Admoestação aos psicólogos censores.

Não há, na formação do psicólogo, absolutamente nada que o autorize a agir como polícia ou padre. Faço esta afirmação no intuito de zelar pela profissão, na medida em que eu mesmo já ajudei na formação deles. Naturalmente, constato que fracassei em muitos casos. É inadmissível que psicólogos propaguem discursos de ódio, que façam palanque em nome da moral. Ora, na verdade, isto é vedado a eles, no exercício da profissão, conforme o código de ética: “I. O psicólogo baseará o seu trabalho no respeito e na promoção da liberdade, da dignidade, da igualdade e da integridade do ser humano, apoiado nos valores que embasam a Declaração Universal dos Direitos Humanos.” Tal maneira de proceder vai contra o código em mais de um aspecto: “II. O psicólogo trabalhará visando promover a saúde e a qualidade de vida das pessoas e das coletividades e contribuirá para a eliminação de quaisquer formas de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.” e ainda: “III. O psicólogo atuará com responsabilidade social, analisando crítica e historicamente a realidade política, econômica, social e cultural.” A questão é outra se, em hipótese, ele é incapaz de analisar criticamente a realidade. Quando fora de exercício, obviamente, como qualquer pessoa, o psicólogo é livre para expressar suas opiniões, tendo elas ou não influência (ou razão). O psicólogo comete bobagens, a torto e a direito, quando opina, infelizmente. Agora, é problema nosso quando ele faz declarações segregatórias em nome da psicologia. É problema nosso, da sociedade em geral, se ele é racista e apoia este tipo de conteúdo, ainda que fora do exercício. A má formação não pode justificar a legalidade de uma atuação apoiada no preconceito, na distorção da verdade, na crença, na ridicularização das minorias, e menos ainda na patrulha à liberdade. Estes princípios independem de corrente teórica, são princípios gerais, aplicados a todos os profissionais psicólogos, e é realmente, uma lástima ter de lembrá-los. As contradições entre aquilo que constitui os sintomas de cada psicólogo e a concordância ou não com sua função atuante se estampam naquilo que ele diz, e deveriam, na formação, ser objeto de análise, ou então, de impedimento, ainda que causado pelo constrangimento, por apelo à lógica, e por zelo a essa infame e antropofágica profissão.

Psicólogo clínico, especialista em Teoria Psicanalítica e em Neuropsicologia. Atende em Caçador e União da Vitória. giuliano.metelski@gmail.com – WhatsApp: (49) 99825-4100 / (42) 99967-1557.

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