A conveniência da insanidade

 

Sempre é mais interessante concordar com o tolo do que desafia-lo. Nos últimos seis anos acreditava que tinha visto minha cota de loucura desenfreada assistindo às seis temporadas de American Horror Story. O horror-drama criado por Ryan Murphy e Brad Falchuk ultrapassa qualquer tentativa de lógica e de sanidade. Em uma mixórdia efervescente, topamos com o delírio humano, seres diabólicos, mortos que se recusam a aceitar que estão mortos, maníacos de todas as espécies e a ignorância latejante dos homens.

Há outros aditivos complementares: o elenco é praticamente o mesmo desde 2011 quando lançaram a primeira temporada. Cada uma das fases exibidas até agora são atemporais, independentes, com enredos distintos, mas acabam interligadas. Não há como não ficar surpreso que algo acontecido há mais de uma centena de anos esteja tão vivo nos dias atuais – e tão cheio de fúria.

Há um frenesi na WEB em torno da sétima temporada de AHS que deve ir ao ar pelo FX ainda este ano. Com o título Cult, pode-se ter noção através dos teasers postados pela produção que vem aí mais uma singularidade de levantar os pés no sofá.

Só que o ser humano parece querer sempre algo mais em seus desatinos. Lançado em junho pelo Netflix, o seriado Twin Peaks 2017 não só encarou AHS de frente como extrapolou na maluquice. A primeira exibição na TV foi no início dos anos 90. O assassinato de uma jovem em uma cidade do interior dos EUA acabou revelando uma série de fatores que fazem daquele pedaço de terra um dos lugares mais absurdos do planeta. A partir dai, fixaram na mente de todos o enigma maior. Quantas vezes fomos para a cama – falo de quem assistiu a série em 1990 – triturando a sublime dúvida: quem matou Laura Palmer?

Começava com uma pergunta que nunca foi respondida: por que o assassinato de uma adolescente em uma cidadezinha no fim do mundo deveria ser investigado por um agente do FBI? Esse é o teor que também conduz a temporada de 2017. Só que desta vez os criadores David Lynch (que também atua na trama) e Mark Frost nos levam para duas, e não mais uma dimensão paralela.

Para engrossar o caldo: O agente do FBI Dale Cooper, vivido por Kyle Maclachlan, tem um Doppelgänger vagando por entre a nossa e outras dimensões, fazendo uma espécie de justiça obscura que talvez nem ele mesmo compreenda. As explicações parecem distantes, principalmente quando Cooper aparece no Red Room e ali encontra Laura Palmer mais velha e com dificuldades para falar e de manter os olhos abertos – alguns atores são os mesmos de 1990, totalizando 223 personagens! Confuso, Cooper pergunta se ela não está morta. A resposta é a cara do enredo. Após uma breve concentração ela responde “Estou morta, mas ainda estou viva”.

Quase sem querer, você percebe que tudo isto tem ligação com as experiências termonucleares dos americanos no deserto de Nevada nos anos 40 e 50. Piração completada, Dr. Engels? Agora deixo o resto para você. Isso se tiver coragem e uma boa dose de doideira. Para tentar seguir a loucura é preciso ser insano. Se você já vem acompanhando a trama, meus parabéns. É mais um no clube da maluquice que terá uma segunda temporada em breve.

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Pensei muito em como escrever sobre o Geddel, e justamente por isso não vou conseguir transferir em palavras o que minha mente derrubada raciocinou. Mas vamos pelas beiradas: as R$ 40 milhas em reais e as dez em dólares encontrados no apê emprestado para o nobre político guardar pertences de seu pai falecido não são o fim do mundo. Isso é apenas uma pontinha do escárnio praticado pela classe dos mandatários desta pocilga que “lutam pelo povo”.

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Já o depoimento do Palocci sacudiu a politicagem principalmente por ser o primeiro petista a chutar o balde e falar o que já sabíamos. Nas imagens do depoimento, fixei minha atenção em dois pontos: o áudio e a cara do advogado de Lula. Foi impagável.

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Tão interessante ainda foram as gravações do pelegão Joesley. Se achava intocável por ser amigo do rei, esculachou com a república, faturou alto com isso e tinha certeza que era genial. Mas como li em um texto, não contava que era mais um otário usado pelo sistema. Geralmente é assim: os malandros acham que todos são malandros. Mas um dia acaba achando um malandro que o leva para sua realidade otária.

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Joesley – me desculpem os humanistas, mas isso é nome que se apresente? – é um criminoso corrupto que deveria estar na cadeia há muito tempo. Só mesmo no Brasil do povinho bovino para isto ainda não ter acontecido.

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Indiciamento da cúpula do PT (os arautos da ética e da moralidade) nem causa mais efeito no Zé Povo. A novelinha tá mais emocionante. Os pobres coitados só reclamam mesmo do supermercado – isso quando a pinga ou o espumante não estão em promoção.

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No final, a mesma merda de sempre. Todos se declaram inocentes, não sabem de nada e tudo não passa de uma conspiração para denegrir a imagem de quem é honesto e correto. Imagine o inferno dessa corja. Vão passar a eternidade dizendo para o capeta que é tudo mentira. Justamente para o pai dela.

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