Repetição freudiana em ditos de auditório

O rock foi um signo, uma senha, bastava que se a invocasse e, se não brotasse amizade, no mínimo uma simpatia. Como um totem que representava uma aliança, sentiam-se parte de um mesmo conjunto aqueles que se identificavam a ele. Atualmente é difícil saber o que este signo representaria. Convenhamos que a abertura nunca foi seu forte. Antes a coesão ao pertencimento servia de meio à própria coesão. Contudo, a liberdade sempre foi sua bandeira mais significativa: liberdade ainda que utópica.

Direitos humanos para humanos direitos. É impossível que tal frase não toque (no imaginário obviamente) na vaidade de quem se sente diferente, pra não dizer especial. Ali em Lages, instalou-se num shopping uma cabine de amamentação, para que as mães não fossem ousadas a ponto de dar o seio a ver, enquanto amamentassem seus filhos. A lógica da pulsão, o fato de alguém se sentir tentado a olhar para o seio de uma mulher, embora com uma criança dependurada nele, se inverteu completamente, não para o isolamento do olhar (que compete à moral sexual civilizada) mas para o da mãe. Não há exemplo de perversão mais claro que esse. Na verdade há, e infelizmente são muitos. A perversidade moralizante denuncia seu desejo no ato de coibir.

O sul é meu país. Notei que há basicamente dois modos de argumentação corrente. Eles são usados quando o jogo dialético está perdido: o ad hominem, bem conhecido, que consiste, simplesmente, em atacar a pessoa que fala, não a ideia. Cola-se um rótulo e se aponta. A partir daí nada que o rótulo falar terá validade. O outro é o cinismo. Ele se dá pela paixão, em geral. Mesmo que você apresente uma prova cabal para alguém, ou desfaça uma mentira que ela propagou, talvez sem o saber, ela afirmará que não é isso o importante. Sem essas duas estratégias é impossível sustentar o discurso que se alastra.

Ninguém liga pra polícia. Para provar logicamente que há exceção, obviamente basta uma, o que é infinitamente mais fácil de comprovar do que não há exceção. Para justificar a perversidade aos olhos do público (o nome do povo) sempre é possível apelar à comparação: ok tem isso, mas aqui também. O embaralhamento consiste em não atacar o problema, mas mostrar que ele pode ser dirigido, conforme a conveniência. É o cinismo do homem traído.

Há uma excessiva compreensão de direitos. Isso foi dito por um general. Mas poderia ser dito por um senhor de 18 anos, guitarrista, que é contra o amplo direito de defesa, por exemplo, por se sentir especial, e supor que jamais precisará dele. Mas que não deixaria de invocá-lo quando a perversidade tomasse sua tribo por objeto, ou quando se desse conta de que embora sinta-se um europeu, está no Brasil, que não é para amadores.

Esse aí me representa. Em Caçador instalaram do próprio bolso, suponho, um outdoor de um candidato à presidência, tocaram o hino, inauguraram o monumento. A herança à próxima geração será um preconceito tão enraizado que, em pouco tempo parecerá absurdo não apoiar a eliminação dessa gente, que provocou tudo isso, no passado.

Psicólogo clínico, especialista em Teoria Psicanalítica e em Neuropsicologia. Atende em Caçador e União da Vitória. giuliano.metelski@gmail.com – WhatsApp: (49) 99825-4100 / (42) 99967-1557.

 

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