A tara da farda

Se é verdade que a demanda revela algo do desejo podemos reconstruir do imaginário popular seu objeto: ele veste farda e espanca alguém. Aqui as pulsões sadomasoquistas abrem duas possibilidades, embora sejam como superfícies topológicas de um lado só. A pulsão sádica pode se satisfazer assistindo a um espancamento, enquanto a masoquista goza sendo o objeto da agressão. Só que na dialética do desejo opera a fantasia, embaralhando as coisas, de modo justamente a não permitir, de imediato, que o sujeito perceba que seu desejo de apanhar se materialize no espancamento do outro, que seu gozo mais íntimo se mostre justamente enquanto ele o esconde. Os últimos dias desvelaram, novamente, que a tela da fantasia dessa parcela é demasiado brega. Fica a questão (e nossa aposta) de que o gozo possa sofrer alguma intervenção.

Psicólogo clínico, especialista em Teoria Psicanalítica e em Neuropsicologia. Atende em Caçador e União da Vitória. giuliano.metelski@gmail.com – WhatsApp: (49) 99825-4100 / (42) 99967-1557.

 

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