Ditadura nunca mais

Acabei de ler o livro Ainda estou aqui, de Marcelo Rubens Paiva. Minha intenção era a de ler o mais recente livro desse autor, Gorila marxista, objeto da última coluna de meu amigo Caio Bona Moreira, no Jornal Caiçara. Foi Caio quem me sugeriu a leitura de ambos. Eu já havia lido outros livros de Marcelo Rubens Paiva, de quem também li suas sempre ótimas crônicas. No jornal Estado de São Paulo, durante o período em que assinei esse diário.
Ainda estou aqui, além de narrar a trajetória de Marcelo e de seu pai, Rubens Paiva, barbaramente torturado e assassinado nos porões da ditadura em 20 de janeiro de 1971, conta principalmente o percurso de sua mãe, Maria Lucrecia Eunice Paiva, emérita defensora dos direitos humanos, incluindo-se aí o direito dos povos indígenas, aviltado pela ditadura militar.
A voz de Eunice Paiva que se insurgiu contra o totalitarismo e a barbárie, aos poucos foi sendo silenciada por outro insidioso inimigo, o alzheimer.
Maria Lucrecia Eunice é aquela Maria, imortalizada por Elis Regina, na canção O bêbado e o equilibrista, de Aldir Blanc e João Bosco: choram Marias e Clarices no solo do Brasil…
Mas minha intenção hoje não é a de resenhar o livro de Marcelo Rubens Paiva, o que deixo para alguém mais abalizado do que eu, meu nobre e dileto amigo Caio.
Meu objetivo, com esse intróito é o de alertar, os que por desconhecimento de nossa história recente, tem postado nas redes sociais, declarações absurdas e obtusas de militares e defensores da ditadura que ameaçam a ordem constitucional, como o próprio Jair Bolsonaro que saudou o torturador General Carlos Alberto Brilhante Ustra, na votação do impeachment, da Presidente Dilma Roussef.
É preciso que nos lembremos dos abusos perpetrados durante a ditadura, como as cassações, os atos institucionais, sendo o mais autoritário e cruel de todos o AI 5, decretado por Médici, em 13 de dezembro de 1968. Não há como esquecer o famigerado decreto 477/69, de 26 de fevereiro, de 1969, que determinava a sumária demissão de professores e a expulsão de alunos, considerados subversivos pelo regime. Alunos foram expulsos apenas porque participavam de um grupo de teatro ou um cineclube em suas universidades. É isso o que vocês querem para o Brasil? Não há como esquecer as torturas, estupros e assassinatos, praticados contra cidadãos honestos que discordavam do regime.
Não há como entender que pessoas inteligentes possam votar em Jair Bolsonaro, defensor da bancada da bala e que em recente discurso disse que vai fornecer fuzis para proprietários de terra se defender do MST, que ele não considera como movimento social e sim como um bando de terroristas. É isso o que queremos para o Brasil?
Creio que não. Ninguém quer retroceder, ninguém quer a supressão dos direitos individuais e um homem misógino, homofóbico e rancoroso é uma ameaça sim.
Não queremos única e tão somente o equilíbrio econômico, mas avanços sociais e as tão necessárias reformas estruturais, como a urbana, agrária, política e tributária, que nem o PSDB e nem o PT tiveram a capacidade e a coragem de promover.
Achar que Bolsonaro vai diminuir a criminalidade por decreto e implantar as reformas a que me refiro acima, é ingenuidade.
É preciso renovar o Congresso e eleger alguém de mãos limpas e não atrelado a empreiteiras e poderosos grupos econômicos.
A hora da mudança é agora e ela não virá com Bolsonaro.

 

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