A realidade tal como é a fantasia

A realidade tal como é a fantasia

2 de fevereiro de 2018 // 0 Comments

O nosso amigo Freud ensinou que a percepção é regressiva. Propôs que a realidade, de acordo com Aristóteles, nos chega à percepção através dos sentidos, naturalmente, só que a experiência não é bruta: a própria percepção já é alterada pelo sistema de memória. Isto quer dizer que o mesmo objeto apresentado a dois sujeitos, por exemplo, não será percebido igualmente, mas a partir de um material prévio que servirá à associações de conteúdos já existentes. É em [...]

A liberdade de linguagem na internet

23 de janeiro de 2018 // 0 Comments

O falante, em geral, pensa que escolhe as palavras com as quais arma seus dizeres, e isto é justificável pela sua intenção. Mas não escolhe. O discurso, o laço social, se dá justamente pela impossibilidade da fala ser plenamente objetiva. Ocorre de fato, entre uma redução artificial a dois termos (sempre há, pelo menos um terceiro, suposto), a intencionalidade e o código, onde se dá o reconhecimento, pelo outro, através da decodificação, da intencionalidade. A tradução do [...]

Resumo e partida.

24 de novembro de 2017 // 0 Comments

Este é o quinto ano que escrevo aqui. Embora não tenha uma grande memória não me dei ao trabalho de ir conferir o passado. Não faria qualquer diferença. O equívoco é algo que sempre procurei relevar, raramente escrevo em primeira pessoa. Neste ano procurei trabalhar um conceito, o de sublimação, por uma perspectiva que poderia ser nova, me parecia. Considerei que a escrita é uma condição para isso, e procurei demonstrá-la por duas vias: a da fonética, que implica na deriva do [...]

A ciência e a escrita do real

10 de novembro de 2017 // 0 Comments

Há escritas não fonéticas, o chinês e os hieróglifos são exemplos disso. Freud também postulou um tipo de escrita que antecede a fala, uma vez que ela seria uma escrita da pulsão no aparelho psíquico, e que marcaria, portanto, em relação às diferenças de resistência, as possibilidades da memória escrever-se a partir do traço. Nós reencontraremos este tipo de escrita na linguística de Saussure, por exemplo, quando ele dota o signo de três dimensões: significante, significado, [...]

A naturalização do mundo, da lei, do sexo e da política.

27 de outubro de 2017 // 0 Comments

É preciso ser direto. A pobreza não é natural. Ela é o produto da política. Nos últimos dois anos constatamos que a racionalidade pretensa do homem é ditada por efeito de fatores psicológicos, se preferirem dos afetos (se preferirem ainda, da economia). Comprovamos que a realidade não é algo separável do enlace do imaginário com o simbólico, tampouco da representação que o discurso faz dela, posto que a cria, “não há fatos, mas a interpretação deles”. Vimos que a [...]

O golpe parlamentar de 2016 e a ilusão coletiva

20 de outubro de 2017 // 0 Comments

A desilusão é o efeito lógico da queda da ilusão. Quando uma estratégia de poder é armada, como a de 2015, ela precisa se amparar na insatisfação popular, e então, se apresentar como solução. Passado um ano do golpe parlamentar, comprado por Cunha, ainda persiste uma narrativa que procura sustentar a ilusão, tão à vista desde o início, mas cegada pelo ódio. O discurso capaz de fazer laço nessa ocasião, é o mesmo, sua estratégia não mudou, ele se vale de um apelo, toma para [...]

Admoestação aos psicólogos censores.

11 de outubro de 2017 // 1 Comment

Não há, na formação do psicólogo, absolutamente nada que o autorize a agir como polícia ou padre. Faço esta afirmação no intuito de zelar pela profissão, na medida em que eu mesmo já ajudei na formação deles. Naturalmente, constato que fracassei em muitos casos. É inadmissível que psicólogos propaguem discursos de ódio, que façam palanque em nome da moral. Ora, na verdade, isto é vedado a eles, no exercício da profissão, conforme o código de ética: “I. O psicólogo [...]

__

30 de setembro de 2017 // 0 Comments

Em chinês 1 se escreve assim. Isso não é pouco, tratando-se de escrita, tanto porque, se é uma, alguém a escreveu. Para passar ao um é necessário contá-lo como tal, um 1, o que, obviamente, dá dois, isto é, não se trata somente de traço. Descartes, em seu cogito, escande isso, justamente onde é. Penso logo: sou. Escreve Lacan, alterando a pontuação, ao comentá-lo. Ora, esse, logo sou, é um pensamento. O que aí se inaugura no cogito é justamente o campo da ciência, eludindo o [...]

Nota à cura gay (novamente), e aos psicólogos (novamente).

23 de setembro de 2017 // 0 Comments

Conheci muitos psicólogos, e naturalmente, quando o assunto a ser tratado começa a ser discutido vemos surgir muitas diferenças. Isto é bem vindo, saúdo a discussão de ideias. Um aristotélico, há um que não seja? Não pode, no entanto, sucumbir à contradição, eis um princípio de lógica. O Conselho Regional de Psicologia do Paraná, onde era inscrito, divulgou há poucos dias uma nota de repúdio a uma propaganda da loja marisa, onde julgaram tratar-se de um aviltamento da [...]

O terceiro(a)

15 de setembro de 2017 // 0 Comments

xistem casos mais acentuados de ciúmes, isto é algo comumente aceito. É comum, também, a crença de que ele é mais acentuado nas mulheres. É difícil ter certeza sobre isso, uma vez que em homens, os crimes contra a mulher são mais numerosos, e em geral, violentos. Ora, é preciso que, em ambos os casos, atue no agente uma fantasia que guie seu ato. A suposição de um terceiro(a) na relação, tem desdobramentos diversos. Por exemplo, um terceiro que disputa, na corte, a mulher, pode [...]
1 2 3 4 5 13
Carregando...