UNIDOS APENAS APÓS A MORTE

 

Nas obras de reforma da capela na igreja de San Pedro de Teruel (Espanha), foram descobertas duas múmias enterradas juntas e com elas um antigo documento onde se narrava sua melancólica história. Foi este o início de uma das lendas mais romanescas da tradição espanhola, a lenda de “Los amantes de Teruel” (os amantes de Teruel).

A nossa narrativa teve seu princípio no ano de 1217, em Teruel, uma cidade situada na região de Aragão na Espanha, capital da arte “mudéjar” (arte espanhola com influência árabe),a qual foi reconhecida pela UNESCO como patrimônio da humanidade. Os protagonistas foram dois jovens que pouco a pouco descobriram que a amizade que os unia desde a infância, se demudaria em um sentimento muito maior e mais forte, o amor. Todavia, como em muitos dramas literários sua paixão foi interrompida por suas condições sociais. Ela, Isabel de Segura pertencia a uma das famílias mais abastadas da cidade, por outro lado Juan Diego Martínez de Marcilla era tão somente o segundo filho de uma miserável família. Quando Juan Diego pediu a mão de Isabel a seu pai o mesmo o baniu,expondo que ele não tinha as riquezas que sua filha merecia. Entretanto, a obstinação de Isabel fez com que Dom Pedro, seu pai mudasse de ideia e o mesmo concedeu um prazo de cinco anos para que Juan Diego juntasse o dinheiro necessário para o casamento.  Sendo ele jovem, foi para a guerra enquanto o pai de Isabel se empenhava em arrumar a ela um casamento apropriado.

Faltando apenas uns dias para finalizar o prazo, ele a persuadiu a casar-se com Dom Pedro Fernandez de Azagra. Porventura quis o destino que no dia da cerimônia, também fosse o dia do retorno de Juan Diego.

Ao saber do casamento da amada, em desespero ele foi até a igreja e pediu a ela um beijo de despedida. Por já estar casada, ela negou o pedido e Juan Diego com o coração roto de tristeza e desilusão caiu morto a seus pés. No dia seguinte foi celebrado o seu enterro na igreja de San Pedro.

Isabel não conseguiu suportar o dano que causou a seu amado e foi a cerimônia para ficar ao seu lado. Ao chegar encostou seus lábios junto aos dele, e o casal não voltou a separa-se pois ela havia abandonando a vida após o último ósculo. A cidade comovida a história decidiu enterrá-los juntos .

Muitos versos, peças teatrais, óperas, músicas, esculturas e quadros vem tentando captar a essência dessa grande história de amor que tem invadido os corações de tantas pessoas desde meados do século XVI. A maior representação desta história de amor, que foi criada para honrar o casal de apaixonados é uma escultura criada por Juan de Ávalos (1911-2006), nela se concebe as figuras de Isabel e Juan Diego, com as cabeças inclinadas ligeiramente uma em direção a outra, com a mão esquerda dela estendida a ele, sem tocá-lo como símbolo do amor impossível. Abaixo destas esculturas repousam seus restos mortais, em duas caixas de treliça trabalhada em alabastro.

Do mesmo modo, a cidade que os viu nascer celebra a “Bodas de Isabel Segura” anualmente. Nessas comemorações, a população volta para o século XIII trajando vestes medievais e participando de exposições teatrais do drama.A música do mesmo modo os lembra. O compositor de Salamanca Tomás Bretón (1850-1923) destinou uma ópera a eles em quatro atos que foi principiada em Madrid em 1889. Por fim, a literatura quis homenagear sua reminiscência com múltiplas peças que descrevem a narrativa dos amantes. Entre os mais famosos estão “Os amantes de Teruel”,  de Juan Eugenio Hartzenbusch (1806-1880), que concluiu seu trabalho com a despedida de Isabel, sintetizando tudo que era sua vida: “O céu que nos separa na vida nos unirá no túmulo “.

 

Gracias mis amigos y hasta luego…

 

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