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Atualizado em 02/09/2010

007 e a Chantagem Eleitoral

Nunca fui de ficar muito tempo na frente da TV na parte da noite. Não acho muito produtivo, mas tem momentos que chega a ser necessário. Mas quando os sanguessugas chegam pra vender suas políticas como sabão não tem como não correr. Tenho uma desculpa e tanto pra não assistir as patifarias na TV: eu prefiro ler. De preferência um bom livro. Claro que eu não fico apenas lendo. As vezes tem coisas bem melhores pra fazer. Mas só as vezes. Não podemos confundir mesmice com paspalhice.
Depois de uma relutância inconsciente, resolvi ler Live and Let Die do escritor Ian Fleming. Publicado em 1954, o livro se tornou filme nas mãos de Albert Broccoli com o titulo 007 – Viva e deixe morrer. Mais do que um livro, esta obra é uma viagem ao misticismo e a simbologia que Fleming sempre usou em todos os seus livros. Existe um consenso entre os analistas que Fleming certamente fazia parte da Ordem Rosa-Cruz. Mas em nenhum ponto existe concordância que talvez ele teria feito parte da Ordem Maçônica ou Templária.
Em Live and Let Die, Fleming esta brincando com a paranormalidade. Parece haver uma espécie de aderência filosófica entre James Bond e Miss Solitairie, a cartomante precognitiva versada na leitura das cartas do taro que trabalha para Mr. Big, o vilão da ocasião. Ela seria a representação do lado espiritual de todos nos, que precisa se unir ao lógico.
Já James Bond, que possui as iniciais JB, reflete ao estado neutro no qual precisamos para ter acesso ao Divino, ingressando no recôndito sagrado. E a numerologia 007 possui inúmeros significados. Além de ser o numero da Criação e das ciências, o numeral converge ao limite absoluto e ao termo “esta feito”. No enredo Bond promete a Solitaire que gravará uma cruz na bala de seu revolver com o qual matara Mr. Big para garantir sua morte, já que o vilão tem profundas ligações com a prática do Vodu. Este acordo é respeitado e surge mais uma alegoria mística: a união do masculino com o feminino para resolver a questão do lado sombrio.
Isto é acompanhado pelo conjunctio alquímico. A união física e mental do homem com a mulher, quando Bond e Solitairie fazem amor. Na terminologia alquímica, Solitairie é a etérea e sabia Sofia dos gnósticos, e James Bond é o fogo. Esta figura é estereotipada com o cabelo de Solitairie caindo em “cascata”. E Bond descrito como uma “chama exaltada”.
Terminado o livro, não pude deixar de fazer uma comparação. Se Bond e Solitairie se fundem para ajudar a salvar o mundo, o que dizer de nossos candidatos a presidência? . Simbolicamente são tão místicos como os personagens de Fleming. Acham que não? Ora, temos a Víbora psicopata, o Bóris Karloffi e a Gárgula nortista. Em vez da Chantagem Atômica, se fosse vivo, Fleming poderia escrever outro livro para nossas eleições com o titulo 007 e a Chantagem Eleitoral. Querem mais sacanagem que isto para cima da gente?

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