação que nega a si mesma ao coadunar em alianças que fariam ascender à posição almejada, opondo-se à condição real. Trata-se de servir-se da própria imagem como degrau, negando-a, e assumindo não só uma projeção imaginativa, no modo de representar-se, portar-se, ou nos objetos comercializáveis desejados, mas principalmente replicando o discurso da classe que representa tal posição social. Ao replicar o [...]

Crítica à crítica crítica musical hodierna

9 de Fevereiro de 2018 // 0 Comments

O discurso dá materialidade à realidade e portanto a constitui em termos simbólicos. A repetição procura sustentar no entanto, a insatisfação. É a intransigência da realidade que leva à comodidade da fantasia, e ela ao narcisismo. A nostalgia é prova disso. A música, por exemplo, tem sofrido ataques variados, mas o ponto comum aponta para o passado, em suma, diz que a atualidade do problema seja um problema atual. Isto é falso. Assim como a massificação não é novidade. Talvez o [...]

A realidade tal como é a fantasia

2 de Fevereiro de 2018 // 0 Comments

O nosso amigo Freud ensinou que a percepção é regressiva. Propôs que a realidade, de acordo com Aristóteles, nos chega à percepção através dos sentidos, naturalmente, só que a experiência não é bruta: a própria percepção já é alterada pelo sistema de memória. Isto quer dizer que o mesmo objeto apresentado a dois sujeitos, por exemplo, não será percebido igualmente, mas a partir de um material prévio que servirá à associações de conteúdos já existentes. É em [...]

A liberdade de linguagem na internet

23 de Janeiro de 2018 // 0 Comments

O falante, em geral, pensa que escolhe as palavras com as quais arma seus dizeres, e isto é justificável pela sua intenção. Mas não escolhe. O discurso, o laço social, se dá justamente pela impossibilidade da fala ser plenamente objetiva. Ocorre de fato, entre uma redução artificial a dois termos (sempre há, pelo menos um terceiro, suposto), a intencionalidade e o código, onde se dá o reconhecimento, pelo outro, através da decodificação, da intencionalidade. A tradução do [...]
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