A Evolução da Imagem da mulher na história da arte (1ªparte)

Quando se busca a representação da mulher ao longo da História da Arte, percebe-se as implicações ideológicas enfrentadas por elas em cada época. A mulher aparece, segundo idealizações neutras ou contraditórias, elaborada conforme os valores de cada momento histórico.
De qualquer forma, em todas as sociedades, há sempre alguma idealização da figura feminina, geralmente aparecem como arquétipos, isto é, imagem formada no inconsciente coletivo da humanidade que transmite alguma informação ao longo de diversos anos. Muitas vezes, tais arquétipos femininos são criados conforme a imaginação masculina.
A representação da mulher na arte surge como uma imagem da qual fazem parte atributos diversos como: beleza física, formas generosas e maternais. São muitas as imagens femininas captadas pela arte ao longo da história. Tais imagens sempre espelham o papel da mulher em nossa sociedade tal como ele se revelava a cada novo período histórico.
A primeira imagem de mulher foi na pré-história, Vênus de Willendorf, é uma estatueta em pedra, com formas bem avantajadas: os seios, quadris e ventre são enormes, simbolizando a fertilidade, da vida, do alimento, a mulher-mãe. É do período do Paleolítico.
Alguns séculos depois (XI e XII) surge uma nova imagem da mulher, a Sheela-na-Gigs, talhas figurativas de mulheres nuas mostrando uma vulva exagerada. Encontram-se principalmente em igrejas, castelos e outras edificações, especialmente na Irlanda e Grã-Bretanha, às vezes junto a figuras masculinas. Traz o significado de sermos mortais. Muitas foram dispostas nas portas e janelas com a função de proteger as aberturas espantando maus espíritos e espiões indesejáveis.
Na Idade Antiga a mulher era retratada na forma de busto ou estátua quando tinha alguma importância histórica, mas isso só acontecia quando ela estava de alguma maneira ligada a uma figura masculina. Os destaques ficam para as imagens da Virgem Maria e de Eva que simbolizavam a maternidade e o pecado. Mesmo assim, aqui ainda se fala de um corpo-mulher simbólico, um ícone. Esse símbolo abraça todos os significados, inter-relacionando sexo á existência humana. Somente a partir do Renascimento, essa iconografia começará a adquirir outras conotações mais mundanas.
Na Idade Média a mulher aparecia tanto na pintura como na escultura como imagens de vultos, nomeadamente de virgens, como sendo objetos de veneração. Nesse período, o corpo feminino vai adquirindo conotações mais mundanas e começam a se distanciar da idéia estritamente religiosa, transcendente, referindo-se assim, a valores mais terrenos.
São mulheres-ícones, distantes do binômio vida/morte, mas aparece a idealização da sexualidade humana, dividida por dois símbolos: alma/carne. Ainda não podemos falar em mulheres de carne e osso e a sensualidade dos corpos femininos passa a ser uma idealização do corpo humano como algo belo.
No Renascimento inicia-se o uso das proporções humanas, com o rigor científico, modelos da beleza feminina ideal sofrem transformações, a silhueta e o rosto feminino passam a expressar situações de riqueza, dando origem a novos padrões de aparência e gosto. O ideal medieval, da dama aristocrática graciosa, estreita de ancas e de seios pequenos, dá lugar, nos finais do sec.XV a um modelo de beleza feminino mais roliço de ancas largas e seios generosos e esta imagem se mantém até o séc. XVIII. Um exemplo é Mona Lisa de Leonardo da Vinci. O seu corpo representa o padrão de beleza da mulher na época de Leonardo. Este quadro é provavelmente o retrato mais famoso na história da arte, senão, o quadro mais famoso e valioso de todo o mundo. Poucos outros trabalhos de arte são tão controversos, questionados, valiosos, elogiados, comemorados ou reproduzidos. A mulher de Giocondo esconde um pequeno véu, quase não percebido de tão fino, que representava a recente maternidade.

Eliziane Schaefer Buch – elizianebuch@gmail.com Licenciada em Artes Visuais pela UNC, pós-graduada em Metodologia da Ação Docente pela UNIUV, e Arteterapia pela Censupeg, bacharel em Ciências Econômicas pela FAE (Curitiba). Membro da Academia de Cultura Precursora da Expressão (ACUPRE), Associação dos Artistas Plásticos Amadeu Bona. Professora de Arte da SEED Paraná.

 

 

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