NETFLIX, SHE-RA E OSCAR

Tem muitas novidades vindo por aí, de filmes do Oscar a séries novas da Netflix.

Como a cerimônia de premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas acontece no próximo dia 24, vamos tentar cobrir os favoritos na disputa nas próximas semanas, como os campeões de indicações Roma e A Favorita. A temporada de premiações já começou há algum tempo e nessa reta final, em que vimos Globo de Ouro, Critic’s Choice e os prêmios dos sindicatos, já temos alguns franco favoritos bem declarados. A essa altura parece impossível Alfonso Cuarón não levar a estatueta de melhor diretor, bem como Glenn Close e Rami Malek as de atriz e ator respectivamente. A disputa de melhor filme ainda está aberta, com Roma e Green Book liderando. Pantera Negra, o primeiro filme de super-herói a ser indicado ao mais importante prêmio da indústria cinematográfica levou o principal prêmio no SAG Awards, mas isso raramente implica em Oscars, aliás tende a depor contra, já que normalmente o vencedor do SAG não leva o homenzinho dourado. Mais sobre isso nas próximas semanas!

As novidades na Netflix não param também. Além de novas temporadas de suas séries consagradas, como Grace and Frankie, Unbreakable Kimmy Schmidt, One Day at a Time, a gigante do streaming também traz novas e boas estreias, como Russian Doll, uma criação de Amy Poehler, Natasha Lyonne e Leslye Headland sobre uma mulher que morre todos os dias, para em seguida novamente acordar presa num looping, morrendo de novas formas enquanto tenta escapar das anteriores. Outra nova aposta, já nem tão nova assim, é The Kominsky Method, que inclusive venceu o Globo de Ouro de melhor série de comedia com sua temporada de estreia. E por falar em prêmios, o filme mais indicado ao Oscar desse ano também e da Netflix, um feito inédito. Aqui em São Paulo o filme tem sido exibido em alguns cinemas, para dar conta de sua magnitude e grandiloquência.

E apesar de tudo isso acontecendo ao mesmo tempo, dei uma pausa e resolvi maratonar um desenho. Tinha lido umas coisas legais e fiquei bastante curiosa com esse remake de She-Ra, ainda mais agora quando de fato ela parecia ser uma jovem princesa e não uma drag queen. Convenhamos que She-Ra e He-Man criaram um imaginário sólido para crianças dos anos 90, mas estão longe de ser a representação real de uma delas, apesar de serem adolescentes. O remake traz uma jovem princesa Adora, ainda fazendo parte da horda, exatamente como se esperaria que uma garota adolescente fosse. E quando ela se transforma em She-Ra ela parece virar uma guerreira e não uma figura hiper-sexualizada. É claro que um monte de marmanjos de plantão resolveu reclamar da nova imagem da heroína, porque sempre tem homem fazendo homice nas redes sociais e se eles são nerds a coisa piora ainda mais. Ao que todo mundo, inclusive Netflix, respondeu: “vocês não são nosso público-alvo, essa parada é para crianças”. Posso ter parafraseado um pouco.

E olha, que desenho legal e saudável e empoderador para meninas e adolescentes e esta que vos escreve. Primeiro, porque acontece uma desconstrução bem legal e saudável da figura da princesa. As princesas do poder – She-Ra não é a única – gerem seus povos e suas terras e formam novamente a rebelião, para deter a horda de Lord Hordak e seus asseclas. E as princesas vão participando cada uma com suas habilidades características, salvando o sia sem a ajuda de príncipes encantados. O que não quer dizer que não há espaço para personagens masculinos interessantes, apesar de serem escassos. A nova roupagem do jovem Arqueiro é excelente e sua amizade com a princesa Cintilante é uma das coisas mais legais do desenho.

Legal também é a criação da rivalidade entre Adora e Felina, que de melhor amigas passam a arqui-inimigas, reforçando uma das mais antigas mitologias do herói: a passagem da amizade à oposição, com um dos lados passando à vilania. Só que aqui inicialmente ambas desconhecem os lados da guerra entre Horda e Rebelião. Adora descobre que Hordak é mau e passa a lutar junto de Cintilante e Arqueiro. Felina quando descobre não consegue abrir mão de sua casa e sua vida, e ainda por cima sente ciúmes das novas amizades de Adora (que agora já sabe She-Ra) e passa a odiá-la. Mas o afeto entre elas ressurge de quando em quando. O episódio do baile das princesas é bem legal nesse aspecto.

Com um elenco de personagens predominantemente feminino, a nova versão da She-Ra é uma das melhores coisas na Netflix hoje. Já renovada para sua segunda temporada deve continuar agradando ao público. Não só infantil, aparentemente.

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