Reconstruindo um país

 “A propaganda, difundida pelos meios de comunicação de massa, mobiliza nações e estimula o ódio contra os oponentes”. Princípio muito utilizado no início de Século 20 durante a 1ª Guerra Mundial surtiu efeito desejado e espalhou-se de forma extremamente rápida, fórmula essa repetida em nossos dias pelos ultra velozes instantâneos atuais meios de comunicação, quase que atingindo a velocidade da luz. Se podemos fazer isso levando o caos, o ódio e a raiva, espalhando a cizânia, a mentira e estimulando o fratricídio num país de 8.516.000 km² com 207 milhões de habitantes, também podemos fazer uso desse mesmo princípio para reconstruir a nação.

É uma questão de análise simples e inteligente: o que funciona para uma determinada coisa, pode e deve funcionar para outra, bastando adequação e direcionamento das ações.  A história mostra que o nacionalismo dita o curso da história, mesmo sendo uma forma extremada de patriotismo serviu para unificar as nações européias. Talvez seja isso que estejamos precisando: um verdadeiro e extremo amor a pátria, uma consciência de que de fato podemos construir uma supremacia econômica e cultural. Não falo de fanatismo, mas de consciência, equilíbrio e ação. Apesar da velocidade com que vivemos o hoje, passando tão rápido que quando percebemos já é depois de amanhã, temos que saber que algumas décadas irão se passar até readquirirmos o equilíbrio que buscamos.

Não se reconstrói com a velocidade com que se destrói. O tempo é relativo, provou Einstein. Temos exemplo no mundo, como a Coréia do Sul que destruída pela guerra nos anos 50, e, que esteve sob um regime despótico até 1987, em apenas 30 anos, passou a ser a 13ª maior economia mundial, e, está classificada como um dos países mais desenvolvidos do mundo. A Coréia do Sul esteve sob um regime despótico até 1987, a Constituição Brasileira foi promulgada em 1988. O quê nos diferenciou? Porque somos nesses mesmos 30 anos depois um país de resultados tão diferente? Como somos absurdamente desiguais?

Na Coréia o investimento principal foi na educação, na formação do cidadão, na prática da moral e na ética; na preparação técnica e desenvolvimento tecnológico, na seriedade de seus dirigentes e na lisura de sua classe política. A nossa classe política – sem distinção alguma – explica por si só, por sua prática e conduta o enorme abismo que nos separa. Infelizmente. Que sirva para reflexão e que em outubro próximo não repitamos os mesmos erros. Temos a história como referencial, a usemos para corrigir o rumo. Necessário desvendar, revelar, trazer à tona, mostrar a verdade da história, nossa e de outros; necessário conhecer a história do mundo, como outros países se tornaram prósperos e justos, o que seu povo fez para mudar, que comportamento teve e como agiu. Sim, seu povo, porque só quem pode mudar uma nação é seu povo.

A mudança está em nós, não no político que aí está e que novamente se apresenta como solução. Eles não são a solução, eles são o problema. Se não os extirparmos do poder de forma definitiva, se apenas os enfraquecermos de leve, no espaço de 20 anos, eles voltarão e se instalarão nas cadeiras do poder para então se perpetuarem. Exagero? Só para citar alguns exemplos: em Alagoas, o filho de Collor será candidato a Deputado Federal; na Bahia, o filho do Senador Otto Alencar também; no Ceará, além do filho do Senador Eunício Oliveira ser candidato a Deputado Federal, o filho do vice-prefeito de Fortaleza também o será; no Paraná, o filho do ex-governador Beto Richa é candidato a Deputado Estadual e ele ao Senado; em Pernambuco, o filho do falecido Eduardo Campos será candidato a Deputado Federal; em Pernambuco, o filho do Senador Bezerra Coelho (usurpa tanto que até pertence a duas espécies do reino animal) será candidato a Deputado Estadual; no Rio de Janeiro, o filho do prefeito Crivella deve ser candidato a Deputado Federal e ainda no Rio, a filha de Eduardo Cunha também se apresenta como candidata a Deputada Federal.

Esses são alguns exemplos da continuidade familiar na esfera pública, sem prejuízo das ligações consangüíneas já existentes e devidamente instaladas no poder como Requião pai, filho, sobrinho e Espírito Santo(!), Amaral pai e filho, os Martins de Oliveira e os Anibellis que deixaram  herdeiros – filhos, irmãos, cunhados e netos. Em Santa Catarina as famílias Bornhausen, Amin, Konder e Ramos dentre outras sempre dominaram o cenário político. Por mais que tenhamos ódio, raiva, frustração e desprezo pela política e pelos políticos, devemos identificar com clareza quem de fato tem condições de gerenciar nosso país, estados e cidades com verdadeira capacidade e vocação para a gestão pública. Ou mudamos nós ou nos mudemos!

 

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