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Previsão do Tempo

Daniel R. Augusto Wood

Psicologia

Atualizado em 02/09/2010

Caminhada

 cartas para danwood_br@hotmail.com

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 Carl Gustav Jung, em sua “Dinâmica do Inconsciente”, fala a respeito daquilo para que nos dirigimos incessantemente na vida.

Lá, além de muitas outras coisas, nos diz que a vida é um processo energético irreversível, que se assemelha a uma curva parabólica, do tipo que descreve, por exemplo, uma pedra lançada para o longe: ela sobe enquanto se movimenta adiante, atinge um ponto mais alto em sua trajetória vertical, e ainda está se movendo para mais longe; depois, desce (e ainda se distancia), até parar, no chão.

Não houvesse a gravidade, e talvez só a resistência do ar parasse a pedra em sua trajetória – que seria de contínua ascensão, enquanto se estaria movendo à frente.

Não houvesse, também, a resistência do ar, e a pedra nunca pararia de subir, além de se afastar.

Mas o fato é que, se não houvessem forças – como a gravidade e a resistência do ar – a se oporem ao movimento, seria difícil fazer com que a pedra se iniciasse o movimento – pois não haveria onde se apoiar para lançar a pedra!

Só somos capazes de lançar as coisas à distância porque temos pontos de apoio de onde podemos exercer a força necessária para o lançamento.

São leis da física, absolutamente imutáveis.

O que eu quero expor ao leitor, com isso, é que tudo que fazemos na vida depende de certo grau de oposição para chegar a seu destino, e também depende de alguma posição oposta para sair do lugar onde se encontra.

Os jovens têm o ímpeto da vida, que traz consigo objetivos distantes e altas esperanças; são pretensões que em geral sofrem certo grau de resistência. Parece ao jovem que tudo conspira para que não alcance seu ‘lugar ao Sol’.

O sujeito adulto, em certa fase de sua vida, não olha para os lados – apenas corre rumo ao objetivo antes traçado, com incertezas variáveis; porém, em geral mais controláveis do que aquelas do jovem, à medida em que o tempo passa.

Mais velho, olha para trás e lhe assaltam inseguranças: foi alcançado por seu passado, e está revisando sua vida. Aí muitas vezes parecem surgir muralhas intransponíveis.

Se alcança, porém, a proximidade do termo da vida, numa situação de aposentadoria, tem todo o tempo do mundo para refletir sobre o que se foi e o que ficou, o que se propôs fazer e o que alcançou; e tem a oportunidade de servir de luz para os que estão se iniciando em suas caminhadas.

É assim, pelo menos, que queremos supor que uma vida relativamente saudável se desenvolva sob o aspecto psíquico: início, subida, ponto alto, descida, fim – e aqui, na minha concepção, “fim” representa transformação. É minha concepção de vida e eu poderia passar meses falando a respeito, sem pudor algum, mas o papel acaba e também tenho de fazer outras coisas – além do que certamente me tornaria enfadonho demais para prender a atenção do leitor.

Porém, sabemos que nem sempre é assim. A vida é absolutamente bela, e também é absolutamente frágil sob esse aspecto de beleza absoluta, pois qualquer coisa pode turvar a plácida maravilha do lago em que se espelham as estrelas, as flores e as montanhas; e assim o que é absoluto se relativiza.

Um jovem pode deitar-se a perder pela dependência química; um adulto pode destruir futuro promissor virando na esquina errada; o idoso pode destruir sua possibilidade de iluminar o mundo, se não ocupar seu lugar de direito na vida.

É preciso transformar-se, para tornar o que é relativo em absolutamente belo: a palavra, tão efêmera, pode tornar-se coisa a ser lembrada por muito tempo; um sorriso pode durar anos na lembrança do outro; o beijo pode durar para sempre, numa aliança que nunca se encerra, até que a derradeira transformação separe os amantes.

Assim também é possível fazer da vida o inferno ou o paraíso – desde que, bem lembrado, saibamos no que consiste esse indomável querer que nos impulsiona adiante.

 

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