Enquanto esperamos pelos últimos Jedi

Quando você estiver lendo isso, Star Wars – Os Últimos Jedi já vai ter estreado (a estreia mundial é em 14 de dezembro, mas aqui em Curitiba a maioria dos cinemas faz pré-estreia no dia 13). Vou estar fora da cidade e provavelmente só vou ver na outra semana, então comentário mesmo só depois do Natal, eu acho. Mas isso não impede que a gente faça uma espécie de recapitulando do universo gigantesco da saga, com sete filmes prévios e um pequeno desvio chamado Rogue One. Isso sem contar animações, HQ’s, games e tudo mais que você puder imaginar.

Como o que nos interessa é a antecipação do episódio VIII, vamos deixar de lado Rogue One e nos concentrar no cinema, nas duas trilogias e no episódio VII. Isso e também algumas especulações que podemos fazer a partir dos dois trailers lançados pela Lucas Films, que agora é propriedade da Disney, então espere ver muitos produtos da franquia por aí, além de multiversos e parques temáticos.

O primeiro Star Wars – Uma Nova Esperança foi lançado lá em 1977. Com muita dificuldade George Lucas conseguiu convencer a Fox a realizar o filme, depois de levar não de vários estúdios. E mesmo a Fox quase passou o projeto, e no meio do caminho quase cancelou tudo. Mas não foi o que aconteceu. E mesmo sem uma estratégia de marketing forte, mesmo com a ficção científica em baixa em Hollywood, Star Wars foi um retumbante sucesso, pagando todos os custos em apenas cinco semanas em cartaz e concorrendo a 10 Oscar no ano seguinte.

O mérito do filme não está apenas na construção da jornada do herói, da obra de Joseph Campbell, que Lucas estudou a fundo, mas também de inventar algo que sequer existia. Com a crise da ficção científica todas as empresas de efeitos especiais haviam falido, o que levou George Lucas a fundar a Industrial Light and Magic, que é até hoje uma grande referencia de efeitos visuais. Daí pra fechar o acordo pros dois filmes seguintes foi fácil, com financiamento inteiro de um banco e independente dos estúdios. Assim, em 1980 ele lançou O Império Contra-Ataca e em 1983, O Retorno de Jedi. O que encerraria a jornada de nosso herói, Luke Skywalker.

A trilogia foi concebida por George Lucas com um grande filme em três atos, uma ópera espacial. Como seria inviável fazer um filme tão longo, Lucas separou cada ato em um filme. Compondo assim a trilogia inicial, em que Luke descobre a força, seu potencial como Jedi e tem que lidar com o lado negro da força, seu próprio pai, Darth Vader, numa das revelações mais impressionantes do cinema, no que é considerado até hoje o melhor filme da saga, O Império Contra-Ataca.

Décadas depois, surgiria o anúncio de uma nova trilogia, que cronologicamente aconteceria antes, mostrando o surgimento de Darth Vader. Uma espécie de jornada do anti-herói, a trilogia mostra como Anakin Skywalker foi corrompido pelo lado negro da força e matou todos os jedi, o que justifica porque Luke é o herói do primeiro filme, porque ele possui a força e intensifica o poder de sua jornada. Mas nada do que é dito nessa nova trilogia tem o apelo de descobrirmos que Vader é Anakin ou de que Luke e Leia são irmãos. A nova trilogia vira os episódios I, II e III, enquanto a trilogia original se transforma nos episódios IV, V e VI.

Em 2015 foi lançado o sétimo episódio da saga O Despertar da Força, que mostra o que aconteceu com o trio de protagonistas originais, ao mesmo tempo em que nos mostra personagens novos, como Rey, que possui a força dentro dela e precisa de treinamento, apesar de já ser muito poderosa, vemos também o Storm Trooper desertor Finn e o piloto Poe. Além, é claro, do novo vilão, herdeiro de Darth Vader, Kylo Ren. Como um revitalizador da franquia o filme funciona muitíssimo bem, trabalhando exatamente com os mesmos pontos da jornada do herói de Luke para Rey. Ou seria com os mesmos pontos de Anakin?

Há indícios no segundo trailer do episódio VIII, Os Últimos Jedi, de que as coisas não são exatamente como imaginamos. Os paralelos entre Rey e Darth Vader são feitos e Kylo Ren parece ter uma crise de consciência. É bastante possível que os dois próximos filmes dessa trilogia explorem essa ambiguidade, além de concluir a jornada de Luke. Outra coisa que se especula é que na primeira década dos anos 2000, Lucas teria afirmado que escreveu um argumento para um filme pós Retorno de Jedi, que trataria dos netos de Anakin Skywalker. Que Kylo Ren é neto dele já sabemos, mas e Rey? Seria possível?

Depois de um excelente retorno da franquia, com novos personagens interessantes, mas nem tão complexos (ou tanto quanto os da trilogia original), seria um excelente twist, vilão e protagonista se inverterem, o que deixaria a figura trágica de Kylo mais atrativa e adicionaria níveis de complexidade a uma heroína poderosa demais pra perder para o lado negro da força. O que nos resta agora é aguardar. Em uma semana tudo – ou pelo menos boa parte – será revelado.

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