Bom dia tristeza I

Há 50 anos, mais especificamente, no funesto dia 13 de dezembro de 1968, o então presidente da República, General Costa e Silva editava o AI 5 e endurecia de vez a ditadura militar, resultando em diversas cassações de mandatos de parlamentares, entre os quais o do deputado Marcio Moreira Alves, que havia feito um duríssimo pronunciamento na Câmara Federal, criticando as medidas de exceção daquele governo.
Olhando para trás, somos de imediato remetidos aos dias de hoje, quando estamos vendo a composição do ministério do presidente eleito. Extremamente conservador nas questões sociais e liberal nas questões econômicas, vamos constatando o que já percebíamos na campanha, ou seja, daremos vários passos para trás nas conquistas e avanços sociais duramente obtidos. Basta ouvir os pronunciamentos dos novos ministros da educação e principalmente da pastora Damares Alves que responderá pelo Ministério de Direitos Humanos, Família e Direitos da Mulher. E ainda há quem elogie a composição do novo ministério.

Bom dia tristeza II
Neste 10 de dezembro, fez 5 anos, da prematura partida de meu amigo, Nivaldo Camargo, um dos homens mais lúcidos que conheci. Nivaldo deixou um imenso vazio no coração de seus familiares e amigos, mas deixou também sábias lições de como devemos perceber o mundo em que vivemos.

Para comemorar
Mas neste ano que termina também temos o que comemorar. A Bossa Nova completou 60 anos, sendo seu marco inicial a canção Chega de saudade, composta por Tom Jobim e Vinicius de Morais e gravada pela primeira vez em 1958, por João Gilberto, e que provocaria uma profunda ruptura na música popular brasileira, não apenas na forma de compor, mas também nas interpretações que passariam a ser mais intimistas, substituindo os chamados cantores dó de peito, com seus vozeirões empostados.

Biblioteca
Não pode faltar na biblioteca dos apreciadores da boa leitura, mais duas obras do escritor Edgard Telles Ribeiro, Um livro em fuga e Olho de rei. Eu já havia recomendado por aqui outras obras do autor, como a trilogia, O punho e a renda, Damas da noite e Uma mulher transparente.

Para ver e ler
A HBO produziu e está exibindo às 22h, de domingo a série A amiga genial, baseada no livro homônimo de Elena Ferrante, a escritora italiana que tudo indica foi inventada por Domenico Starnone e sua mulher, uma tradutora. È de Starnone o excelente Laços, que também recomendo. Por falar em Starnone, ele está com um livro novo, Assombrações.
Mas voltando ao seriado da HBO, ele é fiel à obra literária e é marcado por ótimas interpretações e pelo clima que revisita o neo realismo italiano. Imperdíveis, tanto o seriado, como o livro de Ferrante, que abre sua tetralogia napolitana e que é igualmente formidável.

Epílogo
Nestes tempos em que nos vemos envoltos em sombras, mais do que nunca é preciso, como disse Machado, duvidar até de sua própria dúvida.

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