Vaporização

Os brasileiros acreditam naquilo que lhes é dito para acreditarem. Quando tirei umas semanas de férias do Brasil, imaginei que quando retornasse à realidade o país poderia estar um pouco mais esculhambado, principalmente pela velocidade das revelações da podridão tupiniquim. Mas nem mesmo se eu fosse descendente de Nostradamus conseguiria imaginar o furdunço em que o país adernou mais ainda nas últimas semanas.
Michelzinho Temer, o cara que não foi eleito por mim, surgiu como uma frágil luz no final do túnel. A verdade é que até mesmo ele seria melhor que a criatura que estava no poder anteriormente. Nunca acreditei que ele passaria incólume na roubalheira dos últimos dois mandatos antes do seu, até porque o alto escalão do seu partido era composto por defensores ferrenhos do PT na Câmara e Senado – não dá para esquecer Romero Jucá com as desculpas mais esfarrapadas possíveis justificando os atos inconsequentes do penúltimo governo, por exemplo.
Agora o turquinho vive uma situação parecida com a da sua antecessora. Sua peripécia em barrar a Lava Jato e outras malas pretas o incriminam como mais um no balaio da putrefação nacional. Dele se esperava a postura de quem poderia amenizar um pouco a situação. E só. Mas não foi bem assim.
Aécio Neves, o cara em que eu e mais 51 milhões de insatisfeitos votaram em 2014, carimbou seu passaporte para a esgotosfera política. Não que acreditasse que o nobre político fosse “trigo limpo”, mas agir da mesma forma que seus adversários foi fatal. Agora aguarda os trâmites para passar uma boa temporada na prisão. Não chegou a ser uma decepção, mas como líder da oposição babona dos últimos treze anos, atingiu os brasileiros que acreditavam que poderiam fazer algo um pouco menos pior.
E aquele senhor Joesley Batista. O cara deu um calote em todos os contribuintes do Brasil, pegava dinheiro a rodo com a turma de Lula e foi premiado pela nossa estimada justiça com um perdão por meter todo mundo na fogueira. Não teve nada de patriótico ou nobre como alguns idiotas chegaram a publicar (devem ter sidos pagos por ele). Foi mais uma jogada imunda, pelega e astuta como tantas que ele sempre fez. No Brasil essas pessoas geralmente são idolatradas por alguns, por gerar não sei quantos milhares de empregos. Em contrapartida ferram uma nação e ainda saem como os mentecaptos dizem, heróis.
Aqui não há mais nada para fazer. Vamos implodir essa pocilga, com o povo junto. É a única saída. Afinal, em um país em que Lula é admirado por querer enfrentar Sérgio Moro, é melhor vaporizar o que ainda resta. Desta vez fiquei embasbacado. Logo eu, que há muitos anos não se assustava com nada no que se diz a respeito ao Brasil.
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Comentário de Roberto Requião, o alfafaman do Paraná sobre Joesley ter sido usado pelos americanos através da CIA rendeu muito. Finalmente ele assume que é um populista morrendo de vontade de ser um ditadorzinho. Só que não, senador.
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Ainda Requião: o vídeo em que ele aparece ao lado de Benedita da Silva PT – RJ, vociferando para sua plateia a necessidade de “derramamento de sangue” no país, mostra muito bem quem ele é. Sua fisionomia de Rasputim concordando com a cabeça é mais uma das suas faces desvendadas. Até hoje não entendo como o Paraná elegeu esse sujeito por tantas vezes – eu já disse isso antes.
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Em todos os protestos das últimas semanas, não vi uma única manifestação popular (vídeos recuperados, bem explicado). Os mortadelões de sempre financiados com grana do contribuinte bateram o ponto novamente. Quebrando para variar, patrimônio público (é a especialidade dessa turma). O caos é muito importante para a quadrilha. E o povinho, nada. Mas também, queria demais. Sonhar pode ser decepcionante.

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