A Klan e os balcões

A mesmice só não impressiona quem a admira. Comecei o dia naquele estilo. Em um balcão, discutiam sobre o tema preferido: a vida alheia. Fiquei ali, olhando para meus pés, dialogando e os amaldiçoando por me levarem até lá. Fiz o que tinha que fazer, e na hora que agradecia aos deuses por permitirem me jogar dali, desejaram que eu tivesse um bom dia. Eles são broncos demais. Não perceberam que eu não estava ali há muito tempo.
Talvez esse seja o principal motivo que me leva às encrencas. Em algumas ocasiões finjo mesmo, balanço a cabeça, digo qualquer merda e no final ninguém percebeu que eu estava como que vaporizado. Não me interesso por muitas coisas que alguns tem o maior fome em saber. Quando reatam a conversa em algum lugar no tempo, lá estou eu, com cara de pastel fingindo de novo que estou ali. É demais.
Quando voltei para este computador idiota, visualizei uma pergunta de um leitor através do velho e ainda ativo e-mail: O que eu achava da Klu Klux Klan. E pediu para responder em algum texto. Avisei que não era uma boa, mas quebrar paradigmas comigo mesmo é a retórica da imbecilidade. Tirando que a Klan surgiu há mais de 140 anos logo após a Guerra de Secessão americana, acho que são uns bundões. Sempre basearam-se no slogan White Power e na “reconquista do Estado”, mas até hoje só conseguiram barbarizar em seus rituais e protestos. Tempo para essa suposta grande batalha tiveram.
Se bem que agora os chefes supremos da Klan voltaram a ameaçar seu próprio país, anunciando para em breve uma guerra sangrenta “como jamais os EUA imaginaram”. Os alvos são os mesmos: negros, judeus e hispânicos. E acho que é só. No mais, devemos nos preocupar com outras coisas. Até mesmo com a invasão que vem ocorrendo silenciosamente no nordeste brasileiro. Fica a dica.
Acredito que existimos em um planeta que deu certo entre os bilhões e bilhões que existem por aí. Uma série de fatores permite que aqui respiremos. Só que esquecemos que isso é ocasional. Essa existência é temporária. É a melhor e a pior parte, o fator temporal. E não há nada que se possa fazer sobre isso. Nem eu e nem você.
Pode-se mudar com o tempo para tornar-se mais aceitável para si mesmo. Se o ser imagina que mudando agradará os que gravitam em sua vida, pode ir encomendando sua passagem para Júpiter. Tenha em mente que você não precisa agradar ninguém, isso só vai acontecer com quem te aceita da forma que você é. E acho um tremendo negócio.
Ou se isso não te basta, pode ir para o grupelho que fica nos balcões da vida se preocupando – ou se incomodando – com a existência alheia. Na boa, tomara que a tesoura do Caiçara não detone o que vou escrever, mas que vidinha de merda. Falta de sexo e de amor próprio dá nisso.
*************************
Manifesto em desagravo ao juiz federal Marcelo Bretas no Rio contou com a presença de membros do MPF, associação de juízes federais e Justiça Federal. O ato estampou o esgotamento dos integrantes da Lava Jato no Rio com os desmandos do solta-bandido Gilmar Mendes. Até aí tudo bem. O esquisito foi a presença do comuna Caetano Veloso. Tá certo que ele também tem um discurso para cada plateia, mas enfileirar-se com a turma que vem apavorando seus bandidos de estimação foi no mínimo, estranhamente cômico.
****************************
Pode ser que Veloso compareceu para protestar pela soltura de dois empresários corruptos. Ele só esqueceu que esses empresários vigaristas são iguais aos que sempre encheram de dinheiro os bandidos escondidos em todas as siglas políticas. Incluindo seguramente a dele.
****************************
Caso da professora agredida por um aluno em Indaial, SC: repudiamos toda e qualquer agressão a professores. Isso é inadmissível. O pior é que muitas vezes o incentivo parte de casa. Isso deveria ser crime com direito a um bom tempo de clausura.
*****************************
Mas, como estamos no Brasil, descobrimos através da entrevista concedida pela professora à Rádio Gaúcha, que ela defende “ovadas” em pessoas. No seu cérebro que foi cozido pelo ranço que assola esse país, esse é um ato de “revolução”. Que legal. Uma vez as ditas revoluções eram armadas. Agora é com ovos. Pouco tempo atrás defendiam o cuspe-insurreição. Enquanto isso os venezuelanos sonham com os omeletes que poderiam comer. Vai entender o que é revolução para essa turma.
*****************************
Caravana de Lula pelo nordeste escoltada pela falida PRF é uma agressão ao povo pagador de impostos e que sofre com a ineficiência da segurança nas estradas. Lula vem mostrando na cara dura o que a pouco tempo era negado: fazem o que bem entendem e o povo que se exploda. Como campanha fora de época é ilegal, um ou dois crimes a mais para ele não fazem diferença. Mas não contava com dois pequenos problemas: os pouquíssimos gatos-pingados que o acompanham e as vaias que ele recebe em cada parada.

Leave a comment

Your email address will not be published.


*


Carregando...