Minha filha amada…

Tudo o que agora escrevo era para ter sido dito pessoalmente. Não deu, não consegui. Tentei, mas as lágrimas me engasgaram na primeira frase como você viu.
Li em algum lugar dia desses, que quando os filhos começam a ir embora eles nunca param de ir.
Talvez não seja assim, mas temos essa sensação.
Quando você e a Nina passaram a não mais ficar 15 dias comigo e 15 com sua mãe eu fiquei muito triste. Aquele dia foi um dos mais tristes de minha vida. Ainda lembro de após ter ajudado vocês a colocarem as coisas nos carro, demos um longo abraço e eu fiquei parado acenando até que o carro sumisse na primeira esquina. Aguentei firme, mas ao entrar em casa me desmanchei em uma torrente de lágrimas. Mas passou e vocês vinham passar praticamente todos os finais de semana comigo. Também fiquei triste quando no final de fevereiro de 2002, com apenas 15 anos, você foi morar em Curitiba e por uma grata coincidência, foi exatamente quando iniciei meu mestrado e dessa forma, ao longo deste ano, nos vimos toda sexta-feira. Eu ia na tarde de quinta e chegava por volta de 21h30. Você estava sempre me esperando, com minha cama já arrumada e saíamos para jantar no Shopping Curitiba e depois íamos ao cinema, lembra?
Foram momentos muito agradáveis. Alguns engraçados, como quando sonhei que havia uma aranha gigante andando em eu rosto e você praticamente desmanchou o quarto procurando pela aranha que eu jurava ter visto e sentido.
Vimos alguns jogos da Copa do Mundo de 2002, acordando de madrugada e você fazendo algumas bruxarias para o Brasil ganhar. Deu certo, pois o Brasil foi campeão.
Você cresceu e amadureceu rápido, passou no vestibular, começou a trabalhar primeiro no MP e logo depois na Justen. Passou na monitoria da Faculdade, por duas vezes e me ajudou a pagar seu curso, mesmo trabalhando e ainda passou no exame da Ordem e concluiu sua monografia quase 1 ano antes da formatura. Foi brava, valente e competente e ainda dedicou sua monografia a esse velho pai. Choro ao lembrar disso, como chorei naquele dia em que te acompanhei para fazer as cópias da monografia e você me mostrou a dedicatória, que dizia: Para meu pai, por tudo.
Na Colação de Grau foi outra emoção indescritível e muitas lágrimas, que eu seguraria enquanto dançávamos a valsa e você me disse que entre todos os pais eu era o mais bonito.
Como esquecer o dia que você, uma menininha de cerca de 11 ou 12 anos arriscou a vida para me resgatar lá do fundão do mar. Como esquecer as férias na praia, que você por mais de 16 anos seguidos nunca faltou. Como esquecer as várias vezes que você disse que eu sou o melhor pai do mundo. Como não lembrar com carinho e imensa saudade dos lugares fantásticos que você me levou em São Paulo, entre os quais o inesquecível show do Elton John, que você me deu de presente de aniversário, quando minhas lágrimas se misturaram com as gotas da chuva catártica.
Eu teria muito mais a dizer, mas quero que saiba mais uma vez que você é uma filha maravilhosa e que eu sempre estarei aqui, esperando por você e sempre que puder indo vê-la. Esteja você onde estiver.
Você é uma vencedora e vai continuar nessa trilha de conquistas.
Tenho orgulho de ser seu pai e seu amigo.
Uma filha como você faz a vida valer à pena e é por isso que acho a palavra pai, uma palavra fantástica.
Seja muito feliz minha filha amada, pois a sua felicidade também é a minha.
Não esqueça o velhinho da pesada.
Até outubro, quando passearemos juntos pelas mitológicas ladeiras de San Francisco.
Com todo o amor do mundo.
Pai

 

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