Já faz tempo eu vi você na rua…

Como já contei aqui em Caiçara e em meu livro, Meus caros amigos, publicado em 2014, em 1976 troquei o Túlio de França pelo São José, levado por meu amigo e vizinho, Joathan Cesar de Souza, o Quingo, como era por nós chamado.
Alguns dias antes de efetivar a troca, fui até o São José para dar uma sondada no ambiente e chegando lá por volta do meio dia, vi um grupo de jovens sentados no campo de futebol, jogando conversa fora. Me chamou a atenção as roupas coloridas dos integrantes do grupo, já que na primeira semana de aula o uniforme ainda não era obrigatório. Também notei naquele pequeno grupo a beleza das meninas, em especial de uma delas.
Nesse exato momento decidi mudar para o São José e para minha surpresa aquela bela menina seria minha colega de sala.
Como as aulas já haviam começado, acabei sentando em uma das últimas carteiras e aos poucos fui fazendo novas amizades, já que como por encanto, havia deixado minha timidez no Túlio.
Acabei então ficando amigo também daquela garota. Não lembro exatamente como, mas acho que foi a música que nos aproximou, pois ela como eu também gostava muito de música. Certo dia, ali pelo meio da manhã, acho que quando saíamos para o recreio, ela me convidou para tomar café em sua casa. Aceitei. A mesa ainda estava arrumada e ela mencionou que sua mãe ainda estava dormindo. Tomamos café e voltamos para o colégio. Ela acabou mudando de endereço e em outra manhã, mais uma vez me convidou para o café. Aceitei, novamente, já que havíamos ficado amigos.

Naquela época havia muitos bailes e em um deles eu a avistei apenas com algumas amigas. Fui até lá e convidei-a para dançar. Ela aceitou, mas me avisou que era apenas até o namorado chegar. Como ele demorou a chegar dançamos várias músicas, até que uma de suas amigas a avisou de que o fulano havia chegado.
Mesmo a achando muito bonita, não tinha interesse por ela e creio que ela também não se interessava por mim, exceto como amigos. Nesse período eu não tinha namorada ela, entretanto, tinha um namorado que estudava em Curitiba, era bem de vida, tinha carro e era considerado bonito pelas garotas. Em outro baile a história se repetiu e somente pararíamos de dançar, quando eu comecei a namorar outra colega de sala.
Conto essa história, omitindo propositalmente o nome da então menina, já que recentemente a encontrei no Facebook. Ela está casada, pois tem mais um nome além daqueles que já possuía, quando solteira. Mandei uma mensagem para ela, lembrando que fomos colegas e ela me respondeu que não lembrava de mim e que em sua sala havia apenas meninas.
Diante de seu, imagino que proposital esquecimento, achei melhor nada dizer, portanto nem quis relembrá-la disso que aqui narro, embora tenha achado bastante estranha sua reação. Talvez motivada pelo receio de que eu insistisse em falar com ela, o que eu jamais faria. Talvez tenha um marido excessivamente ciumento e possessivo. Vai saber.
Também no primeiro semestre de 1976, conheci outra menina, com quem fui algumas para o colégio. Eu ia quase toda manhã com meu amigo Quingo que morava bem em frente à Praça João de Lima e me esperava para irmos juntos. Tínhamos um combinado, se eu não chegasse até tal hora, ele iria sozinho.
Certa manhã, ao sair de casa, quando fechava o portão, me deparei com uma menina que passava e com seu belo sorriso me disse oi. Respondi é claro e perguntei se ela não queria companhia para ir ao colégio. Ela estudava no Santos Anjos e nos despedíamos na esquina de seu colégio.
Fomos juntos por mais alguns dias, até que meus amigos descobriram porque eu não estava indo mais com o Quingo.
Todos os dias, ora Gilberto Lima, ora Celsinho Passos, depois de apanharem no Túlio, Rubio Savi e Vilmar Bughay, iam buscar eu e Quingo no São José. Dávamos algumas voltas e nós passávamos em frente das casas das meninas que um ou outro de nós estava interessado e em coro gritávamos o nome desse respectivo amigo. Como eu estava sem namorada e na, segundo gíria da época, não estava paquerando nenhuma menina, percebi que eles ao passarem por minha casa, iriam até a casa da menina do Santos Anjos. Eu os adverti, se forem passar pela casa de fulana, vou pular do carro. Quando o Opala quatro portas do pai de Celsinho, dobrou a esquina da casa da menina, não titubeei e saltei do carro em movimento. Rolei na calçada por alguns metros e me levantei furioso, enquanto eles paravam e mais bravos do que eu, me chamaram de louco e suicida.
No dia seguinte, lá foram eles nos buscar e eu ingenuamente entrei primeiro no banco de trás já ocupado por um de meus amigos e Quingo entrou por último me deixando no meio. Mais uma vez Celsinho deu umas voltas e não deixou nenhum de nós em casa, dizendo que iria me deixar por primeiro. Quando ele passou por minha casa, percebi a armadilha e eles disseram, hoje não vai pular, suicida. Passaram pela casa da menina e, pararam em frente e gritaram em coro meu nome, seguidas vezes.
Fazer o que? Envergonhado, nunca mais acompanhei aquela menina até o Santos Anjos.
Daí o título dessas lembranças inspiradas na bela canção, Como nossos pais, de Belchior: Já faz tempo eu vi você na rua, cabelo ao vento…
Como também publico essas crônicas no Facebook, elas eventualmente suscitam alguns comentários de meus poucos leitores, a quem agradeço e reitero, me estimulam a escrever.
Esta minha última crônica recebeu alguns comentários de antigas colegas do Colégio São José, entre as quais, Maristela Cotrim Wengerkiewicz e Taís Correia, que é justamente a menina com quem tive um breve namoro, sendo por isso interrompidas minhas sessões de dança com aquela outra colega.
Taís foi uma das pessoas mais doces e gentis que conheci. Sempre estampando um belo sorriso, nunca a vi de mau humor. Ela foi uma de minhas primeiras amigas no Colégio São José e naquele início do primeiro semestre de 1976, íamos quase que diariamente à sua casa, eu, Maristela e Tica Codagnone, estudar matemática. Essa proximidade fez com que atraíssemo-nos um pelo outro. Além de estarmos juntos todas as manhã, combinávamos de dar um breve passeio de carro entre as 13 e 13h30, horário em que seu pai ainda estava em casa e lhe dava as chaves de seu Dodginho azul. Às vezes ela também vinha com suas amigas e ex-colegas de Santos Anjos, Marisa Pimpão, Tânia e Tuca Novacki, no carro desta última, um Galaxie, que se não me engano, também era azul.
Ficamos bem próximos. Mas ainda não namorávamos, até que em uma noite fria de outono, eu, Celsinho Passos, Rubio, Quingo, Bughay, Gilberto e Durvalzinho Lima, fomos fazer algumas serenatas. O saudoso Durvalzinho tinha um Chevette já preparado para ligar uma caixa de som no toca-fitas e lá fomos nós acordar nossas pretendentes e, consequentemente, seus familiares. Por algum motivo qualquer, a serenata para Taís foi a última, e, como ela menciona em seu comentário em minha postagem, ainda lembra a música que tocamos, ou melhor, que eu escolhi para homenageá-la. A canção foi All by myself, um hit da época, de autoria de Eric Carmen, ex-Raspberries. O pai de Taís o sempre simpático e cortês, seu Milton, abriu as portas de sua casa, nos convidou para entrar e nos serviu um scotch. Ali mesmo a pedi em namoro e ela aceitou.
Saí de lá zoando meus amigos, já que o pai de Taís foi o único a nos receber. Por caminhos ou descaminhos que a vida ou o acaso nos reserva, nosso namoro durou pouco, porem, foram belos dias, insisto, com uma das mais doces pessoas que conheci..

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