A Dor do Abandono

Hoje, um dia lindo, domingo com a família, almoço demorado, longas conversas. Todos os dias do ano deveriam ser assim, muita paz junto à família. Mas nem tudo é paz para muitos, principalmente aqueles que passam por abandono.
Na BR, pela qual passamos quase que diariamente, vemos muitas coisas, nem há necessidade de citar frequentes acidentes, caminhão tombado, cargas saqueadas, mas há outro fato que se tornou corriqueiro, o abandono de cachorros à beira do asfalto, os pobrezinhos ficam desesperados, primeiro ficam quietos para ver se o “dono” vai voltar, depois de algum tempo percebem que estão por conta própria e, aí, a situação se agrava. Hoje, assistimos a mais uma cena triste, um pequeno cachorrinho de cor preta, à beira da estrada, em estado lastimável, foi visto por estar caminhando, à procura de comida, pois sua cor se confundia com o asfalto. Provavelmente, havia sido abandonado há dias, pois estava bem desidratado.
O que fazer? Há tantos casos iguais todos os dias, mas se pudermos fazer a diferença para um, já valeu a pena ter passado nesse lugar, na hora certa. Sem a intenção de igualar o abandono de um animalzinho com o de um ser humano, porém sabemos que o abandono dói para todos, e vai muito, além disso, é como esquecer, não dar importância, penso que seja a falta mais cruel da humanidade. O sentimento de abandono deve ser um dos mais difíceis de ser trabalhado. Nos asilos há muitas pessoas que lá são deixadas e após abandonadas. Já ouvi filhos dizendo:
Meu pai está melhor no asilo que em casa, lá ele está bem cuidado, há horário certo para tudo, sequer percebem que seu pai adoraria estar perto dos netos, e com sua família.
Em uma visita a um asilo, uma senhorinha me pediu várias vezes, que pedisse ao seu filho para visitá-la. O recado foi dado, porém o filho nunca foi vê-la, a tristeza faz com que os abandonados deixem de ter alegria na vida. Os idosos não foram abandonados porque ficaram velhos, mas sim porque perderam o interesse por ele, triste assim.
Há diversos tipos de abandono e todos têm punições previstas no Código Penal. No entanto podemos notar que muitos abandonos não são vistos ou quem sabe ignorados.
Sabemos que muitas crianças são abandonadas ao nascer, ou simplesmente, descartadas em qualquer lugar, pessoas com necessidades especiais também são rejeitadas por aqueles que se denominam família.
Filhos que afastam seus pais do convívio familiar por estarem dependentes, por não saberem mais como se portar à mesa.
Deveríamos seguir o exemplo da China e Japão onde a velhice é sinônimo de sabedoria e respeito, sua família é o seu abrigo seguro.
No século XVIII, o idoso era tido como patrimônio e não encargo, quem sabe possamos voltar a esse passado, pois hoje só lhe resta a exclusão e a marginalização.
O filósofo Confúcio (551-479 a.C.), profundo conhecedor da alma humana, que externou conceitos de moral e de sabedoria, sempre aconselhou o amor na família e o respeito com os idosos.
Segundo Silvana Sidney Costa Santos, Professora da faculdade de Enfermagem N. S. das Graças, o amor dos filhos aos pais envelhecidos, a assegurar-lhes maior proteção e segurança na última idade do seu processo de viver, compreende uma das mais sublimes ações do ser humano para consigo mesmo e para com a sua espécie, ou seja, para com a sua geração e para as gerações futuras, perpetuando assim, o amor intenso e especial entre pais e filhos.
No Ocidente, infelizmente é assim que a sociedade vê o envelhecimento, “Quão penoso é o fim do ancião! Vai dia a dia enfraquecendo: a visão baixa, seus ouvidos se tornam surdos, o nariz se obstruí e nada mais pode cheirar, a boca se torna silenciosa e já não fala. Suas faculdades intelectuais se reduzem e torna-se impossível recordar o que foi ontem. Doem-lhe todos os ossos. A ocupação a que outrora se entregara com prazer, só a realiza agora com dificuldade e desaparece o sentido do gosto.” (Beauvoir, 1990).

 

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