São José Maria Escrivá e seu contato com o socialismo

Sâo José Maria Escrivá, fundador da instituição católica Opus Dei, relata em sua homilia de 3/6/1963 que desde criança ouvia falar da questão social e que ela é muito antiga e que provavelmente vem desde o início da organização dos primeiros grupos humanos. (3)
Afirma ele nestas missas que ele gostaria de não falar destas matérias num oratório porque não era do seu ofício. Relata que preferia falar de Deus. (3)
Outro ponto que ele afirma enquanto sacerdote é que nós “não podemos deixar nunca de praticar a justiça, com heroísmo se for preciso” (3)
E ressalta que temos que defender a liberdade pessoal e que precisamos difundir a verdade conforme João VIII 32 “a verdade vos liberta” ao passo que a ignorância escraviza. Os cristãos, portanto tem que defender a liberdade de todos os homens desenvolverem uma vida digna, podendo trabalhar, descansar, de escolher seu estado, de ter família, criar filhos trazidos ao mundo dentro do matrimônio, poder educá-los, ter uma velhice tranquila, ter acesso à cultura, associar-se com outros cidadãos para atingir fins lícitos e principalmente de conhecer e amar a Deus, e a consciência os guiará para Cristo. (3)
São José Maria Escrivá repete nesta homilia, que não se mete em política e que afirma a doutrina da igreja, falando o seguinte: “O Marxismo é incompatível com a fé de Cristo. Existe outra coisa mais oposta à fé que um sistema que baseia tudo em eliminar da alma a presença amorosa de Deus?” e pede para gritarmos em alta voz “para praticarmos a justiça não precisamos do marxismo para nada. Pelo contrário, esse erro gravíssimo – pelas suas soluções exclusivamente materialistas, que ignoram o Deus da paz – ergue obstáculos no caminho para a felicidade e para o entendimento entre os homens.” (3)
A nós basta que nos empenhemos em ser católicos e teremos a solução e a resposta de todos os problemas. Como diz em I João III, 18 não com palavras nem com a língua, mas com obras de verdade. Portanto devemos ter coerência de vida. (3)
Esta fala de São Jose Maria Escrivá está fundamentada no que ocorre em governos marxistas e ele pode sentir pessoalmente o que ocorreu nos idos tempos da revolução espanhola.
Em 1928, São José Maria Escrivá viu o Opus Dei e iniciou a fazer o que Deus lhe pedia, contudo na década de 1930, na Espanha se deflagra a guerra civil espanhola, onde comunistas, socialistas e republicanos viam a igreja católica como um obstáculo à revolução socialista, desencadeando-se uma grande violência anticlerical.
O Opus Deis, em 1936, contava com vinte pessoas e uma pequena residência em Madrid. Neste mesmo ano em julho de 1936, estoura a guerra civil espanhola que durou três anos, nos quais morreram mais de 300 mil pessoas.
Em Madrid as igrejas foram saqueadas e queimadas; na sequência iniciou-se uma caça aos sacerdotes, freiras e católicos conhecidos. Mais de sete mil sacerdotes e freiras foram assassinados.
Em julho de 1936, São José Maria por segurança encerra as atividades da residência do Opus Dei e deixa de usar o hábito, passando vestir-se como civil; precisava estar se deslocando com frequência, dormia nas casas de conhecidos; alguns de seus melhores amigos foram assassinados pelos milicianos do governo republicano.
Em frente à casa de sua mãe, enforcaram um homem que haviam pensado que fosse ele. Ele sofria muito por não poder celebrar a Santa Missa e administrar os sacramentos.
De outubro de 1936 a março de 1937, se refugiou num manicômio onde fingiu ser louco. Neste manicômio celebrava a Santa Missa escondido no quarto, apesar do risco que isto representava se fosse denunciado. Passava a maior parte do tempo rezando pelos membros da Igreja, do Opus Dei e pela vida dos espanhóis dos dois lados do conflito.
Em março de 1937, o manicômio deixou de ser um lugar seguro, S. José Maria encontrou refúgio no consulado de Honduras e por seis meses ele, seu irmão e quatro membros do Opus Dei viveram num pequeno quarto. Perdeu tanto peso que a sua mãe não o reconheceu ao visitá-lo. Neste período ele celebrava a missa frequentemente e incentivava as pessoas a aproveitarem aquele momento terrível para crescerem em espírito de oração e sacrifício.
Apesar de tudo se absteve de criticar as autoridades republicanas socialistas ou de unir-se à celebração das vitórias nacionalistas.
Em setembro de 1937, S. José Maria Escrivá por não poder celebrar a Missa livremente e por não poder continuar o desenvolvimento do Opus Dei, tomou uma decisão difícil de fugir da zona republicana pelos montes Pirineus, entrar no sul da França e voltar novamente à Espanha no setor dominado pelos nacionalistas, onde poderia exercer livremente seu sacerdócio.
Com a vitória dos nacionalistas voltou a Madrid onde encontrou a casa do Opus Dei em ruínas tendo que começar tudo de novo.

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