Nunca fui de ficar muito tempo na
frente da TV na parte da noite. Não acho muito
produtivo, mas tem momentos que chega a ser necessário.
Mas quando os sanguessugas chegam pra vender suas
políticas como sabão não tem como não correr. Tenho uma
desculpa e tanto pra não assistir as patifarias na TV:
eu prefiro ler. De preferência um bom livro. Claro que
eu não fico apenas lendo. As vezes tem coisas bem
melhores pra fazer. Mas só as vezes. Não podemos
confundir mesmice com paspalhice.
Depois de uma relutância inconsciente, resolvi ler Live
and Let Die do escritor Ian Fleming. Publicado em 1954,
o livro se tornou filme nas mãos de Albert Broccoli com
o titulo 007 – Viva e deixe morrer. Mais do que um
livro, esta obra é uma viagem ao misticismo e a
simbologia que Fleming sempre usou em todos os seus
livros. Existe um consenso entre os analistas que
Fleming certamente fazia parte da Ordem Rosa-Cruz. Mas
em nenhum ponto existe concordância que talvez ele teria
feito parte da Ordem Maçônica ou Templária.
Em Live and Let Die, Fleming esta brincando com a
paranormalidade. Parece haver uma espécie de aderência
filosófica entre James Bond e Miss Solitairie, a
cartomante precognitiva versada na leitura das cartas do
taro que trabalha para Mr. Big, o vilão da ocasião. Ela
seria a representação do lado espiritual de todos nos,
que precisa se unir ao lógico.
Já James Bond, que possui as iniciais JB, reflete ao
estado neutro no qual precisamos para ter acesso ao
Divino, ingressando no recôndito sagrado. E a
numerologia 007 possui inúmeros significados. Além de
ser o numero da Criação e das ciências, o numeral
converge ao limite absoluto e ao termo “esta feito”. No
enredo Bond promete a Solitaire que gravará uma cruz na
bala de seu revolver com o qual matara Mr. Big para
garantir sua morte, já que o vilão tem profundas
ligações com a prática do Vodu. Este acordo é respeitado
e surge mais uma alegoria mística: a união do masculino
com o feminino para resolver a questão do lado sombrio.
Isto é acompanhado pelo conjunctio alquímico. A união
física e mental do homem com a mulher, quando Bond e
Solitairie fazem amor. Na terminologia alquímica,
Solitairie é a etérea e sabia Sofia dos gnósticos, e
James Bond é o fogo. Esta figura é estereotipada com o
cabelo de Solitairie caindo em “cascata”. E Bond
descrito como uma “chama exaltada”.
Terminado o livro, não pude deixar de fazer uma
comparação. Se Bond e Solitairie se fundem para ajudar a
salvar o mundo, o que dizer de nossos candidatos a
presidência? . Simbolicamente são tão místicos como os
personagens de Fleming. Acham que não? Ora, temos a
Víbora psicopata, o Bóris Karloffi e a Gárgula nortista.
Em vez da Chantagem Atômica, se fosse vivo, Fleming
poderia escrever outro livro para nossas eleições com o
titulo 007 e a Chantagem Eleitoral. Querem mais
sacanagem que isto para cima da gente?