Cine Luz: Um dia foi um palco iluminado

Em 1950, formou-se uma sociedade sob a denominação social de “Empresa Cine Diversões Ltda”.
A sociedade tinha por objetivo explorar o ramo cinematográfico, podendo ampliar suas atividades para o setor teatral.
Localizado na rua Carlos Cavalcanti, foi inaugurado em 06 de junho de 1951. Na época, eram realizadas sessões noturnas diárias e matinês aos domingos, o que tornou o cinema o mais importante ponto de encontro das cidades.
Fechando temporariamente devido às dificuldades de manutenção, oriundas das consequências econômicas provocadas num período em que mais de 2000 casas fecharam pelo Brasil, o Cine Luz foi revitalizado por ocasião do Centenário da Cidade, em 1990.
A partir de dezembro de 1989, feito um contrato de comodato com a Prefeitura, o cinema é adaptado com um palco para servir também como local de promoções artísticas, cívicas, políticas e sociais.
Patrimônio tombado pelo Estado do Paraná, em 2001, o prédio foi adquirido pelo município, que em parceria com o Governo do Estado, restaurou-o completamente, integrando-o ao projeto do Paraná Cidade, “Velho Cinema Novo”.
Em dezembro de 2002, o então prefeito, Hussein Bakri, entregou o Cine Teatro Luz, totalmente recuperado, mas ainda sem os projetores.
No carnaval de 2003, o prefeito Hussein Bakri me convidou para dirigir a Fundação Municipal de Cultura de União da Vitória, sendo meu primeiro objetivo inaugurar o Cine Teatro Luz, no dia 27 de março daquele ano. Com os velhos projetores da década de 50, fui buscar um profissional em Porto Alegre para digitalizar o som e melhorar o sistema de projeção.
No dia 24 de março de 2003, compondo a programação alusiva aos 113 de União da Vitória, a Prefeitura Municipal e a Fundação Cultural reabriram as portas do Cine Teatro Luz, com a exibição do filme “Cidade de Deus”.
Na época, ou seja, em 2003, a Fundação de Cultura além das sessões comerciais, criou os programas “Sessão da melhor Idade”, que contemplava, a custo zero, a Associação da Terceira Idade de União da Vitória; “Primeira Sessão”, que levou para o cinema crianças carentes da rede pública de ensino, também gratuito e ainda o projeto “Cinema Alternativo”, que era voltado para o público universitário e objetivava a formação de um público cinematográfico, além de proporcionar espaço para as produções alternativas, que sempre encontraram sérios problemas de distribuição no Brasil.
O ex-prefeito, Pedro Ivo, não tendo nenhuma vocação para administrar a cultura, cedeu o Cine Teatro Luz para a UNIUV, abdicando assim, de um espaço próprio que hoje poderia, como nos governos de Hussein Bakri e Carlos Alberto Jung, o Juco, estar sediando eventos culturais como festivais de teatro, mostra de dança e cinema que na época aconteciam regularmente, durante os governos de Hussein e Juco aqui estiveram a Orquestra Sinfônica do Paraná, Poe duas vezes; o Balé Guaíra e o Grupo de Dança Contemporânea do Guaíra – G2, por várias vezes, além de peças de teatros e shows de projeção nacional.
A população de União da Vitória só tem a lamentar a equivocada decisão de Ilkiw, que certamente, sempre será lembrado por isso.
Aproprio-me de um dos versos da belíssima canção Chão de estrelas, de autoria de Orestes Barbosa, para finalizar essa crônica, dizendo que o Cine Luz um dia foi um palco iluminado, vivendo vestido de dourado e hoje somos apenas palhaços de perdidas ilusões.

 

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