Alma tricolor

Além de gostar, nunca esqueço a canção de 1973, de Paulo César Pinheiro e Maurício Tapajós, intitulada Agora é Portela 74, na qual os autores, certamente, portelenses, após a Portela ter perdido o Carnaval de 1973, compuseram a emblemática canção, que diz: vamos mudar esse placar final.
Ouvi essa canção a exaustão em 1974, após meu Fluminense ter perdido a final do Campeonato Carioca daquele ano para o Flamengo. Lembro com clareza que o que eu mais queria era mudar aquele placar final, o que como não dava, o jeito era parodiar a bela canção aqui evocada, pensando, agora é Fluminense 75.
O que para minha felicidade deu certo, com o Flu sendo campeão e bi-campeão em 76, com um de seus mais famosos times, denominado pela imprensa e é claro por nós tricolores, como a Máquina Tricolor, time no qual jogaram Gerson, depois Rivelino, Paulo César, Felix, Carlos Alberto, Marco Antônio, Dirceu, Doval, Carlos Alberto Pintinho, Gil, Cléber, Edinho, em começo de carreira e Cafuringa, remanescente do time que em 1970, foi campeão brasileiro e campeão carioca em 1973, ganhando de nosso maior rival o Flamengo por 4 a 2, naquele que acho, se não o mais emocionante Fla Flu, o que mais marcou minha alma tricolor. Talvez porque com 15 anos de idade tudo é visto com mais romantismo, com o coração nas mãos. Talvez porque eu tenha ouvido o jogo pelo rádio, numa época em que eram muito poucas as transmissões ao vivo pela televisão. Lembro que o jogo foi no meio da semana, e, se a memória não me trai, o Flamengo jogava pelo empate. O Fluminense abriu o placar com Manfrini e no finalzinho do primeiro tempo o lateral direito Toninho, aumentou para dois a zero.
No segundo tempo, como não poderia ser diferente, o Flamengo foi para o ataque e diminuiu, com Dario, que logo empataria o placar. Desliguei o rádio e fiquei na expectativa. Passados alguns minutos, decidi ligar o rádio, novamente. Eu ouvia tanto pela Rádio Tupi, cujo narrador da época era Doalcei Bueno de Camargo, como pela Globo cujos narradores eram Valdir Amaral e Jorge Curi, cada um transmitindo um tempo. O primeiro tempo eu havia escutado pela Rádio Tupi, já que não gostava de Valdir Amaral. Eu o achava muito monótono, quase sonolento, sem vibração. O segundo tempo ouvi pela Globo, com Jorge Curi, vibrante e imparcial, embora fosse um flamenguista fanático.
Mas voltemos ao momento em que religuei o rádio, em cujo exato instante, Jorge Curi gritava gol de forma muito entusiástica. Fiquei paralisado, aterrorizado, achando que era do Flamengo. Não era. Era do Flu. Manfrini desempatava, para no finalzinho Dionísio decretar 4 a 2. Fluminense campeão.
Como disse, esse foi o jogo que mais me marcou.
Talvez os mais emocionantes pra nós de alma vert, blanc, rouge, tenham sido o Fla X Flu de 1983, quando a torcida do Flamengo já comemorava o título e Assis, em belíssimo passe de Delei, emudeceu a massa rubro negra, aos 45 do segundo tempo ou, talvez, o Fla Flu de 1995, quando mais uma vez o Flamengo jogava pelo empate, saiu perdendo de 2 a 0, foi buscar o empate, para Renato Gaúcho, meio de barriga, calar a torcida do Flamengo, aos 41 do segundo tempo, justamente, no ano do centenário rubro negro.
Dedico essa crônica aos tricolores de União da Vitória e Porto União, desejando que em 2017 tenhamos melhor sorte que em 2016.

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