A saga dos Pescadores

Pela manhã, as areias da praia ficavam lotadas para assistir à chegada dos pescadores em seus pequenos barcos, trazendo peixes para os turistas que já faziam fila. Às vezes, o resultado do trabalho era insuficiente para ganhar um bom dinheiro, com o qual faziam a compra dos alimentos para a família, diariamente faziam o mesmo trabalho para alimentar sua prole.
Quando estamos passeando pelas praias, tudo nos parece fácil, bonito, mas sequer imaginamos o sofrimento dos pescadores, os que vivem na praia e são um pouco donos do mar, conhecem as marés, o tempo, a hora de saírem mar adentro e sempre respeitam a equipe, pois vão pescar em seus pequenos barcos, na madrugada. Quando chegam com o resultado da pesca, acabamos conhecendo vários tipos de peixes, muitos são devolvidos às águas, por não terem atingido o tamanho desejado. O respeito com a natureza é primordial para o futuro dos pescadores.
O trabalho é árduo, alguns turistas já se aproximam e ajudam a rolar o barco para a areia. Muitas fotos, muita curiosidade percebe-se nos pescadores, um rosto queimado, triste, envelhecido.
Aos poucos os peixes se vão e muitos exigem que sejam limpos ali mesmo, o que não aumenta o preço. Os “pseudos” donos do mar, nem sempre têm sorte na pesca, e o dinheiro mal dá para a refeição do dia. A família é grande, filhos pequenos, e o pai, único provedor da casa.
Eles são homens destemidos, não receiam embrenhar-se mar adentro, mas conhecem todos os perigos, suas esposas, na hora da chegada dos barcos já se espalham no meio da multidão para ver se seu marido voltou, quando o vê, suspira aliviada e o ajuda na venda e limpeza dos peixes. Nota-se a alegria, quando a família se reúne a cada volta da pescaria.
Os pescadores são homens especiais, pois confrontam-se com o bravo mar e ainda trazem o seu sustento. O filósofo Platão dizia:
“Existem no mundo três espécies de homens, os vivos, os mortos e os que andam no mar”, e os pescadores andam no mar, vivem no mar, enquanto suas famílias vivem na areia.
“No tempo de Jesus, a bíblia nos conta que sete dos seus apóstolos — Pedro, André, Tiago, João, Filipe, Tomé e Natanael, eram pescadores. João 21:2, 3”.
Havia muita gente à noitinha, passeando na praia, o movimento dos pescadores começara, arrastavam os três barcos, iam juntos, pois era perigoso se aventurar sozinho em meio ao mar colossal. Tudo pronto para mais uma pescaria. Passavam a noite inteira no mar, para as famílias que esperavam a volta deles, era mais um motivo para ficarem em oração pelos esposos e pais que se aventuravam ao mar. Segundo as palavras de Van Gogh “Os pescadores sabem que o mar é perigoso e que a tempestade é terrível, mas eles nunca julgaram esses perigos como razão suficiente para permanecer em terra.”
Há trinta anos, eles seguiam a mesma rotina, e voltavam ao nascer do sol com o resultado de um exaustivo trabalho.
Na manhã seguinte, a maioria dos turistas foi à praia para ver a chegada dos barcos, uns para ajudar, outros para comprar o seu peixe.
No entanto, algo estava diferente, havia uma senhora com um bebê no colo chorando, os demais pescadores estavam cabisbaixos, estavam sentindo o peso da dor.
A curiosidade era enorme, todos perguntando o que havia acontecido, mas ninguém respondia. A areia da praia ficou inundada de gente, que puxava mais gente para entender o que acontecia.
Tempo depois, a esposa de um pescador, avisou que o marido não conseguiu escapar de uma enorme onda e morreu no mar, os amigos de trabalho contaram que o mar estava bravio, mais que as outras noites.
No dia seguinte ao enterro, os pescadores seguiram para mais uma noite de pescaria. Como dizer que a vida de pescador é fácil, aquele que busca o sustento da família no mar, e assim a vida dos pescadores prosseguiu.
O mar é o lugar sagrado para os pescadores.

 

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