Ser Mulher

Subindo o morro com a bacia de roupas para lavar, no riacho de água barrenta, vai a cabocla de pé no chão começar o seu dia de trabalho árduo e desvalorizado; na rua de baixo a quitandeira, com a cesta de docinhos, grita com voz forte: docinho, docinho, compra um e leva dois! Continua assim até que todos sejam vendidos, e ela possa voltar com a cesta um pouco mais pesada, contendo um pacote de arroz, seis bananas e um litro de óleo. Seu sorriso mostra a felicidade de poder colocar comida na mesa, para os filhos, e ainda repor na prateleira os ingredientes para os docinhos da próxima venda.
Não longe dali outra mulher, carregada de cadernos, os quais corrigiu à noite, está correndo para não perder o ônibus que a levará para a sua escola, onde leciona em dois períodos. É a professora do bairro.
Na esquina, próximo ao ponto de táxi, outra mulher vestida de maneira formal, com duas pastas de documentos, caminha apressada para atravessar a rua, é uma advogada a caminho do fórum, para defender seu cliente.
Outra mulher, não menos singular que as outras, a psicóloga, que nos ensina o caminho para conseguirmos avançar sem medo de ser felizes.
E quando o mundo precisa de sensibilidade, a mulher escritora nos presenteia com textos recheados de positividade e amor, textos que não se resumem em poemas e receitas, mas também grandes obras filosóficas e históricas.
Na roça, com a pesada enxada, a mulher vai capinando o mato, preparando terreno para o plantio do milho, trabalha de sol a sol para ajudar o marido na lavoura. Embaixo de um pé de manga o pequeno rádio ajuda a suavizar o calor que sufoca a alma. A voz da radialista comenta os fatos do dia, e assim a enxada avança com mais velocidade.
No hospital, a mulher enfermeira acalenta os doentes que passam por necessidades físicas e espirituais; com sua dedicação, carinho e habilidade, deixam o espaço mais humano.
Enquanto a mulher secretária auxilia com seus serviços profissionais em escritórios e grandes empresas, a mulher médica deixa seus filhos, sua família e vai prestar socorro onde é chamada.
Os bichinhos de todas as espécies e gostos fazem a nossa vida bem mais feliz e graças à mulher veterinária eles vivem melhor, com mais qualidade de vida.
A estudante apura o passo para não perder a carona com a amiga que também vai fazer o curso para ser dentista.
Nas grandes e pequenas lojas o número de vendedoras aumenta, pois elas, com sua diplomacia, vão vencendo o mercado de trabalho.
As mulheres contadoras estão sempre a postos, porque não podem deixar passar algarismo errado, mostrando a sua competência com os grandes cálculos.
Na construção de mais um edifício na cidade está à frente de todos uma mulher engenheira, a qual trabalha sem esquecer que é mulher.
No mundo da política ela também está, mesmo que não seja presidente, ela é política no lar.
A mulher publicitária está pronta para participar de todas as etapas dos projetos que lhe cabem, pois faz parte de seu escopo analisar, preparar realizar, enfim, tornar realidade suas grandes ideias.
“É pelo trabalho que a mulher vem diminuindo a distância que a separava do homem, somente o trabalho poderá garantir-lhe uma independência concreta.”
Há a mulher mecânica, a mulher motorista, a policial, a borracheira, a pintora, a artista plástica, a costureira, a eletricista, a fiel dona de casa, aquela que dizem: não faz nada.
E aquela que gesta, que acolhe que educa, que dá carinho, ensinamentos, direção para a vida, dá-lhe se precisar a sua vida, a única mulher mãe.
E, finalmente, sem esquecer alguma mulher de singular importância, a Mulher Santíssima Maria, mãe de Jesus e nossa.
“Não se nasce mulher: torna-se.”
E com as palavras de Clarice Lispector, parabenizo a todas as mulheres:
“Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado.”
A todas, parabéns!

 

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