O som é o mesmo, mas a escrita é diferente

A frase: “Concertam-se autofalantes” apresenta dois erros de grafia que acontecem pelo mesmo motivo: confundem-se palavras que são pronunciadas da mesma maneira e escritas de forma diferente. O “concerto” é de música, e o “conserto” é o reparo; “auto” é prefixo que exprime a noção “de si próprio”, e “alto” indica elevação ou força.
Originário do grego homophônos – homo (igual, semelhante) + phônê(som), o termo homófono indica palavras que, como as mencionadas acima, têm o mesmo som, mas podem apresentar grafias e significações diferentes e que, pela sua semelhança, são frequentemente confundidas.
O que determina a grafia que devemos utilizar é essencialmente o contexto no qual se usa a palavra: O “chá” é a bebida, enquanto o “xá” é um título de soberania. Podemos nos valer também da grafia das palavras, relacionando-a a outras de que nos lembramos com mais facilidade: Se lembro bem que “preço” se escreve com “ç”, então sei que “apreçar” é marcar o preço, enquanto “apressar” significa acelerar. Observando as diferenças e buscando razões que as expliquem podemos resolver cada uma das questões. Mas sempre nos resta, também, é claro, um bom dicionário para tirar as dúvidas.
Vejamos alguns exemplos de uso de palavras homófonas que se escrevem de maneira diferente (heterográficas) e que frequentemente causam dúvida:

Traz e trás: – Traz o martelo, por favor! (verbo trazer)
– Vai buscar! Ele está na parte de trás do armário. (parte traseira)

Mal e mau: – Meu filho está passando mal. (oposto de bem)
– É muito mau o que está acontecendo? (oposto de bom)

Cem e sem: – Você pode me emprestar cem reais? (numeral)
-Já estou sem paciência com você, pois nunca me devolve o que
empresta. (oposto de com)

Acento e assento: – A palavra rubrica tem acento? (sinal gráfico)
– Espere um pouco enquanto me assento. (verbo assentar-se,
tomar lugar)

Houve e ouve: – Houve tiroteio no morro ontem à noite. (aconteceu)
– Minha avó não disse nada, já não ouve bem. (verbo ouvir,
escutar)

Sela e cela: – Vou aproveitar que ninguém está olhando e levar essa sela. (assento
acolchoado para colocar sobre a montaria)
– Desse jeito você vai é acabar numa cela! (pequeno compartimento,
geralmente utilizado para designar espaço de prisão)
Cerração e serração: – Aqui em União da Vitória sempre tem muita cerração.
(neblina densa)
– E serração também, dado o grande número de serrarias.
(ato de cortar com serras)

Cheque e xeque: – Como vai pagar?
– Com cheque. (documento para pagamento)
– Assim você me põe em xeque! (perigo)

Censo e senso: – Para realizar esse censo teremos que invadir a privacidade das
pessoas. (levantamento estatístico)

– Acho melhor usar o bom senso. (prudência, juízo)
Cessão, seção e sessão: – Onde estão realizando a cessão dos bens?
(transferência)

– Você precisa esperar o início da sessão (reunião), que
vai acontecer na seção de atendimento ao público.

Todas as palavras listadas acima estão corretas, por si sós; seu uso, porém, pode ser equivocado, se não as utilizamos no contexto adequado.

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