O Excedente

O Excedente

21 de março de 2018 // 0 Comments

O excedente é matemático, não se pode negá-lo. Em Psicanálise chamamos a isso de gozo: justamente este a mais que está além do princípio do prazer, em termos freudianos. O circuito do prazer encontra seu paradoxo e justificação, portanto, nesse campo excedente, só que em prejuízo. O lucro, então, é localizado pelo sujeito no Outro, e isto constitui, em geral, o fundamento da fantasia neurótica: a de que o Outro goza dele, sujeito. A miséria e o sofrimento são assim [...]

Ensaio a uma sociologia brasileira

23 de fevereiro de 2018 // 0 Comments

Propõe-se uma categoria, o ônus obtido pela fé, conceito de uma operação que nega a si mesma ao coadunar em alianças que fariam ascender à posição almejada, opondo-se à condição real. Trata-se de servir-se da própria imagem como degrau, negando-a, e assumindo não só uma projeção imaginativa, no modo de representar-se, portar-se, ou nos objetos comercializáveis desejados, mas principalmente replicando o discurso da classe que representa tal posição social. Ao replicar o [...]

Crítica à crítica crítica musical hodierna

9 de fevereiro de 2018 // 0 Comments

O discurso dá materialidade à realidade e portanto a constitui em termos simbólicos. A repetição procura sustentar no entanto, a insatisfação. É a intransigência da realidade que leva à comodidade da fantasia, e ela ao narcisismo. A nostalgia é prova disso. A música, por exemplo, tem sofrido ataques variados, mas o ponto comum aponta para o passado, em suma, diz que a atualidade do problema seja um problema atual. Isto é falso. Assim como a massificação não é novidade. Talvez o [...]

A realidade tal como é a fantasia

2 de fevereiro de 2018 // 0 Comments

O nosso amigo Freud ensinou que a percepção é regressiva. Propôs que a realidade, de acordo com Aristóteles, nos chega à percepção através dos sentidos, naturalmente, só que a experiência não é bruta: a própria percepção já é alterada pelo sistema de memória. Isto quer dizer que o mesmo objeto apresentado a dois sujeitos, por exemplo, não será percebido igualmente, mas a partir de um material prévio que servirá à associações de conteúdos já existentes. É em [...]

A liberdade de linguagem na internet

23 de janeiro de 2018 // 0 Comments

O falante, em geral, pensa que escolhe as palavras com as quais arma seus dizeres, e isto é justificável pela sua intenção. Mas não escolhe. O discurso, o laço social, se dá justamente pela impossibilidade da fala ser plenamente objetiva. Ocorre de fato, entre uma redução artificial a dois termos (sempre há, pelo menos um terceiro, suposto), a intencionalidade e o código, onde se dá o reconhecimento, pelo outro, através da decodificação, da intencionalidade. A tradução do [...]

Resumo e partida.

24 de novembro de 2017 // 0 Comments

Este é o quinto ano que escrevo aqui. Embora não tenha uma grande memória não me dei ao trabalho de ir conferir o passado. Não faria qualquer diferença. O equívoco é algo que sempre procurei relevar, raramente escrevo em primeira pessoa. Neste ano procurei trabalhar um conceito, o de sublimação, por uma perspectiva que poderia ser nova, me parecia. Considerei que a escrita é uma condição para isso, e procurei demonstrá-la por duas vias: a da fonética, que implica na deriva do [...]

A ciência e a escrita do real

10 de novembro de 2017 // 0 Comments

Há escritas não fonéticas, o chinês e os hieróglifos são exemplos disso. Freud também postulou um tipo de escrita que antecede a fala, uma vez que ela seria uma escrita da pulsão no aparelho psíquico, e que marcaria, portanto, em relação às diferenças de resistência, as possibilidades da memória escrever-se a partir do traço. Nós reencontraremos este tipo de escrita na linguística de Saussure, por exemplo, quando ele dota o signo de três dimensões: significante, significado, [...]

A naturalização do mundo, da lei, do sexo e da política.

27 de outubro de 2017 // 0 Comments

É preciso ser direto. A pobreza não é natural. Ela é o produto da política. Nos últimos dois anos constatamos que a racionalidade pretensa do homem é ditada por efeito de fatores psicológicos, se preferirem dos afetos (se preferirem ainda, da economia). Comprovamos que a realidade não é algo separável do enlace do imaginário com o simbólico, tampouco da representação que o discurso faz dela, posto que a cria, “não há fatos, mas a interpretação deles”. Vimos que a [...]

O golpe parlamentar de 2016 e a ilusão coletiva

20 de outubro de 2017 // 0 Comments

A desilusão é o efeito lógico da queda da ilusão. Quando uma estratégia de poder é armada, como a de 2015, ela precisa se amparar na insatisfação popular, e então, se apresentar como solução. Passado um ano do golpe parlamentar, comprado por Cunha, ainda persiste uma narrativa que procura sustentar a ilusão, tão à vista desde o início, mas cegada pelo ódio. O discurso capaz de fazer laço nessa ocasião, é o mesmo, sua estratégia não mudou, ele se vale de um apelo, toma para [...]

Admoestação aos psicólogos censores.

11 de outubro de 2017 // 1 Comment

Não há, na formação do psicólogo, absolutamente nada que o autorize a agir como polícia ou padre. Faço esta afirmação no intuito de zelar pela profissão, na medida em que eu mesmo já ajudei na formação deles. Naturalmente, constato que fracassei em muitos casos. É inadmissível que psicólogos propaguem discursos de ódio, que façam palanque em nome da moral. Ora, na verdade, isto é vedado a eles, no exercício da profissão, conforme o código de ética: “I. O psicólogo [...]
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