Suor e Sangue

Necessitamos assumir e praticar urgente uma nova cultura. Precisamos restabelecer o sentido de serviço público nas áreas sociais, na saúde, educação, cultura e segurança. Lembrando que segurança, como todo resto, vem a partir da educação. Só quando nos convencermos disso poderemos melhorar, tanto no serviço público, como no privado, pois uma prática correta em um setor pode e deve ser transferida para outro, num efeito “onda”.
Valorizando e praticando a meritocracia, sendo justo na partilha da renda tendo por base a produção coletiva e o esforço individual, reconhecendo o mérito das boas práticas e buscando ampliar essas ações alcançando o coletivo é que atingiremos a justiça social e econômica. Necessária sim uma profunda reforma política, tributária e econômica, com base na prioridade educacional, traçando um novo esqueleto da máquina pública, enxuta, técnica, preparada com eficiência, planejada de forma a atender bem ao público. Gastamos muito e mal.
O segredo não é quanto gastar, mas como gastar. Economia não é gastar pouco, é gastar bem! A aplicação de recursos deve ser direcionada, de forma estudada e baseada em critérios exclusivamente técnicos. O que nos falta é a cultura do planejamento, cobrança de desempenho, acompanhamento de resultados e continuidade. Começo, meio e fim.
O descontrole e falta de preparo do estado se reflete na iniciativa privada e esses vícios estão sendo transferidos a ela, de forma generalizada e galopante. As raras empresas que se blindaram criando mecanismos de auto proteção contra o vírus da ineficiência do estado e não sucumbiram ao ganho fácil e rápido da corrupção, estão se mantendo e até prosperando. Essa minoria empresarial tem seus custos elevados de forma absurda sofrendo uma carga tributária injusta.
Os governos de forma geral não possuem preparo administrativo e técnico, nem tem o voluntarismo necessário para enfrentar e acompanhar a velocidade dos avanços e desafios de uma sociedade mundial tecnológica. É necessário redesenhar nossa rota e mais que isso, redescobrir os valores éticos e morais que fomos deixando pelo caminho desde muito tempo atrás. Nossos governos se alimentam do suor e sangue de um povo obreiro, de uma sociedade escrava dependente do prato feito de arroz e feijão – às vezes com um pedaço de carne, mas só às vezes – do dia a dia.
A ação que vemos por parte desses gerentes do poder, e a propaganda oficial nos mostra isso, é da distribuição de mísera ração para nos manter minimamente energizados e entorpecidos mentalmente para não termos condição de questionar coisa alguma. Acreditando em seus discursos enganosos nós os elegemos e eles se colocam espontaneamente acima de nossas vontades e necessidades contemplando tão somente suas ambições pessoais.
Falta-nos sabedoria para separarmos a verdade da mentira. Não temos o hábito do pensar. Não temos a cultura do contestar. Escolhemos os que nos dirigem, os alçamos a cargos para que nos protejam e trabalhem buscando serem justos com a sociedade como um todo, mas não acompanhamos sua atuação, aceitando passivamente seus desmandos e desvios de conduta. Somos culpados. Manipulam, modificam leis, alteram a Constituição com objetivo único de se perpetuar no poder e nós, cordatos cordeiros, aceitamos, baixamos a cabeça, batemos palmas a explicações esdrúxulas, rimos de suas piadas sem graça, aceitamos suas ironias, chegando a nos sentir valorizados quando recebemos um cartão de natal ou aniversário (feito pela gráfica do Congresso e pago com nosso dinheiro) e chegamos quase ao êxtase ao conseguirmos uma selfie com o príncipe ou rei.
Não passamos de vassalo e só modificaremos isto quando reconhecermos nossa condição de mero serviçal e trabalharmos para mudá-la. Desconhecemos a força que temos o poder que possuímos. Se nós lá os colocamos, nós os tiraremos! Isso deve ser entendido e muito mais que isso, praticado! Está na hora de uma assepsia completa, ampla, geral e irrestrita. A ditadura pode acabar agora, nas urnas em outubro de 2018. Só depende de mim… e de você!

 

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