Mr. Robot, Comet e a Amazon

Não sei se vocês lembram, mas eu já falei aqui sobre Mr. Robot, essa série nó na cabeça incrivelmente bem escrita e dirigida. Nas últimas semanas (ou seriam meses?) eu falei pra caramba sobre o nosso serviço de streaming favorito no mundo, a Netflix. Mas nos últimos tempos eu tenho me dividido muito mais entre reprises do Masterchef no Youtube e a Amazon Prime Video. E vou falar pra vocês, o Leo nunca deveria ter vencido o Masterchef 3 e a Amazon tem um catálogo mais enxuto e por isso muito mais rastreável do que o da Netflix.

Então, bom, além de Mr. Robot, hoje eu quero falar sobre a Amazon, que vejam, isso nem é propaganda nem nada, mas custa um terço do valor da Netflix. Eu sou obcecada por televisão, então aqui em casa tem as duas coisas mesmo, mas pra quem assiste pouco ou só de vez em quando eu vou ter que dar uma recomendadinha na Amazon. Primeiro porque as séries originais são geniais. Estamos falando de coisas como Mozart in the Jungle e Transparent. Sem contar American Gods, que estreou esse anos e eu quero conversar sobre ela com vocês no decorrer das próximas semanas. E o catálogo mais conciso faz com que seja fácil encontrar coisas específicas, ao contrário do infindável mar de coisas que é a Netflix. Tem clássicos como O Bebê de Rosemary, séries imperdíveis, como Seinfeld e Comunity. E mais uma pá de coisas legais. Vamos destrinchando esse conteúdo nas próximas semanas.

Mas hoje eu quero falar de novo do Mr. Robot. Não só porque a série é boa, mas também porque eu gostaria de falar um pouquinho do seu criador, que também escreve alguns roteiros e dirige vários episódios, Sam Esmail. Ele é o cérebro por trás do cérebro brilhantemente perturbado de Elliot, o personagem principal. A série é sobre esses hackers que sonham com um mundo diferente, livre das grandes corporações e em que as pessoas não estejam mais afundadas em dívidas. A emblemática primeira temporada é sobre a busca desse sonho, bem como o modo como Elliot lida com suas próprias perturbações mentais. A segunda temporada, mais sombria, se é que isso é possível, trata de como o grupo de hackers responde às consequências de seus atos. E não apenas isso, mas há uma virada dramatúrgica das mais bem feitas exatamente no meio da segunda temporada. Um daqueles ganchos que deixa tudo meio “como assim?” e ao mesmo tempo faz todo o sentido quando se revela. Uma prova do talento e da visão de Esmail. Que além de dar ao mundo umas das melhores séries do século XX, também fez um filme muito esquisito e carismático, chamado Comet (em português Eu Estava Justamente Pensando em Você).

A série e o filme dialogam muito mais nas propostas estéticas do que no conteúdo em si. Enquanto Mr. Robot é uma espécie de suspense, cheio de reviravoltas, Comet é uma espécie de comédia romântica, cheia de reviravoltas. Mas os planos, os enquadramentos, o uso da luz e as paletas de cores são muito similares. Esmail tem comprovada predileção por planos simétricos, com os personagens enquadrados bem no meio da tela (a la Wes Anderson), mas também por planos em que os atores aparecem sempre pela metade ou menos, planos clássicos, de ombro, mas acrescentados de uma gigantesca tela que sobra acima de suas cabeças, dando uma ideia de isolamento ou de perda.
No filme, vemos seis planos temporais e um universo paralelo, em que um casal tenta constantemente se encontrar e permanecer junto. Mas a vida – e o tempo – é muito mais complicada do que isso.

Duas indicações sérias, portanto.

Se puderem não deixem de conferir Mr. Robot na Amazon (com três temporadas disponíveis) e o filme Comet.

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