A merda e o aparelho psíquico

Grandes bosta é uma expressão cotidiana muito utilizada. Útil, diria um amante dela. Perde porém expressividade se mal comparada à eloquente vá cagar no mato, infelizmente em desuso. Onde há merda, há amor. O fato de haver tantos representantes do ofício leva a multidão ao delírio. Merda é vida. Pulsa. É massa de modelar. Discurso material. O desejo de falar merda só é comparável ao de fazer, mais comum nos homens, dizem as mulheres, que não cagam, dizem os homens, quando são muito bonitas. Não há merda no céu. O obsessivo, por exemplo, tem com a merda um caso, compara-se a ela usualmente, é preciso guardá-la em algum lugar, no eu eventualmente. Um potinho, às vezes, é motivo suficiente para a vestimenta contrastar seu conteúdo. Me sirvo dela também. Merda é mensagem. Arremessar uma sacola na casa de alguém pode não parecer engraçado, é preciso o abstrato passo futuro, a imagem que completa a cena: a fotografia enquadrando a cara de quem abre a sacola. A merda une. Há literalidade nela. Ninguém diz escrevo com merda, assumidamente. A metáfora do sangue não tem a lúdica função poética que mandar seu amor à merda tem. A ambiência é fundamental. O verde do pasto, a serena tranquilidade, a vaca mascando, o azul do céu e o sol cobrindo em cores vivas de verão. O cheiro do pasto. Antigamente a bosta era mais exposta, era preciso que se recomendasse cagar um pouco mais longe da mesa onde se come. Dica de etiqueta da nobreza. Assim como o agente que a produz ganha relevância social nos jornais, inversamente, o pudor recomenda pouco usar o nome do órgão que a expele, embora seja tão ou mais usado no dia a dia e constitua na erótica toda uma economia comparável à moeda. As crianças especulam, por sua vez, que nascem de onde elas conhecem e os adultos mantém fantasias no mínimo curiosas a respeito do gozo das mulheres. A merda está no ar. Não desejá-la a quem vai entrar em cena no teatro pode ser um erro. Porque a merda relaxa a pessoa. E é preciso ser objetivo.

 

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