Lições do passado para combater problemas do presente

Zyka vírus, Aedes Aegypti, febre Chikungunya, dengue. É só ligar a televisão ou abrir um jornal neste início de ano para que estes nomes estranhos prontamente saltem à vista de nosso leitor. E não poderia ser diferente! Trata-se de uma das mais sérias ameaças à saúde pública das últimas décadas, tão séria que já ameaça colocar em risco o próprio sucesso dos Jogos Olímpicos a serem realizados este ano em nosso país. De fato, ao risco de que algumas delegações internacionais não enviem alguns de seus principais atletas ao Rio de Janeiro somam-se medidas para evitar que estas ameaças, por enquanto ainda restritas ao Brasil e a seus vizinhos sul-americanos, cheguem a outras nações. Nos Estados Unidos, por exemplo, a questão “devemos colocar de quarentena os brasileiros que vierem para cá ou os estadunidenses que viajarem para lá?” provocou um dos mais acalorados debates da pré-campanha presidencial até o momento, e Barack Obama já requisitou ao congresso a liberação de alguns bilhões de dólares em verba a ser utilizada nos esforços pela descoberta de uma vacina eficiente contra estes males. Mais do que uma questão nacional brasileira, este parece ser um risco para todo o planeta, e alguns cientistas já começam a comparar o problema ao representado pela endemia africana de ebola, ocorrida há apenas alguns poucos anos.
Esta não é a primeira vez que o Brasil vê sua imagem no exterior manchada por questões de saúde pública. Ao longo de todo o século XIX, as constantes epidemias de cólera e febre amarela foram uma constante preocupação das autoridades brasileiras e dos visitantes estrangeiros. De fato, durante vários anos os diplomatas ingleses destacados para atuar na capital do império (e, após 1889, da república) receberam adicional de insalubridade devido às condições precárias então verificadas no Rio de Janeiro. Foi por esta época que se estabeleceu entre as classes mais abastadas da corte o hábito de mudar-se temporariamente para o alto da serra durante os meses mais quentes do ano, voltando para o nível do mar apenas quando as temperaturas já estivessem menos altas e as epidemias estivessem devidamente controladas. Não foi outra a razão pela qual D. Pedro II escolheu exatamente o alto da serra para a fundação de sua querida Petrópolis, até hoje local de fuga privilegiado dos cariocas interessados em “mudar de ares” durante seus dias de descanso.
Para quem se sentir inclinado a imaginar que as assustadoras epidemias típicas do período imperial eram um privilégio daquela que viria a ser conhecida como a “cidade maravilhosa”, entretanto, é preciso desde já abandonar esta possibilidade. A pequena São Paulo (sim, pequena, pois na época esta bucólica cidade do interior não contava com mais do que 100 mil habitantes, se tanto) sofreu com epidemias variadas durante todo o período imperial, devido em parte às constantes enchentes dos riachos que a circundavam, em parte à chegada de imigrantes ainda não completamente preparados para as condições climáticas que iriam encontrar por aqui. Recife por vários anos enfrentou crises seríssimas de saúde pública, que causaram a morte de milhares de pessoas, bem como Salvador e quase todas as vilas da região amazônica. Sobre as províncias de Mato Grosso e Goiás infelizmente não possuo maiores informações acerca deste tema, mas já deparei também com relatos fortíssimos de uma epidemia de “bexigas”, a temida varíola, na Desterro (posterior Florianópolis) de fins do século XIX.
Os exemplos são inúmeros, e poderíamos citar outros tantos por semanas a fio. Não é este meu objetivo, contudo. O que desejo indicar aqui é o fato de que em todos estes casos (e em tantos outros) a solução do problema só pôde ser alcançada mediante uma bem-sucedida conjunção de esforços do poder público e da população das cidades afetadas. Por um lado, mediante a descoberta e aplicação das necessárias vacinas para prevenção dos males. Por outro lado, através da adoção de estratégias cotidianas capazes de diminuir o risco de contágio, fossem elas baseadas no combate a mosquitos e insetos, na eliminação de pontos de água parada como as várzeas e demais áreas pantanosas, na popularização de princípios simples de higiene pessoal (tais como lavar as mãos antes das refeições e lavar as roupas antes de reutilizá-las). E isso não apenas no Brasil. Foram também estas as medidas adotadas para acabar com a mortandade provocada pela famosa Peste Negra, ocorrida na Europa na primeira metade do século XIV; ou para combater a não menos mortal Febre Espanhola, que afetou várias regiões do globo – Brasil novamente incluído – no início do século XX.
Se a história pode nos ensinar algo com relação ao combate a epidemias, é que não basta cruzar os braços e esperar pela ação do outro. Não adianta esperar inerte pela tomada de ações por parte dos governos federal, estadual e municipal. Por mais que estes se esforcem por vistoriar cada residência de cada um dos cidadãos brasileiros, todo este empenho será em vão se não contar com o auxílio de toda a população. Mesmo que bilhões de dólares sejam gastos na busca pela descoberta das necessárias vacinas, e mesmo que estas sejam descobertas rapidamente, ainda assim isto não será suficiente para impedir que uma grande quantidade de pessoas sejam infectadas até lá. Governos podem pressionar, podem punir, podem até mesmo invadir algumas casas de cidadãos mais refratários, mas ainda assim não podem eliminar cada um dos incontáveis criadouros do aedes aegypti espalhados por todos os mais de oito milhões de quilômetros quadrados que compõem o nosso país. Apenas uma ação coordenada entre agentes públicos e população civil oferece possibilidade de sucesso nesta luta travada em nossos próprios quintais, e que pode nos fazer tombar como vítimas a qualquer momento.
Se por enquanto ainda somos felizes o suficiente por não ver um aumento dos casos dessas perigosas doenças em nossas cidades, nem por isso temos o direito de imaginar que estamos imunes a esta ameaça que paira sobre cada um de nós. Mais do que os Jogos Olímpicos, mais do que a imagem do Brasil no exterior, é nossa própria existência que está em jogo. Se cada um fizer a sua parte, aumentam consideravelmente nossas chances de atravessar ilesos mais este momento difícil da história da saúde pública de nosso país.

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