Vitrola

Em plena ditadura militar éramos obrigados a formar fila para entrar no Colégio Túlio de França e em uma fria manhã do longínquo inverno de 1973, enquanto congelávamos ao relento fui indagado por meu colega, Mário Camargo que acabara de chegar: “Coxa, ouviu a nova do Paul McCartney”? Eu torcia e é claro, ainda torço, pelo Coritiba, daí ser chamado de coxa, principalmente, pelos irmãos Camargo que eram atleticanos fanáticos. Ainda não havia ouvido, mas logo descobriria tratar-se da bela Another Day. Exatos 45 anos depois me deparo com o novo e excelente disco de Paul McCartney, Egypt Station. O velho Paul, já um septuagenário, continua com seu gogó de ouro e esse seu mais recente álbum é um dos melhores deste ano, com destaque especial para as belas, Opening station, I don’t know e Happy with you.

Tipografia
Em uma das últimas edições do jornal Rascunho, li uma entrevista do escritor Edgard Telles Ribeiro, que falava de seu último livro, A mulher transparente. Até aquele momento ainda não havia lido nada do escritor e decidi começar por seu primeiro livro, O criado mudo. Fui então para o seu mais recente livro de contos, Histórias mirabolantes de amores clandestinos, ambos muito bons. Aí parti para sua trilogia que tem a ditadura militar como pano de fundo, ou talvez a ditadura seja o mote principal e os acontecimentos que se desenrolam ao longo das tramas, seja o pano de fundo. Telles Ribeiro hoje com 74 anos, foi diplomata e viu de muito perto as urdiduras de um regime opressor e violento. A trilogia começa com o monumental, O punho e a renda, 2010, segue com, Damas da noite, 2014, o mais intimista dos três e o que mais me tocou e termina com A mulher transparente, 2018, o mais denso e o mais tenso.
Telles Ribeiro expôs de forma magistral as feridas ainda abertas pela ditadura militar e que dão a qualquer um com a mínima consciência histórica um gosto amargo de dor e um enorme receio de que algo parecido possa voltar a nos assombrar.

Do que me envergonho
De pessoas que pela total falta de argumentos e da conseqüente ausência de estofo intelectual, tem partido para agressões pessoais nas redes sociais, ao tentar defender o indefensável, isto é a intolerância, o autoritarismo e o despreparo daquele que os representa.
Envergonho-me também pela falta de consciência histórica de pessoas, que nunca foram, minimamente, politizadas e hoje imaginam-se capazes de apontar o dedo para o que não conhecem e nunca se preocuparam em conhecer. Envergonhei-me ainda mais essa semana com a declaração do general Mourão, que disse em rede nacional que crianças sem pai, educadas pela mãe ou avó, serão adultos desajustados.
Estarrece-me que mulheres ao ouvir os disparates de Bolsonaro e Mourão atentando flagrantemente contra elas, façam ouvidos moucos e defendam sua ultrajante causa.

O que me causou boa
impressão
Estive nesta semana, a convite de meu amigo, Wilson Ramos Filho, o Xixo, conversando com a candidata ao senado pelo PT do Paraná, Mirian Gonçalves.
Graduada em Direito e com especialização e mestrado em Direito Trabalhista, ex-vice-prefeita, e, ex-secretária do trabalho de Curitiba, Mirian me causou ótima impressão. Inteligente, educada e muito acessível, bem ao contrário de alguns políticos que se escondem atrás da arrogância e de promessas que nunca cumprem. Mirian demonstrou muito conhecimento sobre as grandes questões nacionais, defendendo a necessidade das chamadas reformas estruturais, que se implantadas, como tenho dito por aqui, diminuirão em muito as desigualdades sociais.

Do que me orgulho
De ter podido auxiliar minha filha Nina Rosa Sá e sua sócia Clarissa Oliveira, na empresa Projeto Z, que presta assessoria nos eventos culturais da Uniguaçu. Nesta semana a Uniguaçu em parceria com a Prefeitura de União da Vitória, por meio de suas secretarias de Cultura e Educação e apoiadas pelo Núcleo Regional de Educação, promoveram a Feira do Livro de União da Vitória, no Centro de Eventos daquela instituição. Mais de cinco mil crianças e jovens passaram pela feira, compraram livros, participaram de contação de história e de concursos de poesias e o que é de suma importância, aqueles que não puderam pagar, ganharam um livro, em louvável iniciativa da Top Livros.
Com ações culturais dessa natureza a Uniguaçu vem se constituindo em importante centro irradiador e fomentador da cultura.

 

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