Para mamãe – (onde estiver)

Ano XIII – Maio/1967 – Número 160
MÃE, nome bendito que dignifica aquela que o sabe carregar e desempenhá-lo a altura do seu valor. Ser mãe é cumprir a missão mais sublime confiada à mulher. Ser mãe é guardar no peito um coração terno, devotado ao amor dos filhos, entes pelos quais sofre sem lamentos todos os dissabores da existência. Hoje, quando são passados sete dias, do desaparecimento de minha mãe, teço tais considerações em sua homenagem a ela que foi digna desse nome. A ela que a tudo renunciou, por amor aos filhos e por quem sempre, – às vezes doente – tudo deu de si, nunca pensando em seu bem estar, mas no bem estar de seus filhos. O sofrimento nunca a fez triste nem amarga. A todos perdoou apesar de sua útil existência ter sido pontilhada de cruciantes golpes. Foi na forja das provações que ela temperou sua alma de escol tornando-a mais engrandecida diante de Deus, a quem são preciosos os sofrimentos de seus filhos. Estas palavras são para Você Mamãe que era o nosso incentivo, o nosso ponto de apoio o anel que sempre nos uniu. A Você que foi um exemplo de mãe – e que hoje já não mais está ao nosso lado, eu pergunto, com o coração sangrando: “Porque Deus permite que as vicissitudes e as lágrimas acompanhem na terra, pessoas honestas, justas e boas como Você? Você que foi mãe extremosa, esposa exemplar, cujo devotamento aos misteres do lar fizeram-na viver exclusivamente entre quatro paredes no afã incessante de ordem e limpeza? Porque sofrem criaturas como Você, que soube, na sua tocante simplicidade, incutir na mente dos filhos, todos os princípios de moral e que não tendo diploma algum, poderia ministrar leis morais e cristãs a muita gente que coleciona diplomas? Porque morrem e sofrem pessoas como Você que nunca duvidou da bondade infinita de Deus? Os anos passavam e lá estava àquela fortaleza de espírito, tinha o porte majestoso, na dignidade que ostentava, era robusta na força espiritual e abria os braços com benevolência e compreensão, para acolher e amparar todos que a procuravam.
Mamãe, falar sobre Você é para mim algo tão elevado que todo o meu esforço mental queda-se vencido e impotente. Mas, hoje, nada mais vale nada mais conta, agora que Você não está mais ao meu lado. As palavras são pálidas demais para que eu sinta. Agora tudo é inútil. Mamãe partiu para sempre, deixando seus filhos no desamparo do seu amor, o amor que foi para nós uma couraça que nos livrava dos males. Agora tudo são palavras que o vento leva. Você já não ouve mais, já não vê as nossas lágrimas. Meu coração cobre-se de luto até o dia em que a morte sorrateira venha também me buscar. Mamãe, Você partiu quando se sentia quase feliz. Agora, em nosso lar abriu-se uma lacuna, um vácuo no horizonte de nossas almas.
Apesar de tudo sua presença é qualquer coisa de constante palpável em nossa vida. Ela será o nosso guia, o nosso farol, como sempre foi em vida. Será a estrela que guiará os nossos passos. Não direi que rezarei por Você, pois a esta altura da caminhada, já perdi minha fé, talvez, por julgá-la imortal e agora por vê-la arrancada dos meus braços e eu sem nada poder fazer para não deixá-la partir.
Lá na curva do caminho.
Com amor e com carinho,
Minha Mãe vai descansar.
Meus prantos serão cantigas
Para o seu sono embalar.
Teve fim a sua lida.
Ela agora está em Paz.
Como é bela, como é grande
Minha Mãe que vai dormir.
Meu pranto ela não sente.
Só cantigas há de ouvir.
Cansada a cabeça inclina.
E quando eu cerro a cortina,
Do leito crepuscular.
Silêncio! Eu peço silêncio!
Tudo agora vai cessar!
Silêncio! Eu peço silêncio!

(Lulu)

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