O quarto de giro levogiro

O sintoma, como o entendemos, nada mais é que um acordo, um compromisso, daí decorre que há um resto, um resto lógico, do qual brota a realidade. A realidade é o campo simbólico, portanto, campo de compartilhamento. As trocas revelam demandas e desejos, interesses e fantasmas. Na realidade tudo pode ser dito, menos toda a verdade. Para além do campo simbólico se intui sempre a mais, objeto que reaparece renovado no discurso como um gozo. A obtenção do gozo é a posse e sua direção é um oito deitado. Não se pode, no sentido de impotência não de dever, enquadrar o gozo e escrevê-lo, assim como não há relação sexual, mas se pode oferecê-lo. O gozo feminino, não todo fálico, é então o que fornece o limite da escrita. A palavra esvaziada de sentido, o discurso do mestre torcido, posta ao funcionamento do gozo não obtido pela compra, mas pela adesão, é o modelo e a mola do ideal do eu. De lá, significante mestre, surge o desejo e a direção, os significantes orientadores do discurso. A realidade compartilha significantes que orientam o gozo quando o discurso fez laço, função dele. A eficiência é o alinhamento, o padrão a técnica. O giro se dá pela constatação da falta tamponada pela promessa de gozo, no Outro. Daí decorre justamente a pergunta, e o saber se desloca para a histérica. Mas é preciso que o mestre sustente a falta. Saímos do discurso do universitário, num quarto de giro levogiro, para o do mestre, torcido, pequenos mestres o sustentam. Daí seu produto ser justamente um nada, a mais, aposta oposta à pascalina. Só dá pra perder. E produzir, perda. Daí até a constatação que a divisão produz o campo do desejo é embarcar no furo, e assim decair do mestre a transferência. Seria o começo do fim, atual fim do começo.

Psicólogo clínico, especialista em Teoria Psicanalítica e em Neuropsicologia. Atende em Caçador e União da Vitória. giuliano.metelski@gmail.com – WhatsApp: (49) 99825-4100 / (42) 99967-1557.

 

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