A cooperação bolivariana e os seus resquícios

A legislação brasileira é extremamente falha ao permitir que o STF e o STJ tenham dentro de seus quadros indivíduos indicados pelo presidente da república. A votação ocorrida no último dia 2/8/2017 no congresso nacional, pela admissão ou não do parecer da comissão de constituição e justiça, que estava em debate no congresso nacional há quarenta dias, é mais uma demonstração de que não somos uma democracia plena.
Temer usou de todos os meios de que possui o presidente da república, para fazer com que o congresso nacional ficasse de joelhos perante o executivo, não foi diferente nos anos de PT e Fernando Henrique no poder.
Ao mesmo tempo, ao longo de anos a cooperação entre líderes latino-americanos ligados pelo foro de São Paulo, ocasionaram evasão de divisas como a doação de duas refinarias de petróleo para Bolívia, a construção com dinheiro do BNDES de porto e ferrovia em Cuba, e outros patrocínios internacionais com Venezuela e outros alinhados ideologicamente ao partido dos trabalhadores no Brasil.
A senadora Gleisi Hoffman na abertura do 23º encontro do foro de São Paulo ocorrido na Nicarágua, apoiou irrestritamente as decisões ditatoriais de Nicolás Maduro, bem como a instauração da assembleia constituinte convocada por ele. Deve-se ter em conta que a assembleia convocada por Maduro é parcial, não contando com membros da oposição, tendo por objetivo a sedimentação da ditadura chavista, isto segundo a Folha de São Paulo de 6/8/17.
É necessário ter em conta que ao longo dos último 18 anos, de governo de estilo chavista, o governo bolivariano, dominou e tem todo o Tribunal Supremo de Justiça alinhado com suas ações ditatoriais, estatizou e submeteu a RCTV, maior emissora de televisão do país, à sua subordinação. Os comandantes do exército venezuelano foram substituídos por cubanos e milícias de formação ideológica bolivariana foram incorporadas às forças armadas.
Portanto o ditador venezuelano Maduro, domina as forças armadas, o judiciário, e com a constituinte passará a dominar o legislativo. A procuradoria geral da república que tem por chefe Luisa Ortega, que no passado estava alinhada ao governo e que recentemente verificou e abriu um processo por fraude na votação da constituinte da Venezuela, passa agora a ser o alvo da alça de mira de Nicolás Maduro.
Na Venezuela há militares, juízes, promotores, opositores ao seu governo presos pelo simples fato de pensarem diferente, pois Maduro quer se perpetuar no poder, tornando-se um ditador assim como Fidel Castro que nunca convocou eleições em Cuba. A repressão é tanta que até manifestações contrárias à constituinte foram proibidas pelo atual governo venezuelano e até sacerdotes estão sendo expulsos do país.
Há blogs, alguns jornais da web e inclusive vídeos no youtube que tem disseminado a ideia de que o vice de Dilma, o Sr. Temer seria comunista; contudo suas ações tem sido mais de cunho liberal do que direcionado às retrógradas ideias socialistas de conflituação de classes. A reforma da previdência e trabalhista até o presente momento tem mais uma versão liberal do que de uma linha neomarxista.
O Jornal do Brasil em matéria de 7/2/17, fala em integração econômica, política tecnológica e científica do MERCOSUL, mas também em 5 de agosto de 17, o MERCOSUL frente à denúncia de fraude nas eleições da constituinte venezuelana, decidiu afastar por período indefinido a Venezuela do bloco, isto foi anunciado pelo ministro de relações exteriores do Brasil Aloysio Nunes; os chanceleres da Argentina e Uruguai, também tomaram a mesma atitude, a fonte é do jornal El País de 5/8/2017.
Portanto a afirmação de que Temer seja comunista no momento é especulação. O que mais pesa a favor desta versão consiste nas informações no site defesanet, de que o governo Temer está limitando o orçamento das forças armadas, o que está prejudicando o Sisfron (sistema de defesa das fronteiras) e outros projetos importantes de defesa nacional. O futuro vai esclarecer os fatos, mas o que não se vê são cortes em cargos comissionados e gastos em setores não essenciais por parte do governo federal.
Notícia alarmante que aparece no site defesanet está relacionado ao apoio de Gleisi e Lula, ao governo ditatorial de Nicolás Maduro, pedindo e enviando militantes radicais do PT, MST e outros movimentos de esquerda para Venezuela para apoiarem as milícias bolivarianas, que ao longo dos últimos trinta dias já mataram mais de 130 manifestantes. Pergunta interessante foi feita pelo editorial da revista Isto É desta semana, se Dilma tivesse ficado no poder era isso o que teria feito com o Brasil? E Gleisi, a líder do PT, é isso o que quer para o Brasil?
A boa notícia é de que no estado do Piauí na cidade de Miguel Leão onde Dilma nas últimas eleiçõesobteve 66% dos votos, o candidato do PT apesar do apoio de Lula e do governador petista, perdeu para Robertinho do PR numa eleição ocorrida esta semana por afastamento do prefeito anterior por irregularidades. Este é o primeiro teste de Lula após as evidentes provas de sua corrupção apresentadas por Moro, o que leva a crer que nem o eleitorado nordestino aprova mais os disparates do PT.
Portanto, os brasileiros precisam fazer o dever de casa, criando mecanismos legais de fundamentação da democracia, tornando o judiciário totalmente independente, como ter o STF com membros concursados por exemplo. Criar mecanismos legais para que o congresso nacional não seja uma casa de negociatas, em que cargos são distribuídos em troca de votos dos parlamentares e outras discrepâncias de negociações que ocorrem no congresso.
Não se pode eleger de maneira alguma candidatos que se alinhem a com ditaduras marxistas como é o caso da Venezuela. Não votar em candidatos que destilem ódio entre brasileiros.
Não apoiar movimentos que apregoam a conflituação de classes e fazem declarações apoiando ditaduras como é a da Venezuela, como fez Pedro Stedile.
Se o caminho de fundamentação da democracia for tomado, a bandeira brasileira será sempre verde amarela, e para isso há necessidade de que os brasileiros vençam sua inércia e saiam às ruas pacificamente manifestar sua indignação. E se Temer apertar com mais tributos talvez uma certa desobediência civil depositando tributos em juízo, seja civilizatória, pois afinal, o governo deve servir o povo e não vice versa.

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