O Jornal Caiçara completa 64 anos de muito trabalho, esforço e dedicação.

Vou escrever sobre o aniversário do Jornal Caiçara e como dizia Clarice Lispector: “Já que se há de escrever, que pelo menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas”.
E com certeza, muita coisa ficará nas entrelinhas, o que será importante ser entendido, pois aqui está sendo registrado não apenas um passar do tempo, mas sobre uma equipe que usa da lisura para analisar com pertinácia toda matéria que registra e entrega aos seus leitores, todas as semanas.
Pergunto aos “Senhores do Conselho de Sentença”, como posso falar em Jornal Caiçara sem citar o nome da Maria da Luz Augusto, a nossa querida Lulu?
Lulu, sempre deixou claro em seu trabalho a filosofia do jornal:
Professa a Verdade- Insinua o Belo- Advoga o Bem.
Um pouco da história do Jornal Caiçara,no dia 12 de agosto de 1953, a cidade de União da Vitória recebia a Nossa Senhora de Fátima, dia festivo, e foi quando o Jornal Caiçara circulou pela primeira vez, tendo Maria Daluz Augusto, Lulu, como era conhecida carinhosamente, no comando, sua circulação foi garantida sem interrupção alguma, mesmo durante os períodos de governo militar, Lulu manteve se firme em seus propósitos de divulgar a verdade.
Para potencializar seu trabalho, houve a necessidade de inovação, mudar a maneira, seguir em frente com a mudança, porém sem fugir ao estilo, sendo então sua marca registrada, e foi quando trouxe para perto de si, outras gerações, pois acreditava na máxima de que duas cabeças pensam melhor que uma então se juntou a ela, Rene e mais tarde, Delbrai.
Sabemos que a invenção da imprensa provocou uma verdadeira revolução no terreno da escrita e da leitura e Lulu reconhecia o valor de seu inventor Johannes Gutenberg, que também citou: ”A imprensa é um exército de 26 soldados de chumbo com o qual se pode conquistar o mundo”.
Vinte e seis letras do alfabeto e mais uma equipe valorosa levaram com galhardia o Jornal Caiçara, à frente de seu tempo.
Lulu possuía um “feeling” apuradíssimo e seu trabalho era pautado dentro de uma ética muito rigorosa, sua ética vinha de dentro, e como dizia Aristóteles: “Embora ambos (Platão e a verdade) nos sejam caros, o dever moral nos impõe preferir a verdade”.
E a verdade fazia parte da sua vida e da filosofia do jornal.
Lulu não seguia paradigmas em sua escrita, mas sabia respeitar os dogmas profissionais, era uma vanguardista, porque possuía o gosto apurado para a literatura, e, com a sua escrita “sacudia” toda a cegueira de seus leitores. Havia uma simbiose visível com Lulu e seu jornal. Ao escrever suas crônicas, Lulu despia sua alma a seus leitores, não pedia licença para entrar no mundo de cada um, porém tinha todo o cuidado para não ferir alma alguma.
Lulu gostava de escrever à noite, ou à tardinha ao pôr do sol, gostava de sentar-se junto à sua janela, a qual possuía uma vista imponente e deixava a caneta correr na folha de papel, e as palavras iam criando vida e, às vezes, até asas, e com elas voavam diretas à alma de seus leitores.
E assim, Lulu construía faces a todas as palavras registradas no seu Caiçara, assim como nos disse Machado de Assis: “Pois o silêncio não tem fisionomia, mas as palavras muitas faces…”
Sendo assim, há 64 anos, o Jornal Caiçara nos entrega suas matérias para sermos os donos de suas palavras, por que: “Ler fornece ao espírito materiais para o conhecimento, mas só o pensar faz nosso o que lemos.”
Parabéns ao Jornal Caiçara e toda a sua equipe!

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