Por que fui estudar no São José

Em maio de 1975, após completar 17 anos, e também depois de uma cirurgia no joelho para retirada do menisco, comuniquei minha mãe que não iria mais estudar, naquele ano. É claro que ela argumentou que eu não podia largar o colégio daquele jeito. Eu estudava no Túlio e como faltava muito e faltara ainda mais no período posterior à cirurgia, contra-argumentei que não adiantava mais ir porque já estava reprovado por faltas. E não fui mais. Ano de rebeldia, que confirmava que na época a vida, realmente, era feita de som, fúria e paixão.
Em meados do ano, mais especificamente, em agosto, reatei minha amizade com Gilberto Lima, conforme já narrei em crônica anterior. Gilberto então mais ao final do ano me apresentaria Joathan Cesar de Souza, o Quingo, filho de Heronita de Souza, que havia casado com seu pai, Durval de Lima. Eu e Quingo fomos, gradualmente, nos tornando bons amigos. No início de 1976 me matriculei, novamente, na segunda série do então segundo grau, no Túlio. Ao contrário de 74, e, dos poucos meses de 75, quando estudava à noite, voltei a estudar de manhã. A sala era bem pequena e ficava no andar superior do Túlio. Havia apenas uns 15 alunos, e, eu não conhecia nenhum deles. Depois de uma semana de aulas comentei com os amigos que não estava gostando de estudar naquela sala, Quingo então me disse, venha para o São José. Ele me disse que só havia uma segunda série e que estudaríamos juntos, além de podermos ir e voltar juntos. Éramos vizinhos. Decidi então ir até o São José em uma manhã, com Gilberto e Celsinho Passos, que estudavam à noite. Fui pela primeira vez fazer então um clássico roteiro da época que era assistir a saída dos Colégios Santos Anjos e São José.
Como chegamos um pouco antes do meio dia, me deparei com uma imagem, que já narrei em outra crônica, um grupo de jovens sentados no meio do campo de futebol, com roupas coloridas, já que era possível ir nos primeiros dias sem ‑­uniforme, e, cabelos ao vento, o que até pode soar meio clichê, mas foi fundamental para que eu aceitasse o convite de Quingo e me transferisse para o São José.
Quase todas as manhãs íamos juntos, levados por Gilberto, na então emblemática, pelo menos para nós, Kombi verde, que também nos buscava, diariamente.
Quingo e Gilberto trabalhavam à tarde com seu Durval de Lima, empacotando canela, pimenta e outros condimentos. O horário deles era das 13h30 as 17h30. Eu almoçava e ia para a casa deles, assim como Celsinho, Rúbio e Bughay e lá ficávamos até as 13h29, quando eles iam trabalhar. Muitas vezes nós os ajudávamos naquela lida, para que pudessem dar conta da demanda e sair no horário previsto, para jogarmos futebol ali ao lado da Praça João de Lima. E assim foi até julho daquele ano, com Quingo ao nosso lado.
Ele em agosto se transferiria para Curitiba, juntamente, com outros dois colegas de nossa turma, Beto Jacobs e Desiré Costa, no intuito de não perder o ano, já que eles estavam muito mal em matemática, assim como eu. Na época era preciso somar apenas 20 pontos, nos quatro bimestres, para passar sem a necessidade de recuperação. Eu havia tirado zero no primeiro bimestre e 3 no segundo, faltava, portanto, 17 pontos nos outros dois bimestres, o que até não é muito, mas como minha performance e a deles havia sido abaixo da crítica, parecia impossível nos recuperarmos. Quingo mais uma vez me convidou para acompanhá-lo ao Colégio Americano em Curitiba. Pensei duas vezes e decidi ficar e estudar um pouco mais, ou melhor, muito mais. Como não havia estudado no ano anterior e havia feito o ginásio meio na flauta, gíria da época, de forma folgada, minha matemática básica era frágil e para entender geometria tive que ir lá no início e acabei conseguindo passar. Obtive 7 no terceiro bimestre e 10 no último e totalizei os 20 pontos necessários. Quingo, Beto e Desiré também foram aprovados em Curitiba.
Com a ida de Quingo para Curitiba nossa turma só se completava nos finais de semana, mas aí já de forma diferente, porque quase todos tínhamos namoradas e sobrava pouco tempo para o futebol de fim de tarde.
Quingo hoje reside em Irati e embora não nos vejamos mais com frequência, continuamos eternos amigos.

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