Estabilidade

Em um futuro não muito distante, o Reino da Banânia será citado como “O lugar em que tudo era feito pela estabilidade”. Aqui funciona assim: Gilmar Mendes julgou pela responsabilidade do judiciário, e não pela gravidade dos fatos. Ele e sua turma ignoraram as provas da ilegalidade da chapa Dilma- Temer pela estabilidade política.
A fragilidade dos argumentos foi o contraponto perante provas massacrantes. Foi um julgamento político, mas justificado pela estabilidade do país. Não importanto o quão fatal isso foi para a capenga democracia do Brasil.
Mendes, como esperado, salvou Dilma e Temer. Assim, enterrou qualquer possibilidade de decência no Brasil. Ele disse que sua opinião mudou desde que instaurou o processo. Mudar de opinião é comum a qualquer mortal. Somente os trouxas não mudam. O fato que envolve Gilmar Mendes: mudou o governo.
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Nesse processo de repercussão, o que mais vejo é os funcionários do PT insistindo que Temer é fascista. Mais uma vez, se comprova que a cegueira partidária é a tônica desse grupo. Gritam que votaram em Dilma, e esquecem convenientemente que elegeram o “Mussolini” Temer.
Quando Dilma foi apeada do Palácio do Planalto, muitas pessoas e entidades apoiaram Temer. Afinal, era ela ou ele. Esqueceram?
Nesse joguinho pérfido entre direita e esquerda – que no Brasil inexistem – sobra a certeza que a maturidade do povo perante as manipulações politica-partidárias é zero. São crianças babonas esperando o toddynho da mamãe.
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Pela estabilidade, a cúpula do PSDB decidiu não abandonar a nau adernada do governo. A decisão acabou provocando um racha entre a tucanada. Agora resta a certeza que mais uma vez esse partido que se dizia oposição nos últimos anos vai entregar a próxima eleição para presidente. Nem para pensar no Brasil os caras serviram.
Já as manobras para salvar o pescoço de Aécio Neves estão adiantadas. Não podemos esperar mais nada dessa trupe. E muito menos da outra facção. Como disse para um petista na última semana, a diferença entre eu e ele é que eu votei no Aécio e o quero na cadeia. Já ele clama pela volta de Lula, Zé dirceu e os Irmãos Bacalhau.
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É preciso reconhecer que os políticos – que são os reflexos do povo que os elegeu – estão muito preocupados pela estabilidade. Veja a Maria do Rosário. Quando um ex-policial militar, atualmente motorista do Uber baleou três marginais para defender sua vida, lá veio mais um discurso pelo equilíbrio. Segundo essa deputada federal, o melhor que poderia ter acontecido era o motorista do Uber ter morrido. Assim, somente uma família estaria chorando, ao invés de três (As dos bandidos).
Viu como é prático e simples? Não importa o que acontece, o que vale é o finalmente. Tirando a funerária que atendeu os meliantes mortos, todos saem perdendo. Perceba: esse é o Brasil que acontece todos os dias. Garanto que alguns nem entenderam o que a nobre deputada quis dizer.
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Agora Joesley Batista volta para o Brasil e declara na PF que mentiu que estava em Nova York para preservar sua segurança. O distinto empresário estava na China. É isso aí. Uma mentira contada a mais justifica a estabilidade e integridade desse gestor que faturou R$ bilhões com seus acordos. E nós, como ficamos? Alguém tem alguma ideia sobre como vamos estabilizar esta pocilga que construímos com toda a demência disponível? Ou a saída é o aeroporto?
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Jornalismo (o de verdade) brasileiro de luto. Morreu Jorge Bastos Moreno, um dos mestres do “furo”. Entre eles, a substituição de Ernesto Geisel por João Batista Figueiredo em plena Porta de Ferro dos gabinetes em Brasília. Outro memorável: a descoberta da Elba que fulminou o mandato de Fernando Collor. Seu humor dosado era único. Em um momento no qual a imprensa é axincalhada por seus denunciados e simpatizantes, o Brasil acordou mais pobre na última quinta-feira.

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