A Arte e o Meio Ambiente

A arte impulsiona os processos de percepção, sensibilidade, cognição, expressão e criação. Tem o poder de sensibilizar e proporcionar uma experiencia estética, transmitindo emoções ou ideais. A arte surge da necessidade de observar o meio que nos cerca, reconhecendo suas formas, luzes e cores, harmonia e desequilíbrio. Ela pode propagar e questionar estilos de vida, preparar uma nova consciência através da sensibilização, alertando e gerando reflexões. As manifestações artísticas são representações ou contestações oriundas das diversas culturas, a partir do que as sociedades, em cada época, vivem e pensam.
Nesse contexto, podemos inserir a importância da arte como mais uma ferramenta do ativismo ambiental. Ao confrontar o público com informações desagradáveis, muitas vezes difíceis de serem digeridas (como as mudanças climáticas), convergidas em uma experiência estética, a sensibilização ultrapassa a barreira do racional e realmente toca as pessoas. É mais fácil ignorar estatísticas do que ignorar imagens e sensações. Quando a arte representa a relação perturbada da sociedade com a natureza, fica explícita a urgência de ação.
As mudanças ambientais já são há muito tempo objetos da arte. Monet, no impressionismo, pintava a fumaça negra das chaminés das fábricas, mostrando a fumaça de carvão cuspida pelas chaminés e trens na cidade.
Em um contexto contemporâneo, o movimento de arte ambiental surgiu como inspiração dos artistas pela nova compreensão das questões ambientais, a grande urbanização e a ameaçadora perda de contato do homem com a natureza, bem como pelo desejo de trabalhar ao ar livre em espaços não tradicionais. Reverenciar a beleza da natureza, mesmo que pareça sem maiores preocupações ideológicas, também é um processo que reforça a necessidade de ações de preservação do meio ambiente. “Arte ambiental” é um termo genérico que se refere a uma ampla gama de trabalho que ajuda a melhorar a nossa relação com o mundo natural. Seja informando sobre as forças ambientais, ou demonstrando problemas ambientais, e até com uma participação mais ativa, reaproveitando materiais e restaurando a vegetação local. Muitas práticas artísticas, como a land art, eco-arte, e arte na natureza, bem como os desenvolvimentos relacionados em prática social, ecologia acústica, slow food, slow fashion, eco-design, bio-art e outros podem ser considerados como parte desta mudança cultural maior.
Um artista que segue essa perspectiva é o brasileiro Vik Muniz, que cria diversas obras utilizando lixo. O documentário “Lixo Extraordinário” mostra o trabalho do artista e apresenta seu processo criativo e sua relação com uma comunidade próxima de um aterro sanitário do Rio de Janeiro.

Outro artista muito importante no cenário brasileiro é Frans Krajcberg. Uma marca de sua obra são esculturas com árvores calcinadas, que são recolhidas de locais que sofreram com queimadas e desmatamento. A obra denuncia a violência do homem com a natureza e tem forte caráter ativista.

Fonte: http://www.ecycle.com.br

Eliziane Schaefer Buch – elizianebuch@gmail.com Licenciada em Artes Visuais pela UNC, pós-graduada em Metodologia da Ação Docente pela UNIUV, e Arteterapia pela Censupeg, bacharel em Ciências Econômicas pela FAE (Curitiba). Membro da Academia de Cultura Precursora da Expressão (ACUPRE), Associação dos Artistas Plásticos Amadeu Bona. Professora de Arte da SEED Paraná.

Leave a comment

Your email address will not be published.


*


Carregando...