Imprensa injustiçada

Ano XII – Fevereiro/1971 – Número 202

 

Em minha viagem este mês a Santos, São Vicente, Rio de Janeiro e São Paulo, pude sentir de perto o carinho com que são tratadas as pessoas que labutam na imprensa. Ao se apresentar as credenciais, todas as portas são abertas e não se vencem os convites que então nos são formulados. Prova isso minha visita à TV Tupy Rio, à fechadíssima Sede do Fluminense, às rádios Nacional e Tupy e ainda à TV Globo. Na portaria da Sede do Fluminense nas Laranjeiras, as portas se abriram ao apresentar as minhas credenciais. Tudo me foi mostrado, sala de troféus, piscina, canchas de tênis, basquete etc. Almocei na ABI, ao lado de cobras do jornalismo carioca. Conheci de perto teatrólogos de fama internacional. Conversei com críticos de renome. Visitei a TV Tupy onde bati um papo com Flávio Cavalcanti e seu simpático jurado. Conheci ainda a Sede do Santos, e os pais de Pelé. Visitei a Tupy Difusora, onde fiquei ciente dos antecedentes de Dorival Selbach o vigarista que passou por aqui, como empresário de Vanderlei Cardoso. Para tudo isso, bastou que apresentasse as minhas credenciais de radialista e jornalista. Cito tais fatos, para mostrar aos meus leitores o valor que os cérebros esclarecidos e arejados, dão às pessoas que labutam na imprensa. Agora, de volta de minha maravilhosa viagem de 20 dias, encontro na minha mesa de trabalho um ofício que nos foi dirigido pela Diretoria do Clube Concórdia, suspendendo a cessão das mesas que nos bailes eram ofertadas às rádios e jornais e diga-se de passagem sem favor algum, uma vez que a imprensa como todos sabem, é a responsável pela divulgação das promoções dos Clubes. As mesas não eram cedidas – graciosamente – como diz o ofício, mas sim, em paga do nosso serviço de divulgação. Temos, aqui, que reprovar a atitude de uma Diretoria ou apenas do Presidente? O ofício veio em nome da Diretoria do Clube. Foi essa a nota negra que marca o início de uma Diretoria, que se responsabiliza por um ofício, assinado pelo Nuche. Serão ou não, culpados os membros da Diretoria? Estão eles cientes dessa atitude deselegante do seu presidente, ou colaboraram com ele? Quanta diferença do tratamento que se recebe nas grandes capitais, por cérebros arejados, do que recebemos aqui, por parte de certas pessoas. Nessas ocasiões, lembramos com saudade de Lauro Fernandes, de um Mário Balster que sempre compreenderam o valor do serviço da imprensa. Achamos que alguns elementos da Diretoria do Concórdia, deveriam tomar umas lições de “arejamento” cerebral com os Srs. Pery Salazar (Circulo), Hélio Bueno (Apolo) e Antônio Swierk (Aliança), corteses e amigos da imprensa, dando a ela o valor que realmente merece.

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