Certas verdades simplesmente são grandes demais para serem escondidas

Nesta semana foram divulgados, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE (grupo formado, entre outras, por nações como Alemanha, Coréia do Sul, Canadá, Holanda, Finlândia, Reino Unido, Estados Unidos e Finlândia), os resultados do seu Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes – PISA referentes ao ano de 2015. Estes constituem-se, basicamente, por notas conferidas aos sistemas de ensino em funcionamento nestes países – que, é sempre bom lembrar, estão entre os mais desenvolvidos do mundo e possuem, não por acaso, redes educacionais louvadas quase universalmente por sua alta qualidade – com base no levantamento de dados objetivos fornecidos por seus respectivos governos que aplicaram, para obtê-los, avaliações formuladas de acordo com parâmetros pedagógicos mundialmente aceitos como confiáveis. O objetivo do programa consiste, pura e simplesmente, em apontar falhas, dificuldades, melhorias e exemplos a serem seguidos de modo a fornecer material de análise para a realização de debates que tenham a educação como preocupação central. Bem se vê, portanto, que não é a proposta original do PISA classificar os sistemas educacionais com base nas notas assim elaboradas, mas sim oferecer subsídios para a formulação de políticas que visem à sua contínua melhoria. Entretanto, como o ser humano é um animal apaixonado por listas numeradas em ordem decrescente, sempre do melhor para o pior, é isso que acaba acontecendo todos os anos, sempre que as notas aferidas são divulgadas. Não seria diferente desta vez.
Acontece que, embora o PISA seja um programa formulado pela OCDE com um foco definido na questão da melhoria da educação nos países componentes deste grupo, ela leva em consideração, também, o estudo dos sistemas educacionais vigentes em Estados que, mesmo sem fazer parte desta espécie de “clube dos ricos” são seus parceiros em algumas das diversas esferas das relações internacionais. E por isso nosso Brasil, nem rico nem membro da OCDE, foi incluído no rol dos países analisados. A base dos dados processados foi obtida através das notas conferidas a candidatos selecionados aleatoriamente dentre aqueles que realizaram o Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM no ano passado. E os números forneceram, à primeira vista, um prato cheio para aqueles ativamente empenhados em justificar reformas impostas por medida provisória e corte de verbas “desperdiçadas” em instituições de ensino públicas ineficientes. Apenas à primeira vista, contudo. Vejamos porque.
Quem teve a oportunidade de ler as manchetes veiculadas no último dia 6 se deparou, quase invariavelmente, com frases de efeito que enfatizavam uma única ideia. O site UOL estampou em sua página de rosto em letras garrafais, valendo-se de matéria produzida por sua parceira Folha de S. Paulo, a constatação de que a “maioria dos alunos brasileiros não sabe fazer conta nem entende o que lê”. O jornal O Estado de S. Paulo produziu uma verdadeira sinfonia de frases bombásticas: “Brasil está entre os piores do mundo em avaliação de educação”. Fato que foi explicado por outra matéria: “notas do PISA mostram abismo entre redes de ensino pública e privada”. Manchete complementada por uma colocação do ministro da Educação, devidamente amplificada e veiculada nos seguintes termos: “Tragédia, diz ministro da Educação sobre resultados do Brasil no PISA”. Com estes termos o amigo leitor, que degustou apenas superficialmente estas matérias, não teve a menor dúvida: o Ensino Médio precisa mesmo ser reformado! E por medida provisória, obviamente, afinal os responsáveis por ensinar não sabem fazê-lo, então é óbvio que não devem opinar sobre essa questão. E tem mais, em tempos de crise é preciso retirar recursos públicos dos setores mais ineficientes. Sendo, de acordo com a OCDE, a educação um desses setores, é óbvio que a PEC241 está correta, e o governo federal age muito bem ao “cortar” os gastos destinados a ela. E não se fala mais nisso! Contudo, caro leitor, tudo que é óbvio demais precisa ser analisado com um cuidado maior que o normal. E este caso não é diferente.
Os números apresentados pelo UOL em parceria com a Folha de S.Paulo realmente não são nada animadores. O PISA optou por levar em conta três tipos de conhecimento para chegar aos seus resultados: matemática, ou “a capacidade dos estudantes responderem questões da disciplina com clareza e identificar ou executar procedimentos rotineiros de acordo com instruções diretas em situações claras”; leitura, que leva em conta a capacidade de interpretação de textos; ciência, ou a capacidade “de lidar com conceitos, teorias, procedimentos e práticas associadas à investigação científica”. Em todos os três as notas brasileiras foram decepcionantes. Foram 377 pontos em matemática, contra uma média de 490 pontos dos países membros da OCDE; 407 pontos em leitura, contra uma média de 493 pontos da OCDE; e 401 pontos em ciências, contra 493 da OCDE. Números horríveis, sem dúvida. Mas que não permitem concluir que a educação pública brasileira está completamente falida, e que nada deve ser aproveitado, como propõem nossos profetas do apocalipse. Ideia que pode ser deduzida das entrelinhas das mesmas matérias bombásticas citadas logo acima. Ao mesmo tempo em que O Estado de S. Paulo afirmou categoricamente que existe um “abismo” entre a rede particular e a rede pública brasileiras, claramente dando a entender que a única solução para os jovens que desejam estudar em escolas de qualidade é contar com uma família capaz de pagar por seus estudos, ele afirma exatamente na linha de baixo o seguinte: “em ciências, a média da rede federal foi de 517 pontos, seguida pela rede particular, com 487. As redes estaduais tiveram média de 394 e as municipais, 329”.
Ué… rede federal nada mais é que a rede formada pelos Institutos Federais, um dos quais possui campus em União da Vitória, aliás. Institutos Federais que são, vejam só… educação pública! Rede pública! Sei porque trabalho lá e, surpresa: sou um servidor público! Então que abismo é esse que o jornal afirma existir entre as escolas particulares e as públicas? Se ele está falando da diferença de 30 pontos a favor dos institutos federais em ciências, acho que nem é tão grande assim – estou brincando, é enorme! Os 517 pontos obtidos pelos institutos federais – repito, dos quais o campus de União da Vitória, aquele mesmo, que é nosso! – os colocam muito acima dos 493 pontos obtidos pelos países da OCDE, e no mesmo patamar dos sistemas educacionais de países como Hong Kong, Nova Zelândia e Austrália. Do mesmo modo, os 488 pontos alcançados pelos alunos dos institutos federais em matemática os colocam apenas dois pontos abaixo da média da OCDE. E os 528 pontos obtidos em leitura colocam os institutos atrás apenas, em termos mundiais, das escolas de Cingapura (o país melhor colocado neste quesito) e à frente do Canadá, espécie de vice-campeão mundial com seus 527 pontos. Se há abismo aqui, desculpem, mas os números não deixam dúvida: ele é a favor dos institutos federais.
O que nos induz a constatações necessárias. A primeira: os institutos federais estão entre os melhores sistemas de ensino do mundo, no nível daqueles que nos acostumamos a tomar como nosso exemplo máximo. Algo que nada tem a ver com o aprendizado anterior de seus estudantes, afinal é preciso sempre reforçar que, embora exista processo seletivo para ingresso, este direciona cerca de 80% das vagas existentes para diversas cotas de inclusão social. Não estamos lidando, portanto, apenas com os melhores alunos oriundos de escolas particulares, como alguns desinformados insistem em afirmar sem qualquer base. A segunda: sendo os institutos federais instituições públicas de ensino, gratuitas, inclusivas e de extrema qualidade, eles precisam ser abraçados, defendidos e preservados, e não atacados como têm sido nos últimos meses sem o menor conhecimento de causa de quem o faz. A terceira: se é preciso realizar uma reforma profunda na educação pública brasileira, o modelo a ser adotado já existe dentro da própria educação pública brasileira. Não é necessário reinventar a roda. Ela já existe e funciona muito bem. Claro que a educação brasileira como um todo vai muito mal, é impossível negar este fato. Mas também é impossível ignorar a verdade de que é possível, sim, termos educação pública de qualidade no Brasil. Não só é possível como ela já existe. E precisa ser ampliada. Em tempos de obviedades e opiniões cheias de ênfase mas vazias de conteúdo, é sempre bom lembrar que algumas verdades são simplesmente grandes demais para serem escondidas, ainda que alguns tentem fazê-lo. Até a próxima!

Leave a comment

Your email address will not be published.


*


male-enhancement-pills   penis-enlargement-medicine   best-penis-enlargement-pills   male-enhancement-pills-that-work   penis-pills   best-erection-pills   penis-enlarger   penis-enlargment   best-sex-drugs   evermax-pill   penis-enlargements   hard-on-pills-that-work   enhanced-male-pills   male enhancement   penis extender   best male enhancement pills   penis enlargement medicine   best male enhancement   penis stretcher   penis enlargement pills   extenze reviews   penis extenders   sex pills   how to produce more sperm   extenze review   extenze male enhancement   male enhancement pills that work   bathmate results   male enlargement pills   male extra   extenze pills   how to increase semen volume   increase sperm volume   penis pills   volume pills   male enhancement pills that work fast   increase semen volume   bathmate before and after   best penis enlargement pills   male enhancement pill   penis enhancement   penis pump before and after   how to increase sperm volume   best budget penis pumps   enhanced male   best erection pills   bathmate review   best penis pumps   penis traction   how to produce more cum   male enhancement products   3 ways to increase seminal fluid   male enhancement pills over the counter   penis pump results   increase ejaculate   best sex pills   male enhancement reviews   how to produce more semen   dick pills   sex pills for men   penis enlargement pill   how to increase ejaculate volume   how to increase ejaculate   extenze side effects   huge ejaculation   penis enlargement pump   water penis pump   male enhancement supplements   do penis enlargement pills work   increase semen   bath mate   penis pump reviews   penis growth pills   best male enhancement pill   bathmate routine   size genetics   male supplements   male enlargement   male extra reviews   the best male enhancement pills over the counter   how fast does extenze work   how to ejaculate more   extenze results   penile extender   bathmate x30   max performer   best penis extender   bathmate reviews   semen volume   extenze extended release   penis pumps   dick enlargement   how long does it take for extenze to work   dick pumps   penile traction   big loads   best male enhancement pills that work   increase sperm volume pills   extenze pill   best male enlargement pills   male sex pills   penis strecher   home made penis pump   dick extender   cum pills   natural ways to increase seminal fluid   best penis enlargement   penis pump before after   penile traction device   best over the counter male enhancement   over the counter male enhancement pills   male extra review   vigrx plus review   does bathmate work   extenze directions   best penis   penis enlargement pills that work   volume pill   sex pill   male enhancer   increase cum   extenze ingredients   semen volumizer   increase semen production   do male enhancement pills work   enhancement pills   vigrx pills   penis enlargment pills   stamina pills   are penis pumps safe   cock pumps   darren jackson   best natural male enhancement   penis stretchers   best penis enlargement medicine   male enhancement drugs   how to increase sperm thickness   where to buy vigrx plus   best sex pills over the counter   sexual enhancement pills   increase ejaculation   increase cum volume   sexual enhancement   penis enhancers   hard on pills that work   enhancement male pill   extenze ingridients   extenze befor and after   malextra pills   extenz results   penis enlargements pumps   extenze ingredience   male enhancement pills   penis enlargement medicines   volumepills review   penis extender result   extenze ingredient   penis pump review   how to increase ejaculation volume   cock extenders   penis enlargement devices   vigrex tablets   how to increase semen amount   male performance pills   bathmate hydro   how to increase cum load   penis extenders reviews   best male enhancers   how to increase semen production   how to produce more seminal fluid   bathmate x40   male drive max   increase cum load   bathmate before after   volume increaser   produce more sperm   best male enhancement pills over the counter   max load pills   volume pills review   natural male enhancement herbs   delay pills for men last longer   cock stretcher   enhanced male pil   male enhancement pills free trials   penispumps   penis enlargement device   male sexual enhancement   extend pills   sex enhancement pills   all natural male enhancement   long sex pill   best male supplement   extenze maximum strength   do penis pills work   produce more semen   how to produce more seminal fluid naturally   increasing semen volume   penis extenders review   how to increase semen   best male enhancement pills 2019   male enhancement pills reviews   increase ejaculate volume   bathmate hydro pump   increase seminal fluid   natural male enhancement pills   hydro penis pump   vigrx reviews   do penis extenders work   over the counter male enhancement   male enhancements   top male enhancement pills   penis traction device   bathmate pump  

Carregando...